Resumo da Era Vargas: O Governo provisório


Pode-se dizer que foi Getúlio Vargas quem inaugurou o populismo no Brasil, como uma prática que desmobiliza politicamente a população, apesar de buscar sempre satisfazer suas necessidades mais imediatas, sem promover a conscientização.

O populismo vem acompanhado de grande dose de paternalismo, que marca a política brasileira até os dias de hoje. Nesse modo de governo, o líder é visto como alguém que dá as coisas, sendo elas concretas ou não. Assim, é totalmente aceitável que quem dê mais passe a ser o mais querido entre a sociedade. E nesse contexto, a propaganda e a publicidade também passam a ser características decisivas, como bem percebeu Getúlio Vargas.

O Governo provisório

Com a vitória na Revolução de 1930, diversas mudanças no cenário político começaram a acontecer. O novo tipo de governo, surgiu de um governo que unia diversas forças da sociedade (classes médias, oligarquias dissidentes e setores urbanos da burguesia) e de instituições, que reivindicavam uma maior participação na política que até então era dominada pela oligarquia cafeeira.

Apesar dos grupos da oligarquia ainda terem um papel decisivo na representação do novo governo, eles não poderiam mais exercer a hegemonia do poder. E é exatamente aí que podemos entender o poder pessoal de Getúlio, que foi capaz de manter coesa a aliança que havia se formado em 1930.

Mas, a força desse novo tipo de governo pode ser representada nas lideranças tenentistas que Vargas procurou manter como aliados a qualquer preço. Acabou nomeado para o cargo de interventores alguns tenentistas, o que significava dizer que eles eram substitutos temporários e todo-poderosos dos governadores do estado, como Juracy Magalhães, na Bahia, e João Alberto, em São Paulo. O inspetor-geral do Nordeste, Juarez Távora, tinha tanto poder que ganhou o apelido de vice-rei do Norte.

Mas, o tenentismo, que combatia a República da oligarquia era pobre quanto aos seus conceitos ideológicos. Então, formaram-se as Legiões Revolucionárias, que buscava atrair principalmente os desempregados e os operários. Havia um número consideravelmente alto de desempregados já que os efeitos da crise de 1929 se aprofundavam.

A divisão dos tenentes entre as tendências de direita e de esquerda, juntamente com o aumento crescente do poder pessoal de Getúlio Vargas, causaram o esvaziamento do tenentismo. Tempos depois só restava a submissão dos antigos integrantes do movimento ao novo presidente, bem como à sua incorporação do novo estado getulista, que teve início na década de 30.

No início de criação do novo governo revolucionário, o então presidente Getúlio Vargas apelou para as classes trabalhadoras urbanas, dando a eles a ideia de que leis favoráveis e novos benefícios poderiam ser criadas. Nesse contexto esboça-se a figura do populismo, que tempos depois se tornaria uma característica dominante da Era Vargas.

A defesa do setor cafeeiro e o estímulo à indústria

Por causa da crise de 1929, a cafeicultura foi fortemente abalada pela Grande Depressão mundial. Por isso, em 1931, Getúlio promoveu o Conselho Nacional do Café, estocando e comprando o produto na tentativa de ajudar os cafeicultores.

Essa prática estava esgotada, porque crescia a concorrência e a produção mundial de café. Em consequência, o produto a ser valorizado, e apesar de elevar de maneira ligeira os preços durante um certo tempo, acabou causando a formação de estoques imensos, para os quais já não haviam mais compradores externos. Em 1931, o governo então resolveu queimar os excedentes invendáveis.

E essa atitude acabou trazendo consequências benéficas para a economia a curto prazo. Foi graças à atividade cafeeira, o governo conseguiu sustentar as atividades bancárias, comerciais, ferrovias e até a indústria nacional. Dessa maneira, o Brasil conseguiu superar a os problemas gerados pela crise da Grande Depressão.

Ao mesmo tempo, não existia a presença de moeda estrangeira no país, já que o café passou a ser vendido para o governo, o que acabava por inviabilizar as importações. As emissões de papel-moeda, para bancar a compra do produto, ajudavam a desvalorizar o mil-réis, o que dificultava ainda mais as importações e passou a encorajar que uma produção interna industrial se desenvolvesse.

De 1933 a 1939, a indústria brasileira apresentou um crescimento expressivo, principalmente nos setores menos sofisticados, como o de processamento de alimentos e têxteis. Desde o fim do século anterior, as bases de uma indústria leve foi se consolidando no país, que operava desde o final da Primeira Guerra Mundial, operava com capacidade ociosa. E foi justamente o emprego de todo esse potencial não utilizados que fez a produção industrial brasileira dar um salto nos anos 30.

É certo dizer então, que a economia deu um salto e entrou em um novo período, alterando seus modelos. Ou seja, até o momento, o país seguia como um modelo agrário-exportador, onde todos os recursos disponíveis se voltavam para a produção de gêneros agrícolas para exportação. Nos anos 30, foi inaugurado um novo modelo, de industrialização por substituição de importações.