Resumo da Idade Moderna: O apogeu e a crise do açúcar


O Brasil, durante o século XVI e no começo do século XVII, tornou-se o maior produtor de açúcar do mundo todo, sendo o principal responsável pela riqueza da Coroa, dos senhores de engenho e ainda de comerciantes portugueses. Mas, apesar disso, pode-se dizer que os holandeses foram os que mais se beneficiaram com a prática açucareira, já que eles eram os grandes responsáveis pela refinação e também pela comercialização do produto.

Esse caráter totalmente explorador da economia em vigência, que era bem característico do pacto colonial, ou seja, da relação existente entre colônia e metrópole, foi firmado pela maciça importação de mercadorias da Europa, como alimentos, roupas e até mesmo objetos decorativos, com o objetivo de garantir a opulência e o sustento em que os senhores do engenho no Nordeste viviam. Além disso, podemos afirmar que o que acabou desviando a riqueza para as áreas metropolitanas foi a participação de portugueses e de holandeses no comércio açucareiro.

O apogeu e a crise do açúcar

Filipe II, um monarca espanhol, entre os anos de 1580 e 1640, passou a dominar diversas extensões da Europa. Nesse contexto, Portugal e as suas colônias também ficaram sob o domínio da Espanha.

Uma guerra de independência entre a Espanha e os Países Baixo fez com que os holandeses, que conheciam bem as técnicas de refino e comercialização do açúcar, a produzi-lo em suas colônias. Entre os anos de 1650 e 1688, aconteceu uma queda nos preços, o que significou uma série de prejuízos para a economia da colônia e para a economia de Portugal.

Dom Pedro II, que era o rei de Portugal nesse período, quando se deparou com a crise da produção açucareira colônia, procurou algumas soluções a fim de resolver o problema. Dessa maneira, proibiu-se o uso de alguns produtos estrangeiros com o objetivo de equilibrar a balança comercial portuguesa e de reduzir as importações, além é claro de reorientar as atividades produtivas no reino e nas colônias.

No Brasil, a produção de produtos alimentares e de tabaco foi estimulado, e estes se destinavam à exportação. Além disso, intensificou-se a buscas por drogas do sertão. Apesar de perder toda a supremacia, o açúcar continuou a ser o principal produto nas exportações.

Mas, essa política acabou sendo abandonada, principalmente por conta da alta valorização de alguns produtos exportáveis pela metrópole, como por exemplo, o vinho. Em 1703, o tratado de Methuen, acabou por abrir o reino português para os produtos ingleses importados. Em contrapartida, a Inglaterra faria o mesmo em relação aos vinhos portugueses. Vale ressaltar, que a desigualdade financeira nessas relações de comércio contribuiu para que em Portugal as dificuldades econômicas crescessem.

As capitanias hereditárias e os governos gerais

O sistema de capitanias hereditárias foi adotado, na intenção de viabilizar a empresa açucareira. Esse sistema, que já era utilizado nas ilhas do Atlântico e por Portugal, doava faixas largas de terra aos capitães-donatários. Estes por sua vez, deveria colonizar a capitania, através da fundação de vilas e a proteção de terras e de seus colonos dos ataques de estrangeiros e de nativos. Além disso, deveria se fazer valer o monopólio do comércio colonial e do pau-brasil, reservando para a Coroa um quinto do valor obtido em metais preciosos. Mas, apesar dos capitães-donatários terem amplos poderes na administração, eles eram mandatários do rei e não um senhor com total autonomia.

No total, foram criadas 15 capitanias, doadas entre os anos de 1534 e 1536. As capitanias de Pernambuco e de São Vicente foram as que mais prosperaram. Mas, o sistema de capitanias acabou fracassando, por causa principalmente do interesse dos donatários e da falta de recursos.

Foi criado então, em 1548, um regimento no sistema de governos-gerais, que fortalecia os instrumentos colonizadores e reafirmava a soberania e a autoridade da Coroa. Apesar do governador-geral deter muitos poderes, eles também tinham diversas obrigações.

Tomé de Souza, foi o primeiro governador-geral, e ele, estabeleceu na Bahia, mais precisamente em Salvador, a primeira capital brasileira. Junto com ele, vieram mulheres, escravos africanos e um grupo de jesuítas, estabelecendo as primeiras unidades de ensino na colônia, chamados de colégios jesuítas.

Duarte da Costa, foi o seu sucessor, trazendo com ele, mais mulheres, colonos e jesuítas, entre eles, o padre José de Anchieta, que em 1554, juntamente com Nóbrega, fundou o colégio de São Paulo, considerado atualmente o embrião da cidade de São Paulo.

Mem de Sá, que sucedeu Duarte da Costa, tomou como primeiras medidas, a intensificação dos aldeamentos indígenas dos jesuítas. Sua intenção era favorecer a integração dos nativos à cultura cristã e portuguesa, defende-las dos ataques dos colonos que buscavam escravos e ampliar a catequese e reduzir os conflitos entre os colonos e os jesuítas.

Em parceria com Estácio de Sá, Mem de Sá, fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, organizando a resistência contra os ataques de estrangeiros. Depois da morte de Mem de Sá, a metrópole dividiu a administração da colônia entre dois governadores.