Resumo da Idade Moderna: O domínio holandês em Pernambuco


A partir do ano de 1632, a resistência da população de Pernambuco acabou sendo quebrada, isso porque eles acabaram indo para o interior, enfrentando os invasores em núcleos como o Arraial do Bom Jesus. Por causa da ajuda que receberam de Domingos Fernandes Calabar, que optou por servir aos holandeses contra a dominação de Portugal, conseguiram conquistar alguns pontos importantes do interior. Anos depois, Domingos acabou sendo preso e foi em seguida julgado e executado pelos portugueses como traidor.

Todo o domínio da Holanda na colônia portuguesa se estendeu desde o litoral dos atuais estados do Maranhão até de Sergipe. Maurício de Nassau foi eleito conde, com a missão de administrá-los, permanecendo no cargo dos anos de 1637 a 1644. Nesse contexto, Maurício de Nassau estava preocupado em normalizar a produção de açúcar, e assim, conseguiu que muitos senhores de engenho colaborassem, concedendo-lhes empréstimos que permitiram o aumento da produção. Além disso, ele os convidou para fazerem parte das câmaras dos escabinos, órgãos administrativos municipais que havia criado.

O domínio holandês em Pernambuco

O abastecimento de cativos na região de Pernambuco também foi possível através da conquista dos holandeses das praças que eram fornecedoras de escravos de São Tomé, na África e na Angola.

A extensão máxima do Brasil holandês foi atingida no ano de 1641, quando a Holanda dominava sete das 14 capitanias brasileiras. Durante o período de administração de Maurício de Nassau acabou por se destacar pelas realizações culturais e urbanísticas, que modernizaram e sanearam Recife, convertendo-se num centro urbano repleto de grandes obras da arquitetura, passando a ser conhecida como Cidade Maurícia ou ainda Mauritzstadt. Alguns artistas e notáveis cientistas da época foram convidados para fazerem registros e estudos sobre a fauna e a flora tropicais. Embora os holandeses fossem grandes adeptos do calvinismo, implantaram a liberdade de credo, com o objetivo de evitar possíveis atritos com os lusos-brasileiros. Essa liberdade foi estendida para católicos e judeus, mas não chegaram até os jesuítas, que representavam a principal força contra-reformista na luta contra o protestantismo.

Portugal conseguiu o apoio militar e também econômico da Inglaterra e dos Países Baixos na tentativa de recuperação de sua autonomia frente à Espanha. No ano de 1641, assinou com os Países Baixos a trégua dos Dez Anos, que garantia aos holandeses a manutenção do seu domínio sobre o Nordeste brasileiro.

No ano de 1688, Espanha e Portugal assinaram um acordo de paz, depois de um longo período de desgaste.

A insurreição Pernambucana

A Companhia das Índias Ocidentais adotou uma nova política administrativa e financeira para a região do Nordeste, por causa dos custos elevados com as guerras da Europa. Em 1644, Nassau acabou sendo destituído do cargo e foi obrigado a regressar ao seu país de origem.

Com a saída de Maurício, a revolta com a Companhia das Índias Ocidentais foi retomada. Antes mesmo que ele conseguisse abandonar o Brasil, a luta havia chegado ao Maranhão, o que culminou com a expulsão dos holandeses de São Luís. A insurreição acabou se alastrando por todo o Nordeste, atingindo tempos depois, Pernambuco, onde a situação se tornava cada dia mais tensa. Tempos depois, o movimento eclodiu, e assim os holandeses foram expulsos definitivamente da região, movimento que ficou conhecido como Insurreição Pernambucana.

Depois das primeiras vitórias dos colonos, esse movimento acabou ganhando apoio metropolitano, com o envio de reforços. Essa luta se tornou ainda mais forte quando passou a contar com o apoio de grandes senhores de engenho às forças populares. Vale ressaltar, que o movimento tinha como líderes o indígena Felipe Camarão e o negro Henrique Dias.

Os Atos de Navegação, decretados a partir do ano de 1650 pelo governo de Oliver Cromwell, protegiam os mercadores inglês e suprimiam a forte participação da Holanda no comércio inglês. Todo esse cenário resultou no início da guerra entre a Inglaterra e os Países Baixos, o que favoreceu a maior aproximação entre portugueses e ingleses. Os holandeses foram derrotados militarmente pelos britânicos, e desgastados e enfraquecidos acabaram também perdendo para as forças luso-pernambucanas, colocando fim, no ano de 1654, à sua dominação sobre o Brasil, na batalha da Campina da Taborda.

Os holandeses, embora ainda reivindicassem seus direitos sobre o Nordeste colonial, foram obrigados a concordar com a Paz de Haia. Em troca de indenização e através de intermediação dos ingleses, acabaram por reconhecer os domínios coloniais lusos. Os vínculos entre Inglaterra e Portugal aumentavam, o que culminou no ano de 1703 no tratado de Methuen.

Os holandeses foram expulsos do Nordeste, e implantaram nas Antilhas uma empresa açucareira, que passou a concorrer com vantagens sobre a produção de açúcar do Brasil, já que haviam aprendido muito sobre a produção e as técnicas de cultivo de cana de açúcar. Isso acabou levando a região Nordeste à perda e a decadência de sua supremacia na economia na colônia.