Resumo da República Velha: Os abalos na ordem oligárquica


Depois que Franco Rabelo ganhou as eleições, o deputado Floro Bartolomeu iniciou uma reação, e revoltou-se contra o novo governador. Era o que chamamos de Revolução Cearense de 1914. Tomou a cidade de Juazeiro, e abençoada pelo padre Cícero Romão Batista, rumou em direção à capital do estado, onde acabou por derrubar o governador e promover o retorno de Nogueira Acioli, ou seja, de um político ligado a Pinheiro Machado. Além disso, o monopólio político de São Paulo e de Minas Gerais descontentava outros estados, notadamente o Rio Grande do Sul.

As eleições realizadas no ano de 1910 foram as primeiras que realmente foram disputadas na República Velha, seguidas é claro de outros abalos. A própria emergência de novos grupos sociais e a rearticulação política do exército em novas bases aprofundariam uma crise que já se anunciava.

República Velha

Vinte anos depois, em 1930, a velha ordem oligárquica política acabou sendo afastado do poder por causa de um movimento revolucionário, onde pode-se entender que houve um rompimento no processo político e econômico vigente na República do Brasil.

Mas, ao lado da ascensão de novas forças, permaneciam alguns antigos representantes da ordem oligárquica.

O sistema político vigente na República Velha, no qual os mineiros e os paulistas se revezava no poder da presidência da República e os governantes dos estados sempre pertenciam às mesmas famílias ou grupos da oligarquia, acabou gerando muita insatisfação. Alguns setores estavam condenados à oposição, fossem grupos ou famílias secundários dentro dos estados, fossem oligarquias de outros estados que não São Paulo ou Minas Gerais no âmbito federal. O rompimento do pacto político acabou dando origem as oligarquias dissidentes, por causa principalmente do descontentamento desses grupos.

As dissidências oligárquicas acabaram se tornando cada vez mais frequentes e passaram a demonstrar a corrosão interna de todo um sistema. Enquanto os grupos que detinham o monopólio do poder político do país aproveitavam-se para obter vantagens econômicas excepcionais, a exemplo da política de valorização do café, muitos outros oligárquicos disputavam um poder incapaz de garantir os privilégios de todos. Assim, os choques tornaram-se inevitáveis.

Além da corrosão interna desse sistema, as oligarquias ainda enfrentavam problemas externos que contribuíram para enfraquece-las ainda mais. O Brasil passava por transformações econômicas que provocaram o surgimento de novas classes sociais, ou pelo menos, o fortalecimento de grupos recentemente formados. Esses novos grupos sociais, essencialmente urbanos, logo demonstraram sua força, com reivindicações próprias e atuação política bem independente, quase sempre contrárias às oligarquias.

Finalmente, o exército, que se mantinha calado desde a Guerra de Canudos, passou a se manifestar de maneira política por meio das jovens lideranças, embora ele defendesse ideias que não eram necessariamente novas. Dessa maneira, em 1914, se inicia um período bastante agitado, com o enfraquecimento da oligarquia, que viria a cair no ano de 1930. Os presidentes desse período foram: Venceslau Brás (1914 – 1918), Delfim Moreira (1918 – 1919), Epitácio Pessoa (1919 – 1922), Artur Bernardes (1922 – 1926) e Washington Luís (1926 – 1930).

As transformações da economia

Ao longo dessa época, que foi chamada de República Velha, que vai do ano de 1889 a 1930, o Brasil passou por diversas transformações no meio econômico e também no meio social, onde os efeitos, apesar de terem sido bem importantes, só se fariam sentir ao longo do tempo. É o caso, por exemplo, da expansão demográfica, que foi de maneira natural acelerada no país e intensificada no período graças ao prosseguimento da imigração europeia.

Com a entrada de imigrantes no país e sua estabilização no Sul e no Sudeste, fizeram com que essas regiões apresentassem um crescimento da população bem mais acelerado que as demais. Além dessa porcentagem significativa da população, sobretudo dessas regiões, habitava cidades cada vez maiores. A urbanização refletia maior diversificação da economia, bem como o desenvolvimento de uma infraestrutura ligada aos transportes, em especial ferrovias, comércio, bancos e meios de comunicação, como jornal, telégrafos e principalmente o rádio.

Entretanto, a transformação mais significativa verificada no período foi o desenvolvimento das indústrias, principalmente no estado de São Paulo, inegavelmente vinculado às condições criadas pela cafeicultura, bem como a decorrente concentração da produção no estado.

A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em julho do ano de 1914, deu um impulso para o desenvolvimento da indústria brasileira. A concentração da atividade industrial europeia na produção bélica levou à redução da oferta de itens exportáveis. Em razão disso, uma gradual diminuição das importações brasileira passou a acontecer, o que causou um estimulo à produção nacional. Produziam-se basicamente bens de consumo não duráveis, como têxteis e alimentos processados de maneira industrial. Além disso, a desvalorização cambial da moeda brasileira, ao encarecer as importações acabou servindo para reduzir a concorrência estrangeira.

Nesse contexto, os grupos socias urbanos, ou seja, a burguesia industrial, o operariado e a classe média, se desenvolveram e passaram a ter uma importância inédita no país, convertendo-se inclusive, em grupos de pressão política com atuação crescente.