Resumo da Revolução Farroupilha


A história do Brasil não é diferente da história de outros países colonizados por povos europeus e contêm muitos casos de guerras entre províncias e busca por liberdade. Os séculos XVIII e XIX foram marcados por inúmeros conflitos envolvendo as províncias e o governo imperial brasileiro. Um destes conflitos foi a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos. Esta foi a mais longa guerra envolvendo uma província e o império brasileiro. Durou cerca de dez anos, entre 1835 e 1845. Entre os principais fatos ocorridos durante o conflito, a proclamação da República Rio-grandense é aquele que mais chama a atenção das pessoas, uma vez que os farrapos não conseguiram manter esta condição por mais tempo.

Revolução Farroupilha

Motivações para o conflito

A região que hoje abria o estado do Rio Grande do Sul nunca foi uma região como as outras no Brasil. Sua posse não era considerada brasileira por conta do Tratado de Tordesilhas, ou seja, sua posse tecnicamente era espanhola. No entanto, após sucessivos acordos e conflitos, a região passou a fazer parte do Império brasileiro. Mesmo assim, as lideranças da região nunca foram muito favoráveis aos caprichos e constantes mudanças na lei imperial.
Um assunto em específico deixava os rio-grandenses extremamente preocupados e revoltados com o império. Era a alta tributação de seus produtos, como o charque, por exemplo. A produção rio-grandense era praticamente toda voltada para o mercado interno brasileiro. Diferentemente de outras províncias, principalmente as do Sudeste, que possuíam culturas de açúcar e café voltados para o mercado externo. Até aí, tudo bem, já que o mercado interno realmente consumia muitos produtos dos rio-grandenses. No entanto, cidades e povoados ao redor do Rio Grande do Sul também produziam os mesmos itens e com preços até mais competitivos do que os brasileiros.
Após sucessivos pedidos de aumento da carga tributária dos produtos oriundos dos povos do Rio da Prata, por parte dos rio-grandenses, o governo imperial ignorou todos estes pedidos e começou a adquirir produtos dos países vizinhos. Com isso, o sentimento de revolta só crescia nos sulistas.

O estopim da guerra

O ano de 1835 já começou com os revolucionários farroupilhas com os nervos a flor da pele. Antônio Rodrigues Fernandes Braga, um rio-grandense nato, foi eleito o presidente da província. Mesmo de origem local ele não agradava muito os liberais que defendiam a separação do Rio Grande do Sul do resto do Brasil. E as coisas pioraram quando ele, numa sessão que daria início às atividades na província, criticou e acusou os liberais por desejarem se separar do Brasil. Como havia muitos liberais no local, a discussão foi intensa e, neste ponto, ninguém mais poderia segurar os farroupilhas: a revolução iria começar.

Uma das figuras mais importantes neste início da Revolução Farroupilha foi Bento Gonçalves. Ele reuniu homens para a revolução e instigou outros homens a liderarem tropas em várias cidades do interior da província. Em alguns meses toda a província já estava nas mãos dos liberais, inclusive Porto Alegre, que era a capital da província e estava abandonada, já que o então presidente provinciano, Antônio Rodrigues Fernandes Braga havia fugido para outra cidade por não encontrar homens dispostos a defender a capital. Em Setembro de 1835, Bento Gonçalves exigiu que o governo imperial brasileiro nomeasse outro presidente provinciano e outro comandante de armas. Para ele e seus companheiros, tudo havia acabado.

Esta situação demonstra claramente que o primeiro desejo dos liberais era corrigir um problema na província e demonstrar ao império que o povo do Rio Grande do Sul não estava de brincadeira. O tom separatista era muito fraco e só viria a aumentar muito tempo depois.

Os dez anos de guerras
É claro que, após a vitória de Bento Gonçalves, o império não ficaria para trás. O ex-presidente provinciano, Antônio Braga, voltou ao Rio de Janeiro para contar sua versão da história. Depois disso, o império mandou tropas e armamento pesado até o Rio Grande do Sul para retomar o controle da província.

No dia 11 de setembro de 1836 foi proclamada a República Rio-Grandense após algumas vitórias dos farroupilhas em cima dos imperiais em vários pontos do estado. A última vitória dos farroupilhas antes da proclamação de sua república foi na Batalha do Seival, onde o exército imperial sofreu uma derrota humilhante. A euforia por esta e por outras vitórias recentes fizeram com que o Coronel Antônio de Sousa Neto finalmente proclamasse a república e criasse um novo país, com seu próprio exército, suas próprias leis, enfim, um lugar separado do resto do Brasil.

Depois de anos de batalhas sangrentas, mais de 47 mil mortes e muitas tomadas e retomadas de cidades importantes na então República Rio-Grandense, foi assinado o Tratado de Paz do Poncho Verde. Este tratado especificou quais punições os revoltosos receberiam e prometeu até o perdão de alguns líderes da revolta. No fim das contas, tudo voltou a ser como era: o Rio Grande do Sul voltou a ser uma província do então império brasileiro e o presidente provinciano nomeado pela corte no Rio de Janeiro.