Resumo da Sabinada


Os antecedentes históricos

A Sabinada foi uma das rebeliões regenciais que nasceu bem no meio de um período com uma grande instabilidade política. Inúmeros jornais surgiram no Brasil durante o período de regência, que eram ligados a uma ou outra facção, integrando a turbulência política do período. Questionava-se não somente o excesso de cobranças de diversos tributos e o excesso causado pela centralização política que foram instituídos a fim de manter e de organizar o novo estado brasileiro, mas também a situação de vasta miséria em que a maioria da população do Brasil se encontrava, reivindicando dessa maneira maior acesso à política e também mais liberdade.

Conhecida durante o período do Brasil Império, a Sabinada é considerada uma revolta totalmente autônoma e aconteceu entre novembro do ano de 1837 e março do ano de 1838, na Bahia.

Sabinada

Durante à época de regência no Brasil, do ano de 1831 a 1840, os conflitos que aconteceram em volta de todo o federalismo republicano e da centralização da monarquia, acabaram por mobilizar em especial os integrantes de camadas urbanas da classe média, que eram os oficiais militares, os profissionais liberais e os comerciantes.

No início de 1831, alguns desses confrontos instituíam os portugueses como inimigos e por isso eles pleiteavam que algumas importantes decisões fossem estabelecidas. Isso porque eram os portugueses que ocupavam a maioria dos cargos políticos, administrativos e militares e que controlavam a maior parte do comércio existente no Brasil. Através das manifestações, dos conflitos e das revoltas, o povo fazia suas reivindicações, exigindo a volta dos portugueses para o seu país de origem e ainda a extinção das taxas e dos tributos que foram estipuladas por D. Pedro I e João VI aos habitantes daqui.

No ano de 1837, o regente Diogo Antônio Feijó renunciou e os ânimos na capital baiana se exaltaram. Isso porque os portugueses já não conseguiam mais controlar todas as revoltas e para piorar foi criado o projeto de lei da interpretação do Ato Adicional, que dava autonomia para as classes médias e cuja a discussão se arrastou até o ano de 1840.

Através da liderança de Francisco Sabino Vieira, médico e também jornalista, o movimento revoltoso acabou aproveitando a reação popular imposta versus o recrutamento militar pelo Governo imperial. O estopim desse confronto aconteceu com a fuga de Bento Gonçalves do chamado Forte do Mar, hoje conhecido como Forte de São Marcelo.

O estado da Bahia, desde a época colonial, sempre foi palco de luta e de resistência contra a opressão, como pode-se observar no ano de 1798 com a Conjuração dos Alfaiates, onde diversas rebeliões eclodiram.

Em 1837, o recrutamento forçado que queria combater os farroupilhas gaúchos foi o grande estopim para que ocorresse uma revolta contra as dificuldades que a província enfrentava em sua economia. Este movimento expressava todo o descontentamento da população contra as determinações do governo central e dos grupos urbanos médios.

Sob o comando de Francisco Sabino Vieira, nome que deu origem ao nome do movimento, os revoltosos conquistaram o poderio na Bahia e proclamaram a República Bahiense. Apesar de ser uma medida provisória, já que só teria valor até que Pedro de Alcântara, conhecido também como D. Pedro II tivesse idade suficiente para assumir o trono, o que deveria acontecer no ano de 1843, ela destituía o Governo da província e ainda rompia com o modelo imperial. Eles ainda pretendiam libertar apenas os escravos que apoiavam a revolução e que eram nascidos no Brasil.

Na tentativa de acabar com os revoltosos, o governo da província despachou soldados fortemente armados para ataca-los, mas eles acabaram aderindo ao movimento. A Câmara Municipal foi ocupada com o comando dos militares Luiz Antônio Barbosa de Almeida e José Duarte da Silva, do político João Carneiro da Silva Rego e de Francisco Sabino Vieira.

Após conseguir a dominação em Salvador de alguns quarteis e da própria cidade, os revoltosos não conseguiram o apoio dos senhores de engenho da região do Recôncavo, que eram extremamente fieis ao Rio de Janeiro e também não conseguiram um apoio realmente significativo da camada escrava, e por isso foram vencidos pelas tropas regenciais.

Cerca de 100 mil pessoas morreram nos combates e três dos líderes mais expressivos foram presos e executados. Os rebeldes que sobreviveram ao ataque foram presos e em seguida julgados por um tribunal que era composto principalmente pelos latifundiários da província. O julgamento os condenou com tanta crueldade que este júri acabou recebendo o nome de Júri de Sangue. O principal líder, Francisco Sabino Vieira acabou seus dias em Mato Grosso, na Fazenda Jacobina. Outros como Manoel Gome Pereira, Francisco José da Rocha e Daniel Gomes de Freitas conseguiram fugir e tempos depois passaram a integrar a Guerra dos Farrapos, movimento também conhecido como Revolução Farroupilha.