Resumo das Rebeliões Separatistas (Período Pré-Independência)


Como já sabemos, o processo de independência do Brasil foi fruto de um processo longo e não aconteceu da noite para o dia. Os interesses dos colonos e as tensões entre as autoridades metropolitanas foram se multiplicando a partir do final do século XVIII, fato que deu origem aos movimentos que pregavam na América, a separação de suas colônias.

A relação entre metrópole e colônia também se modificou, por causa principalmente do desiquilíbrio político europeu que foi provocado pelas guerras napoleônicas, o que acabou propiciando a transferência da família real de Portugal para o Brasil.

No ano de 1789 aconteceu a Conjuração Mineira. Na segunda metade do século XVIII, a dificuldade de produção de mineração dificultou o pagamento dos tributos que a metrópole cobrada das colônias. Assim, o governo português, achando que os mineiros sonegavam impostos, começou a usar da violência para que a população fosse obrigada a entregar partes de seus bens para o pagamento de suas dívidas.

Rebeliões Separatistas (Período Pré-Independência)

Os preços altos cobrados pelas mercadorias que eram importadas, como ferramentas, calçados e tecidos, que estavam proibidos desde 1785 de serem fabricados, aumentava cada vez mais o descontentamento dos colonos. Além disso, o controle da divulgação de ideias e o monopólio na ocupação de cargos altos administrativos, causavam ainda mais frustração e descontentamento. Todo esse contexto, fez com que alguns colonos se reunissem de maneira secreta em Vila Rica, para prepararem uma insurreição e também para conspirar contra o governo português.

Neste grupo, destacavam-se os alguns padres, poetas coronéis, tenente-coronel e talvez o mais importante deles, Joaquim Silvério dos Reis, popularmente conhecido como Tiradentes, grande responsável por divulgar ao povo este movimento.

Os rebeldes tomavam como modelo a constituição dos Estados Unidos e estavam reivindicando um governo republicano. Mas, vale ressaltar que nada ficou resolvido quanto ao movimento escravista e o movimento não conseguiu um apoio realmente efetivo da sociedade, apenas conseguiu manifestações de simpatia.

A ameaça de mais um confronto em Vila Rica acabou por acelerar o início de uma nova revolta. Os líderes da Conjuração Mineira decidiram por prender o visconde de Barbacena, novo governador dessa região, quando as cobranças se iniciassem. Além disso, Tiradentes teria de ir para o Rio de Janeiro para conseguir mais apoio, munições e armas para o movimento.

Mas, ao contrário do que se pensa, a rebelião não aconteceu, já que antes de seu início foi denunciada por alguns de seus participantes, uma forma de troca para abolir suas dívidas pessoais. Os conspiradores então, acabaram presos pelo visconde de Barbacena, que aguardaram o julgamento durante três anos.

Somente Tiradentes assumiu a responsabilidade por essa conspiração e por isso foi condenado à morte. Ele foi esquartejado e as partes do seu corpo foram distribuídos pelas cidades onde havia buscado apoio. Sua cabeça foi exposta em praça pública em Vila Rica, com o objetivo de evitar a eclosão de novas rebeliões. Somente no período republicano que Tiradentes foi transformado em herói.

Em 1798 aconteceu a conjuração baiana, um movimento de caráter extremamente popular, que contou com o apoio de escravos, soldados, ex-escravos, sapateiros e vários alfaiates, motivo pelo qual este movimento também ficou conhecido como Rebelião dos Alfaiates, além de advogados, médicos e padres.

Em 1763, a capital do Brasil foi transferida para a cidade do Rio de Janeiro, o que acabou acarretando dificuldades na economia de Salvador, onde uma população miserável vivia, sobrecarregada por tributos e sob forte domínio da exploração metropolitana.

A população mais pobre de Salvador, juntamente com membros da elite baiana começaram a organizar encontros secretos, para prepararem conspirações contra as autoridades lusas. Em agosto do ano de 1798, foi proclamada o início da rebelião. Esse confrontou acabou com muitos de seus envolvidos presos.

Já no ano de 1817, uma nova rebelião colonial se iniciou na capitania de Pernambuco. A população estava revoltada com o aumento de tributos, que aconteceu em 1808, por causa da transferência da corte portuguesa para o Brasil. A Revolução Pernambucana foi uma das últimas rebeliões antes da independência do Brasil.

O período Joanino e a Independência

Apesar de terem sido derrotadas, as rebeliões separatistas mostravam a opressão da metrópole sobre a colônia, a insatisfação com a exploração e ainda a impossibilidade de sustentação de um sistema colonial em território brasileiro. As guerras napoleônicas e a Revolução Francesa acabaram obrigando que a família real se mudasse para o Brasil, fato que acabou acelerando o processo de independência da colônia portuguesa na América.
Em 1806, iniciou-se o bloqueio continental, que proibia o comércio entre os países europeus. Mas, D. João, príncipe regente de Portugal não acatou essa imposição. Dessa maneira, Napoleão determinou a invasão de Portugal, o desmembramento do reino e de suas colônias e a derrubada do governo. No ano seguinte, a família real, juntamente com 15 mil pessoas, deixou Portugal e levaram tudo o que podiam.