Resumo do Coronelismo


O coronelismo foi um sistema adotado em território brasileiro entre o final do século XIX e início do século XX. O sistema foi adotado em um período de país republicano, e o nome foi assim adotado principalmente pelo fato de que a política e economia era controlada pelos ricos fazendeiros, chamados também de coronéis.

O período foi uma experiência bem marcante nos primeiros anos de república no país, envolvendo aspectos tanto políticos e econômicos como também mexendo com a própria estrutura social e cultural do país.

A sociedade era agora regida pelo domínio dos coronéis, que por sua vez, controlavam não só as suas terras como também os eleitores, que se viam obrigados a votarem nos candidatos que lhes eram impostos. Nesse momento do coronelismo, o prestígio desse senhor só era válido conforme o número de votos que lhe foi atribuído.

Coronelismo

A fase do coronelismo foi dividida em quatro etapas, sendo que cada uma delas teve grande importância para o sustento do coronelismo. Sendo assim, confira quais foram essas quatro principais características desse período tão demarcado na história dos primórdios políticos do Brasil.

• O Voto de Cabresto

Durante a República Velha, o voto era totalmente manipulável. Era frágil e facilmente os senhores de poder, como os coronéis por exemplo, conseguiam fazer com que eles fossem voltados para o seu próprio interesse. Com um sistema eleitoral falho, os coronéis conseguiam comprar os votos para os candidatos políticos de sua preferência, ou por vezes, chegavam a trocá-los por simples bens materiais, como alimentos, par de chinelos e/ou sapatos, óculos e outros itens básicos.

O voto era aberto, ou seja, todos sabiam em quem eu ou você estávamos votando. Dessa forma, não tinha como burlar o sistema: os coronéis compravam os votos e depois mandavam os seus capangas para o ambiente onde era realizada a votação. Dessa forma, os eleitores se sentiam pressionados e simplesmente mantinham o acordo, e nesse caso, as forças políticas que tinham o apoio dos coronéis ganhavam mais votos.

Essas regiões que tinham o controle político por parte dos coronéis eram chamadas de “currais eleitorais” durante a época.

• Fraude eleitoral

Já a fraude eleitoral consiste no período em que os coronéis alteravam os votos com o intuito de garantir resultados positivos para os seus próprios interesses políticos e financeiros. O sistema eleitoral era tão frágil que muitas foram as notícias de furtos de urnas, ou até mesmo, a prática de votos que apareciam do nada, sendo estes chamados de “votos fantasmas”.

Os votos fantasma, por sua vez, eram praticados por indivíduos que ganhavam um documento falsificado para votar inúmeras e inúmeras vezes, cada uma delas com um nome diferente. Além disso, alguns conseguiam até mesmo usar o nome de indivíduos da família ou amigos já falecidos para concentrar mais votos para um determinado político.

• Política do café com leite

O período da política do café com leite foi aquele que deu o seu início juntamente com o século XX, em que os estados de Minas Gerais e São Paulo eram os de maior domínio e riqueza de todo o Brasil.

Por um lado, o estado de São Paulo garantia grande parte do seu lucro por meio do cultivo e da exportação do café, enquanto Minas Gerais arrecadava grande parte do seu lucro por meio da produção de leite e de seus demais derivados, como queijo, iogurte e outros.

Dessa forma, os políticos de ambos os estados criaram um acordo para que fossem eles os responsáveis pelo domínio central do país. Dessa forma, a cada eleição, os candidatos e vencedores eram unicamente mineiros e paulistas.

Vale lembrar que em 1930 houve um grande conflito entre Minas e São Paulo, o que acarretou em grande insatisfação por parte de toda a população brasileira, impulsionada principalmente pela Aliança Liberal, um partido de oposição criado no Rio Grande do Sul com a liderança de Getúlio Vargas. No mesmo ano, os militares tiraram os mineiros e paulistas do poder e Getúlio logo o assumiu.

• Política dos Governadores

Nesse momento do coronelismo, o presidente da República do Brasil fazia alguns acordos políticos e econômicos com os governadores de cada um dos estados brasileiros. A base desses acordos era a própria troca de favores, o que tornava a prática política mais saudável, tranquila e amigável ao mesmo tempo.

Os governadores dos estados não tinham qualquer tipo de oposição contra o Governo Federal, e é claro que esse apoio tinha um determinado preço: verbas eram destinadas do país para os estados que mais convinham com seus ideais políticos.

Quem criou esse modelo foi o presidente Campos Sales, que dominou a República entre os anos de 1898 e 1902, fortalecendo de forma cada vez mais agressiva o poder dos coronéis em cada estado brasileiro.

O fim do coronelismo

O coronelismo só chegou ao fim quando o presidente Getúlio Vargas assumiu o poder, após o golpe de 1930. O coronelismo perdeu toda a sua força e imediatamente parou de existir em vários estados brasileiros.