Resumo do Governo Collor


Governo Fernando Collor de Mello foi marcado pelos caras-pintadas

Fernando Collor de Mello foi o primeiro presidente eleito em uma eleição direta no Brasil, quase trinta anos após o último processo eleitoral feito em regime democrático em nosso país. Essa eleição, que aconteceu em 1989 e que marcava a volta dos brasileiros às urnas escolheria quem assumiria o posto do então presidente José Sarney. Essa importância histórica faz com que seja necessário um resumo sobre o governo Collor.

Naquela época os candidatos que concorreram ao lado de Fernando Collor de Mello (PRN) foram: Mario Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS), Ulisses Guimarães (PMDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Roberto Freire (PCB).

Governo Collor

A campanha eleitoral de Collor, em 1989, é até hoje considerada por muitos estudiosos como demagoga e exibicionista, onde ele normalmente aparecia se posicionando de maneira totalmente contra a corrupção e defendendo uma igualdade social entre a classe trabalhadora e seus patrões. Esse posicionamento acabou lhe rendendo o apelido de “caçador de marajás”.

Segundo Turno

Um fato relevante sobre o governo Collor é o de que naquelas eleições ele foi para o segundo turno ao lado do então candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, operário que representava a esquerda política, contando com o apoio de movimentos sociais e sindicais.

Já Fernando Collor de Melo pertencia e uma família com tradição na política do estado de Alagoas e foi apoiado pelos conservadores, que tinham o interesse em valorizar as grandes indústrias e banqueiros.

Durante o segundo turno, a campanha de Collor foi ainda mais pesada e ele conseguiu a imagem de candidato dos mais pobres, ou “descamisados”, termos que a sua campanha utilizou à exaustão. Collor também investiu pesado ao ataque contra Lula, conseguindo proporcionar a sensação de medo em grande parcela da população sobre como ficaria o país se Lula ganhasse.

A estratégia deu certo e Collor venceu Lula com um número de 35 milhões de votos, contra 30 milhões de votos que foram recebidos pelo candidato do PT.

Governo Collor

Uma vez no poder, Collor então iniciou o seu chamado Plano de Reconstrução Nacional por meio de sua então ministra da fazenda, Zélia Cardoso de Mello. Essas medidas que também eram chamadas de Plano Collor tratavam-se de ações consideradas por muitos como radicais, mas que eram tomadas com o objetivo de acabar com uma crise de hiperinflação que o Brasil passava na época.

Foi então que essas soluções drásticas começaram a refletir diretamente na população, quando houve um congelamento de salários e preços, além do confisco de depósitos bancários, por cerca de um ano e meio, período em que o governo conseguiu controlar a inflação.

Porém, também devemos saber no nosso resumo do governo Collor, que essas medidas não foram suficientes para impedir um período de forte recessão, além de ocasionar uma piora no quadro da crise econômica brasileira na época.

Desde então, o candidato passou a perder a sua popularidade e consequentemente os seus apoios políticos.

Além disso Collor de Mello e sua então esposa Rosane Collor também precisaram responder à diversas denúncias de desvio de verba pública. A situação foi tão grave, que até o irmão de Fernando Collor de Mello, Pedro Collor denunciou o então presidente por um esquema de corrupção que tinha como responsável o tesoureiro do então governo, Paulo César Farias.

Após uma CPI, as relações políticas de Fernando Collor de Mello e PC Farias foram consideradas suspeitas, então instalou-se um processo de impeachment do então presidente do Brasil.

Durante esse período houve uma grande participação popular que apoiava a retirada de Fernando Collor de Mello do poder. Uma das maiores provas disso foram os estudantes chamados e reconhecidos até hoje como caras-pintadas, que iam para as ruas protestar usando as cores de nosso país em seus rostos.

Inicia-se então o último capítulo do nosso resumo sobre o governo Collor. Nesta época, Fernando Collor de Mello estava totalmente sozinho na política e não contava com o apoio de nenhuma bancada.

O então presidente também era alvo de uma intensa manifestação popular que tomava uma proporção muito grande quando em 29 de setembro de 1992, o seu impeachment foi aprovado pelo Congresso Nacional. Fato histórico, já que esse foi o nosso primeiro presidente eleito de maneira democrática foi afastado também da mesma forma e não por meios como golpes, por exemplo.

Porém, em uma manobra para evitar o seu impeachment de fato, Fernando Collor de Mello renunciou ao seu lugar na presidência do Brasil.