Vanguarda Popular Revolucionária


A Vanguarda Popular Revolucionária foi uma organização esquerdista realizada no período da Ditadura Militar no território brasileiro. Neste artigo, você irá conferir maiores informações sobre o contexto histórico, social, e principais características deste movimento.

Vanguarda Popular Revolucionária

O que levou à Vanguarda Popular Revolucionária?

Depois do Golpe instaurado em 1964 pelos militares em todo o Brasil, muitos foram os grupos contra esse ato que se formaram na nação.

As organizações formadas neste momento eram o registro da esquerda política brasileira, que tinham como principal ideal o combate ao modelo de governo implantado pelos militares.

Entre as ‘ações’ desses grupos podemos começar destacando protestos e contestações aos discursos dos membros do governo. Porém, não tardou para que atitudes mais extremistas passassem a ser tomadas, como é o caso de assaltos e sequestros aos políticos e demais membros de entidades que demonstrassem serem a favor do sistema governamental imposto.

Neste contexto histórico, cabe destacar que a primeira – e uma das mais importantes – organização esquerdista surgiu antes ainda do Golpe Militar, ou seja, no começo da década de 1960. Ela era intitulada como ‘Organização Revolucionário Marxista – Política Operária’ (POLOP) e tinha ideais típicos da esquerda, porém, com certos diferenciais que o distanciava até mesmo do PCB – Partido Comunista Brasileiro.

Essa organização foi criada especificadamente no ano de 1961 e tinha como principal objetivo lutar pelo direito dos trabalhadores brasileiros. Porém, dentro dela, muitas eram as dissidências que fizeram com que pequenos grupos internos começassem a ser formados. Neste sentido, outros grupos revolucionários de esquerda derivaram deste movimento, como é o caso do COLINA (Comando de Libertação Nacional) e o VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), ao que dedicamos este artigo.

Principais características da Vanguarda Popular Revolucionária

A Vanguarda Popular Revolucionária surgiu no ano de 1966, sendo ela criada por participantes do antigo POLOP com ideais diferenciados em comum. Sua maior intenção era a de instaurar em território brasileiro um governo nos moldes soviéticos.

No leque de atividades praticadas pelo grupo podemos destacar verdadeiras ações práticas de terrorismo e de guerrilha urbana, já que derrubar um governo forte como os dos militares, segundo eles, exigia esse tipo de atitude. O modelo político da Vanguarda Popular Revolucionária seguia os ideais marxista-leninistas (um tanto ao “pé da letra”), o que levava ao objetivo de uma política socialista.

Entre as principais ações realizadas pela Vanguarda Popular Revolucionária podemos destacar:

  • Organização de assaltos em massa;
  • Roubos de bancos que eram a favor da Ditadura Militar;
  • Treinamento de guerrilheiros para preparo dos mesmos no caso de uma revolta armada com os militares.

Em julho de 1969, ou seja, três anos após o surgimento do grupo, alguns integrantes do mesmo se uniram aos do Comando de Libertação Nacional (COLINA) para permitir o surgimento do VAR-Palmares.

O VAR-Palmares, por sua vez, foi uma organização de militantes radicais esquerdistas que, durante a época da Ditadura Militar, contou inclusive com a participação da atual presidente do país, Dilma Rousseff. Para ter uma ideia, o grupo chegou a organizar um campo próprio para treinamento terrorista e de guerrilha no ano de 1970 na região do Vale do Ribeira.

Ainda em 1969, mais especificadamente no mês de setembro, um conglomerado de militantes esquerdistas e integrantes do VAR-Palmares decidiram abrir mão dos ideais deste movimento, reorganizando a Vanguarda Popular Revolucionária mais uma vez.

Com o retorno da VPR, a promoção de roubos a bancos (para financiamento de uma possível guerrilha contra a instauração do regime militar) voltaram a acontecer, assim como assaltos armados.

Por outro lado, o grupo mantinha certo receio em tornar público para a sociedade brasileira os malefícios ocasionados pela Ditadura Militar. Um dos grandes motivos para isso é o fato de que, nesta época, o Brasil enfrentava a fase do ‘Milagre Econômico’, em que o governo conseguiu esconder suas artimanhas – justificando-as pelo crescimento em grande escala da economia brasileira (o que agradava principalmente as classes média-alta).

Um dos principais e mais radicais atos cometidos pelo movimento Vanguarda Popular Revolucionária foi o sequestro do então embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher e o cônsul japonês Nobuo Okuchi, quando ambos estavam em visita à São Paulo.

A Vanguarda Popular Revolucionária chegou ao fim após total repressão pelo então sistema militar. De modo gradativo, os seus membros passaram a ser capturados, além de presos e até mesmo torturados pelos membros da ditadura militar do país.

No ano de 1971, um militar decidiu se infiltrar no grupo, o Cabo Anselmo. Ele foi o responsável por denunciar o paradeiro do então comandante da Vanguarda, na época, José Raimundo da Costa. Imediatamente ele foi preso e, posteriormente, morto como prisioneiro (o que era muito comum na época). Depois desse fato, a própria VPR decidiu pelo fim do grupo, uma vez que ele já estava enfraquecido o suficiente – o que dificultava a sua continuidade.

Hoje a Vanguarda Popular Revolucionária é totalmente extinta e não mantém nenhum tipo de movimento sucessor.