A Era Clinton


No começo da década de 90, as oscilações do Governo Bush fizeram com que a confiabilidade dos norte-americanos neste modelo político já não fosse mais a mesma. A diminuição da confiança em George Bush se deu, essencialmente, por conta de dois grandes motivos:

A Era Clinton

1. O grande ‘tombo’ do bloco ligado ao socialismo no país e os ataques (com sucesso) realizados na Guerra do Golfo;

2. O aumento constante das taxas de desemprego no país, o que chegou ao ponto de retrair os processos de produção e exportação em território norte-americano.

Aliados esses dois aspectos mais expressivos com outros pequenos ‘deslizes’ do Governo Bush, não tardou para que mantê-lo no poder se tornasse uma tarefa praticamente impossível.

E foi principalmente pela queda de popularidade de George Bush, que já não conseguiria mais assumir a presidência da República norte-americana com a reeleição, que Bill Clinton aproveitou a oportunidade para trazer, pela primeira vez, um modelo de governo democrata para o país.

O início da Era Clinton

O governo de Clinton foi marcado principalmente, em seus primeiros anos, por uma série de avanços nos Estados Unidos.

A diminuição expressiva dos gastos – tanto públicos quanto militares – fez com que Clinton conseguisse conquistar a atenção, e principalmente, a aceitação da população norte-americana.

Entre os principais efeitos proporcionados pelo seu governo podemos destacar o resgate dos Estados Unidos no cenário da competitividade internacional (principalmente por meio de suas fábricas e indústrias de grande porte) e o desenvolvimento socioeconômico gradativo do país.

Sendo assim, parece que a década de 80, marcada por altos e baixos de sentido econômico para o território norte-americano, finalmente estava deixando os seus efeitos negativos no passado.

A recuperação da economia proporcionada pela Era Clinton superou não só as expectativas do povo, como também, as mais positivas projeções realizadas por profissionais da área financeira. Com o primeiro mandato de Clinton finalizado, o PIB do país já ultrapassava o de nações como o Japão e Alemanha somados. Realmente surpreendente. Entre os principais feitos da Era Clinton, podemos destacar:

  • Clinton auxiliou nas negociações que possibilitaram o desenvolvimento do acordo Nafta (entre México e Canadá). Além disso, também facilitou para que a China finalmente entrasse na OMC – Organização Mundial do Comércio;
  • Entrada do território norte-americano ao comércio internacional e total incorporação ao processo de globalização;
  • Criação de uma lei que aumentou os ‘bonds’ do Tesouro norte-americano por um lado, e diminuiu os índices de juros praticados no país por outro;
  • Auxílio na expansão de empresas de grande porte e multinacionais, tornando-as internacionais.

E com o PIB nas alturas, emprego para todos, estabilidade econômica para a população e níveis socioeconômicos cada vez mais altos, obviamente Clinton estava no auge de sua popularidade – o que permitiu que a reeleição presidencial viesse com total facilidade, em 1996.

Assim como ocorre toda vez que um presidente é reeleito, as expectativas da população norte-americana em relação ao Governo Clinton eram altíssimas. Mas, não é só de vitórias que a Era Clinton ficou marcada, uma vez que períodos bem turbulentos estavam prestes a se iniciar junto com a reeleição.

A queda da Era Clinton

Com o desenvolvimento da economia do país (marcado principalmente pelos avanços dos processos de produção e exportação), os Estados Unidos assumiram, novamente, o topo do que podemos chamar de ‘capitalismo mundial’. E o que não se esperava disso, mas acabou acontecendo, foi uma forte concentração de renda.

Sendo assim, mesmo que a geração de renda fosse alta em território norte-americano, grande parte dela ainda estava concentrada no mesmo lugar. É aquela velha premissa de que “o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre”.

Em 1998, dois anos após a reeleição, estima-se que a população dos Estados Unidos era formada por bilionários até 10x mais ricos do que eram em 1980. No outro ano (1999), esse número era ainda mais alarmante: os 400 indivíduos mais ricos do país somavam renda total de mais de um trilhão de dólares.

Paralelamente a isso, uma crise internacional econômica começava a se instaurar. Com um déficit de cerca de 170 bilhões de dólares norte-americanos, os Estados Unidos começam a se complicar financeiramente para pagar suas contas.

Em 2000, antes de completar o seu segundo mandato, Bill Clinton foi alvo de um processo de impeachment. O motivo foi, sem sombra de dúvidas, o mais surpreendente: um escândalo sexual que ganhou proporções mundiais após ser tornado público pela vítima, a ex-estagiária de gabinete Mônica Lewinsky.

Após uma série de confusões, a tentativa do Partido Democrata (partido de Clinton) foi de abafar o caso mantendo-se no poder por meio do candidato Al Gore. Mas, a população norte-americana preferiu, mesmo depois de uma das mais polêmicas e intensas apurações de votos de todos os tempos, fazer com que George Bush retornasse ao cargo político máximo da Casa Branca.