Atenas e Esparta


Muitas pessoas acreditam que a Grécia Antiga era um país típico, com unidade nacional e cultura praticamente homogênea. Mas basta olhar para as duas principais cidades-estados, Atenas e Esparta, para ver o equívoco nessa ideia. Elas possuíam semelhanças em muitos aspectos culturais, porém eram constituídas de dois povos muito diferentes. Cada uma possuía um modo de governo, uma maneira de entender a política e uma divisão própria da sociedade. Além disso, as cidades-estados se consideravam rivais. Atenas e Esparta brigavam pela suprema liderança da civilização grega.

Atenas e Esparta

No período homérico, entre XII e o VIII a.C., sugiram os primeiros grupos familiares na região, todos eles ligados por um ancestral comum. Eram chamados de genos. Cada família era liderada por um patriarca, que detinha o poder econômico, político, jurídico e religioso. A princípio, a região onde viviam era dividida entre todas as famílias, sem um proprietário específico.

Mas com o passar do tempo, muitos gregos começaram a reivindicar partes maiores de terra e poder, alegando uma proximidade sanguínea com o patriarca. Alguns estudiosos afirmam que a propriedade privada e as divisões de classe surgiram nesse período.

Entre os séculos VIII e VI a.C. inicia-se o Período Arcaico, no qual os genos começam a se unir visando defender seus interesses. Da união surgiram tribos chamadas fratrias, e, em consequência dos sucessivos agrupamentos, surgiu a pólis. As cidades-estado então começavam a ganhar forma. Entre as mais conhecidas estão:

  • Atenas
  • Esparta
  • Corinto
  • Mileto
  • Tebas

A expansão econômica e cultural passa a ser um dos focos dos gregos antigos. Mas duas cidades-estado começavam a se destacar perante as outras: Atenas e Esparta. Ambas tinham uma cultura bastante particular, que fez delas referências ao mundo ocidental até os dias de hoje. Leia abaixo um resumo de cada cidade-estado e compare as diferenças entre elas.

Aspectos culturais de Atenas

Atenas atingiu seu auge no período clássico da Grécia Antiga, entre 508 e 322 a.C. A influência de Atenas é visível até nos dias de hoje. Toda a cultura civilizacional que passou a ser chamada de “ocidental” teve origem nessa importante cidade-estado. Nessa época Atenas era um centro cultural, artístico, filosófico e estudantil.

Berço da democracia e da filosofia, ela se diferenciava de Esparta em muitos aspectos, principalmente na forma em que se organizava socialmente. Os atenienses priorizavam o equilíbrio entre o corpo e a mente. Praticavam esportes e faziam debates públicos sobre assuntos que julgavam importantes.

Atenas tinha como força econômica o comércio, principalmente o marítimo. Seu terreno era bastante acidentado, o que não favorecia o cultivo de muitos alimentos. Por isso, os atenienses costumavam utilizar sua terra para o plantio de grãos. As limitações geográficas favoreceram o desenvolvimento de outras economias.

Sua política possuía uma estrutura de alta participação. Embora seja conhecida como a criadora da democracia, no período antigo apenas um quinto dos atenienses possuíam direitos políticos, ou seja, só 20% podiam participar ativamente da política. Além disso, apenas homens podiam participar, pois as mulheres só deviam se dedicar aos assuntos domésticos. A educação também era um privilégio de poucos. Quem queria estudar precisava contratar professores particulares.

O sistema democrático ateniense foi implantado em 508 a.C., pelo governante Clístenes. Esse modo de organização política mostrou-se bastante estável, tendo funcionado por cerca de 180 anos quase ininterruptamente.

Durante o governo de Péricles (495/492 a.C. – 429 a.C.) Atenas atingiu o apogeu, período que é conhecido como a “Era de Ouro de Atenas”. A cidade-estado enriqueceu muito com o fim das Guerras Persas (também conhecida como Guerras Médicas). Atenas havia liderado a Liga de Delfos, formada por cidades gregas que queriam derrotar os persas. Elas pagam impostos à Liga, o que acabou colaborando para o crescimento de Atenas após o término das guerras. Sob o comando de Péricles, Atenas se transformou em um império marítimo e comercial.

Aspectos culturais de Esparta

Esparta era uma cidade conhecida por sua visão militarista do estado, da nação e dos próprios cidadãos. Desde pequenos, os espartanos eram treinados para o combate. O foco da cidade-estado era na formação de guerreiros, um estilo de vida herdado dos guerreiros dóricos.

O status e a importância política e militar variavam entre as divisões sociais. No topo da pirâmide havia os espartanos, que eram descendentes diretos dos Dórios. Eram os únicos que possuíam poderes políticos. Abaixo deles estavam os periecos. Esse grupo se dedicava às atividades de artesanato e comércio. Na base da pirâmide estavam os hilotas, que eram, basicamente, escravos de guerra.

De certo modo, Atenas e Esparta dedicavam-se à educação, mas os espartanos focavam apenas nos estudos úteis a um soldado. A economia da região era em sua maior parte agrícola, muito por causa do terreno fértil no qual a cidade-estado se encontrava.

O poder em Esparta era da aristocracia, que governava sob um sistema diárquico. Nesse modo de governo o estado possui duas lideranças, uma para assuntos militares e outra para assuntos religiosos. Além disso, havia duas assembleias que discutiam as leis da cidade. Ao contrário de Atenas, as mulheres podiam participar ativamente dos debates políticos.