Império Chinês


Os primeiros europeus a terem contanto mais estreitos com a China foram os portugueses. Com as Grandes Navegações, os lusitanos chegaram até o oriente e, na China, conseguiram permissão para atuar comercialmente em alguns portos. No entanto, o governo chinês impunha grandes restrições ao que poderia ser comercializado dentro do império. A partir do século XVIII, os ingleses começaram a ficar cada vez mais descontentes com o fechamento do mercado chinês, já que acabavam comprando diversos produtos chineses, como chá, seda e porcelana, sem vender nada a eles.

No século XIX, comerciantes ingleses passaram a comercializar ópio, uma droga que na época era produzida na Índia, na China, que teve grande aceitação entre a população e, principalmente, dentro da elite. Ao tentar proibir o comércio deste produto dentro do império, os chineses entraram em uma guerra com a Inglaterra, na qual a derrota lhes custou a entrega do porto de Hong Kong e a abertura de outros tantos aos produtos ingleses.

Chinês

A ação imperialista dos europeus desestabilizou o regime imperial na China, gerando grandes crises políticas entre o final do século XIX e o imediato pós Segunda Guerra Mundial. Além dos europeus, os japoneses também atacaram a China, conquistando-lhe primeiramente, a região da Manchúria e durante a Segunda Guerra quase dois terços de seu território.

Com a fragilização do regime imperial chinês, surgiram no país dois grupos oposicionistas: o Kuomintang (Partido Nacionalista) e o PCC (Partido Comunista Chinês). Com a derrota do Japão pelos aliados na Segunda Guerra Mundial e sua consequente retirada, na China acentuou-se a disputa armada entre o Kuomintang, liderado por Chiang Kai-shek e o PCC, liderado por Mao Tse-Tung.

No ano de 1949, o PCC conquistou de maneira definitiva o poder, no que ficou conhecido como a Revolução Chinesa. Era fundada a República Popular da China, com regime republicano de orientação socialista, tendo como modelo inicial a União Soviética. Os nacionalistas do Kuomintang se refugiaram na ilha de Formosa, onde fundaram a China Nacionalista, conhecida como Taiwan.

As Comunas Populares

De início, o governo chinês montou uma estrutura econômica e política, aos moldes da URSS. O poder ficou nas mãos do PCC, único partido permitido. Toda a economia passou a ser dirigida pelo Estado. A agricultura passou a funcionar pelo sistema das cooperativas, que reuniam entre 100 e 200 famílias em fazendas nas quais trabalhavam a terra e entregavam parte da colheita ao estado. O setor industrial, principalmente as indústrias de base, ganhou especial atenção do governo que via a necessidade de industrializar o país.

O desenvolvimento industrial dependia diretamente do crescimento da produção agrícola, já que o dinheiro a ser investido na indústria sairia exatamente dos excedentes vindos do campo. Desta forma, no final da década de 50, Mao implementou um plano para ampliar a produção agrícola: as Comunas Populares.

Reuniram-se várias cooperativas em cada uma das comunas, nas quais se aboliu qualquer distinção ou hierarquia entre os camponeses, fossem elas de idade, gênero, habilidade ou ocupação. O sonho da igualdade total que prometia dar origem a camponeses livres das velhas tradições, prontos para o trabalho em favor do coletivo, se transformou no pesadelo da desestruturação quase que completa da produção agrícola chinesa. Durante alguns anos, a fome se espalhou pela China, morreram mais de 20 milhões de pessoas.

A década de 70

Desgastado com a ideia das Comunas Populares, Mao se rebelou contra a burocracia do partido. O líder chinês colocou a culpa da decadência econômica na permanência de tradições conservadoras entre os dirigentes, professores e funcionários públicos mais velhos. A solução seria obriga-los a abandonar suas tradições. Foi o que se tentou na Revolução Cultural, realizada por milhões de jovens liderados por Mao.

A década de 70, marca uma grande mudança na política chinesa. O enfraquecimento de Mao e seus seguidores abriu uma brecha no governo para a subida de Deng Xiaoping. Apesar de ter participado do processo revolucionário, Xiaoping estava afastado do poder por suas discordâncias em relação às Comunas Populares e à Revolução Cultural.

As mudanças impostas pelo novo governo puseram fim ao processo da Revolução Cultura e, a partir de 1970, deram origem ao sistema econômico que a China tem hoje: um socialismo de mercado. Foi restabelecida a produção familiar no campo, os investimentos governamentais passaram a se concentrar mais nas indústrias bélicas, químicas e de alta tecnologia. Além disso, foram criadas as Zonas Econômicas Especiais, a ZEE.

Nas ZEEs é permitida a instalação de fábricas privadas, inclusive multinacionais. Elas funcionam como enclaves capitalistas em meio a um mar de socialismo real. Têm como atrativo para as indústrias, a mão de obra numerosa e muito barata.

Com estas medidas, há anos a China é a economia que mais cresce no mundo, cerca de 10% ao ano. No entanto, a grande maioria de sua população ainda vive no campo em péssimas condições e existem denúncias de trabalho infantil e semi-escravo nas cidades.