Intifada


A intifada é uma importante parte da relação entre palestinos e israelenses na história moderna, sua relevância nos ajuda a entender os motivos que levam às crises na região da Cisjordânia entre esses dois povos, causando mortes e uma guerra que já dura 30 anos e ainda não mostra sinais de que está próxima do fim.

Em uma tradução literal, intifada significa levante, sendo o termo utilizado para a insurreição que os palestinos tiveram para com Israel ao longo da história moderna. No total, já houveram duas intifadas movidas pelos palestinos. O termo, por ter várias formas de interpretação na língua árabe, já foi utilizado também em outras ocasiões de levantes de um povo contra outros países, tais como o Iraque, no Marrocos e na Síria.

Intifada

Para entender a intifada, é preciso conhecer um pouco da história moderna e da relação entre Palestina e Israel.

A crise entre Palestina e Israel

Historicamente, existe um problema territorial que leva a uma série de problemas políticos entre palestinos e israelenses. Próximo à região de Jerusalém, na faixa de Gaza e na Cisjordânia, existe um território sem uma pátria propriamente dita. Esse pedaço de terra é ocupado pelos palestinos, que são uma cultura específica e, portanto, têm direito a um pedaço de terra. O grande problema é que Israel também reivindica esse espaço geográfico dizendo que, se os palestinos querem viver ali, precisam se sujeitar às suas leis.

Por serem culturas religiosas diferentes – de um lado os muçulmanos e do outro os judeus – acaba-se gerando vários problemas muito específicos sobre a soberania de cada nação, o seu direito de expressar sua religião e o direito de ir e vir. Desde que a região havia se formado, nos anos 60, os palestinos viviam sobre as leis israelenses, obedecendo e sendo tratados como “inquilinos” nessas terras.

Após muito tempo de submissão, nos anos 80 os palestinos passaram a querer reivindicar seus direitos como povo, querendo fazer da faixa de Gaza seu próprio território, com leis próprias e soberania independente. A partir disso, Israel tornou a relação cada vez mais difícil, tentando controlar as liberdades palestinas, o que culminou em um movimento popular que, em 9 de dezembro de 1987, levou a população palestina a atacar os militares israelitas com pau e pedra. Este momento é historicamente conhecido como a 1ª intifada, ou a guerra das pedras.

Treze anos depois, em 29 de setembro de 2000, havia negociações sobre um possível termo de paz na região, quando o líder israelense Ariel Sharon propôs termos de pacificação para o líder palestino Yasser Arafat. O líder palestino recusou os termos e as consequências foram um novo levante popular palestino, que levou a uma crise violenta que piorou ainda mais a situação na região, dando origem à 2ª intifada.

A história contemporânea e as intifadas

Após anos em um impasse político que não aponta sinais de melhora, pequenos movimentos de insatisfação popular começaram a surgir na palestina, elevando novos grupos extremistas que reivindicam sua soberania e pretendem derrubar o governo de Israel na região. Esses extremistas xiitas deram origem ao Hamas, grupo preparado e pronto para atacar israelitas na região, trazendo a iminência de uma terceira intifada.

Enquanto os palestinos se preparam para esse estado de levante, Israel pouco faz para evitar a discussão. Com os Estados Unidos como aliados, eles elegeram um governo de extrema-direita, com vários ministros de posição contrária a um estado palestino, o que contribui para fortalecer grupos extremistas de combate militar dos dois lados.

Um grande problema para a resolução política desses conflitos é o território em questão. A Faixa de Gaza é uma área com grande quantidade de petróleo, sendo que os donos dessas terras podem abastecer nações e se tornarem politicamente relevante para o quadro mundial. Embora nenhum dos lados assuma que essa é uma justificativa, a verdade é que o petróleo da região pode contribuir com o desenvolvimento de uma possível nação.

Outro ponto importante é o fato de a Faixa de Gaza ficar próxima a Jerusalém, uma cidade santa tanto para Muçulmanos quanto para Judeus e que, portanto, acaba sendo um território que as duas nações gostariam de reivindicar como seu. Na iminência de uma 3ª intifada palestina, o mundo observa a movimentação da região, mas pouco faz para evitar que ela aconteça.

Outras intifadas ao redor do mundo

Entre as outras intifadas que aconteceram no mundo, a mais famosa foi a dos clérigos xiitas contra a presença dos Estados Unidos no Iraque em 2003. Essa intifada trouxe graves consequências à política contemporânea, já que a insatisfação popular deu origem ao ISIS, o Estado Islâmico que agora se torna forte e cada vez mais difícil de derrubar.

Além dessa, o Marrocos e a Síria também já tiveram suas próprias intifadas, tornando o termo uma referência à revoltas populares no oriente médio.