O fim da URSS e de conflitos na CEI


O socialismo soviético entrou em crise a partir da década de 70 e acabou no final dos anos 80. A URSS começou a se formar com a Revolução Russa de 1917. Nesta época, os russos dominavam uma série de outros povos, constituindo assim o Império Russo, comandado pelo czar. A Revolução de 1917 colocou fim ao império e instaurou uma república socialista de partido único na Rússia.

A exemplo de outros impérios da época (o Otomano e o Austro-Húngaro, principalmente) o Império Russo passava por uma crise de legitimidade. Os povos dominados pelo poder do czar contestavam sua submissão ao império, exigindo a independência. A Guerra Civil que se seguiu à Revolução de 1917 foi um marco da luta destes povos.

Porém, se a Revolução Russa trouxe transformações à política interna da Rússia, no campo externo, referente aos povos até então dominados, as coisas não mudaram tanto assim. Após a vitória do Exército Vermelho na Guerra Civil estes povos foram incorporados à URSS, ganhando o status de repúblicas. Teoricamente estas repúblicas deveriam ter grande autonomia, mas na prática continuaram dominadas pelo poder russo.

O fim da URSS e de conflitos na CEI

Após as agitações do período entre guerras, a URSS, em 1945, passou a ser formada por 15 repúblicas, com características culturais e religiosas bastante distintas. Esta diversidade existia também dentro de cada uma das repúblicas, podendo-se identificar cerca de 120 nacionalidades diferentes em toda a URSS.

Procurando garantir o sucesso da Revolução Russa na maior parte do ex-Império Russo, a liderança da URSSS impôs seu regime aos povos das demais repúblicas. Para evitar que estes povos se rebelassem, foi armado um complexo sistema administrativo dividindo-os em Repúblicas Federadas, dentro das quais existiam as Repúblicas Autônomas e as Regiões Autônomas, sendo estas últimas as divisões administrativas menos importantes.

Através dessa divisão administrativa, os russos procuravam diminuir as tensões separatistas no território soviético. Porém, ela não foi suficiente para eliminar o risco de uma fragmentação total do país. Para tal, todo este esquema de administração territorial ganhou mais uma característica: a centralização do poder nas mãos de Moscou, capital soviética. Sendo assim, no fundo toda esta divisão em repúblicas e regiões autônomas, tinha como objetivo garantir o domínio dos russos sobre o restante dos povos, dando assim continuidade à situação vigente no Império Russo.

O governo de Stálin

Durante os anos de governo de Stálin, o autoritarismo chegou ao ápice e milhões de pessoas foram presas ou executadas por criticarem o regime. Também ocorreram nestes anos migrações forçadas de russos para a maioria das repúblicas federadas, na tentativa de misturas as populações, diminuindo as diversidades culturais que davam força aos movimentos separatistas. Este processo ficou conhecido como russificação.

Através da ação de controle efetuada pela burocracia, do autoritarismo e da russificação, os líderes soviéticos conseguiram manter artificialmente estabilizados os conflitos separatistas de seu território.

Com a decadência da economia soviética e a subida ao poder de Mikhail Gorbachev, com suas medidas liberalizantes toda a centralização e a estabilidade da URSS entraram em colapso. As medidas de Gorbachev, iniciadas em 1985, não deram o resultado esperado. Enquanto a Perestroika foi insuficiente para recuperar a economia, piorando a crise soviética, a Glasnot deu mais liberdade ao povo para sair às ruas e protestar. A agitação popular começou a crescer no país e acabou sendo um dos principais motivos para a tentativa de golpe que ocorreu em agosto de 1991, liderada por um grupo de militares favoráveis ao retorno da linha dura.

A tentativa de golpe foi frustrada devido ao fraco apoio que o grupo golpista tinha entre o restante dos militares, mas também pela força de mobilização que a população tinha adquirido. Gorbachev perdeu a pouco popularidade que tinha.

Esta postura de representantes das repúblicas tinha como argumento a necessidade de uma maior autonomia nacional. No entanto, o que estava por trás de tudo isso era o momento de decadência econômica que tomava conta da URSS.

O fim da URSS

Ao mesmo tempo em que decidiram pelo fim da URSS, os líderes das repúblicas assinaram o acordo de formação da Comunidade dos Estados Independentes, a CEI. Esta comunidade tem como objetivo manter o funcionamento da economia extremamente interdependente das ex-repúblicas soviéticas.

No entanto, o fim da URSS e a formação da CEI, não acabaram com os descontentamentos populares em relação à centralização do poder e ao não reconhecimento das diferenças de pequenos grupos. Neste contexto, o nacionalismo tomou conta de diversas áreas da CEI, iniciando os conflitos separatistas.

Podemos classificar estes conflitos em dois tipos diferentes, aqueles que ocorrem entre ex-repúblicas para a redefinição de fronteiras e aqueles internos a algumas repúblicas, nos quais minorias étnicas lutam por sua separação.

Como exemplo de conflitos entre ex repúblicas podemos destacar o que ocorre entre o Azerbaijão e a Armênia pela posse da região de Nagorno Karaback.