Paleontologia


A Paleontologia é uma ciência natural que estuda a vida do passado na terra no decorrer dos períodos geológicos. Um dos focos do estudo são os processos de integração na formação biológica dentro do registro histórico. O termo Paleontologia é a junção das palavras gregas “palaiós” (antigo), “óntos” (ser) e “logos” (estudo), que juntos significam “estudo dos seres antigos”. O profissional da área é chamado de paleontólogo, e é o responsável pelo exame de fósseis antigos para o estudo da vida animal e vegetal. O paleontólogo busca descobrir através dos vestígios as características do ser vivo, a idade que possuía quando morreu, as condições de vida e de morte do fóssil e os fatores exteriores que influenciaram na sua morte.

Paleontologia

Para realizar suas pesquisas, o paleontólogo utiliza diversas técnicas de precisão. Uma delas é o Carbono 14, que consegue estabelecer uma idade para o fóssil muito aproximada da verdadeira. A Paleontologia contribui para o estudo de diversas outras áreas, como a Sociologia, Arqueologia, História e a Biologia.

Muitas pessoas acreditam que o objetivo dessa ciência é estudar os fósseis, mas nem todos os elementos que ela analisa foram fossilizados. Na verdade, é possível estabelecer postulados científicos com elementos preservados de outras formas. Normalmente são encontrados vestígios zoológicos e biológicos, embora algumas vezes os paleontólogos se defrontem com fragmentos relacionados a outros seres vivos. Também é comum que o objeto de estudo seja evidências das atividades dos organismos, como pegadas de animais. Esses vestígios são chamados de icnofósseis.

A Paleontologia é uma das ciências que mais colabora para o entendimento do desenvolvimento das espécies. Ela também ajuda na compreensão a respeito da adaptação dos seres vivos ao longo dos milhões de anos e qual foram as relações deles com os seres humanos. Esse último ponto é melhor compreendido com auxilio da Arqueologia.

Primórdios da Paleontologia

George Cuvier, um grande pesquisador francês interessado em animais extintos, deu início à Paleontologia em 1812. Influenciado pelas mudanças nas ciências naturais advindas do Iluminismo, ele estabeleceu a anatomia comparada como disciplina científica. Mas muito antes de Cuvier pensadores já demonstraram interesse por espécies antigas. Já na Antiguidade Clássica, o filósofo grego Xenófanes (570 – 480 a.C) concluiu que determinado território estivera imerso em águas num passado distante. Ele chegou a essa conclusão depois de analisar fósseis de conchas do mar que encontrou em áreas de terra.

O século 19 foi um período em que o interesse pelo passado longínquo cresceu imensamente. Através do estudo dos fósseis, foi possível estabelecer uma escala de tempo geológica. O avanço dos estudos a respeito dos organismos ajudou os cientistas a perceberem uma ordem sucessiva no desenvolvimento da vida. Essa ideia colaborou para teorias importantes a respeito dos seres vivos, como é o caso da hipótese da transmutação das espécies. Charles Darwin foi um dos influenciados pelos novos estudos, e em 1859 lançou o famoso livro “A Origem das Espécies”, que buscava compreender um processo que ele chamava de “seleção natural”. A partir de Darwin, os paleontólogos tentaram descobrir os caminhos evolucionários que as espécies tomavam, em particular a humana.

A diferença entre Paleontologia e Arqueologia

Muitas pessoas, até mesmo estudantes, confundem as duas ciências. Mas a diferença é simples: o foco da Arqueologia é o estudo do desenvolvimento do homem, partindo das suas origens enquanto gênero Homo, e a Paleontologia se limitam às análises científicas de outras espécies.

Por causa de seu foco no homem, a Arqueologia é classificada como ciência humana – ou ciência social -, tendo como objetivo compreender a humanidade no geral e as sociedades no particular. No entanto, trata-se de uma ciência que possui uma abordagem interdisciplinar, que contribui para outras áreas, abordando as ciências naturais, biológicas, exatas e da terra.

Essa interdisciplinaridade da Arqueologia é exemplificada pela gama de objetos de estudo. Qualquer vestígio relacionado aos ser humano, de qualquer época, é um elemento para ser analisado. Veja alguns exemplos:

  • Ossos (humanos ou de animais que se relacionaram com o homem)
  • Utensílios e ferramentas
  • Artefatos de cerâmica ou madeira
  • Sepultamentos
  • Vestígios botânicos
  • Estruturas de moradia
  • Fogueiras
  • Pinturas rupestres

Já a Paleontologia estuda, basicamente, fósseis, pois são os poucos vestígios que duram por milhões de anos. Quando o objetivo de uma determinada pesquisa é analisar períodos mais recentes, os paleontólogos podem estudar ossos que não foram fossilizados, principalmente no caso de animais. Além disso, há casos em que o pólen e o amido de plantas são excelentes fragmentos de estudo, pois se preservaram bem no seu sedimento.

A Paleontologia também utiliza estudos de outras áreas, mas diferentemente da Arqueologia, ela abarca apenas as ciências biológicas e da terra. O caráter multidisciplinar se apresenta principalmente no estudo da evolução das espécies e da história da Terra, nos quais são utilizadas técnicas de ambas as ciências. A Paleontologia pode usar métodos geocientíficos nas análises, embora necessite aplicar métodos biocientíficos para chegar ao seu objetivo final.