Perséfone


A mitologia grega é repleta de seres e entidades divinas incríveis. Os deuses gregos foram cultuados até meados do século IV, quando o Império Romano foi dividido após a queda do Império Romano do Ocidente. O último grande imperador romano a cultuar os deuses gregos foi Diocleciano. Ele, além de retomar as tradições antigas e os cultos aos diversos deuses do panteão original, promoveu uma das maiores perseguições aos cristãos no império.

É importante lembrar que os deuses gregos e os deuses romanos são os mesmos, porém com nomes diferentes. Assim, os deuses que Diocleciano cultuava eram os deuses gregos, mas com nomes romanos.

Há muitos nomes conhecidos do panteão grego, como Héracles (Hércules para os romanos), Zeus, Atena, Apolo, entre outros. No entanto, a grande quantidade de deuses e seres da mitologia grega surpreende até os mais entendidos do assunto. Falando especificamente sobre Perséfone, ela é uma deusa pouco conhecida daqueles que sabem pouco sobre a mitologia grega, mas é uma figura importante, tanto na cronologia dos fatos segundo a história e também é importante pela função que exerce (segundo o mito grego) sobre as estações do ano.

Perséfone

Casamento com Hades

Perséfone é filha de Zeus e Deméter. Deméter é a filha mais velha de Cronos e Reia, os dois titãs mais importantes dos doze que viveram antes dos deuses olimpianos. Deméter é a deusa da agricultura e, segundo os mitos, uma entidade poderosa no panteão grego. Ela não tinha nenhum desejo de se casar, mas Zeus – um grande cortejador da época dos deuses olimpianos – conseguiu se envolver com ela e, desta relação pouco amistosa, nasceu Perséfone.

Perséfone era uma menina linda que atraia a atenção de todos os deuses, seres e homens que habitavam a Terra. No entanto, por ser filha do deus mais poderoso do universo, Zeus, ninguém tinha coragem para se aproximar dela. Hades – o deus que governava o Mundo Inferior – no entanto, era apaixonado pela menina e desejava se casar com ela. Após criar coragem para pedir a mão de Perséfone em casamento, Zeus – que se sentia um pouco culpado por ter relegado o Mundo Inferior a Hades – concedeu a mão da jovem deusa sem pedir permissão a Deméter.

Hades, mais do que depressa, se aproximou sorrateiramente de Perséfone – sem que ela percebesse – e a levou até o Mundo Inferior para que ela se tornasse sua rainha. Por longos dias e noites, Perséfone ficou sem comer, fechada num quarto especial e isolada de todos. Ela não aceitava se casar com Hades. Diz a lenda que qualquer pessoa que comesse algo proveniente do Mundo Inferior aceitava a condição de estar ali e deveria ali permanecer. De tanto Hades insistir, Perséfone acabou comendo uma romã. Ela passou a valorizar o empenho que o deus sombrio tinha para conquista-la e, aos poucos passou a aceitá-lo.

Resgate de Hermes e o ciclo das colheitas

Durante todo o tempo em que Perséfone permaneceu no Mundo Inferior, Deméter procurava pela filha. Neste período houve muitos dias em que a terra ficou estéril, muitas pessoas morreram de fome e a agricultura era escassa. Quando Deméter encontrou a filha, enviou Hermes – o mensageiro dos deuses – para resgatá-la. Zeus não se intrometeu, uma vez que Deméter ameaçava deixar o mundo passar fome para sempre se Perséfone não retornasse para o Olimpo.

Ao chegar no Mundo Inferior Hermes encontrou uma Perséfone dividida. Ela já se acostumara com a presença de Hades e sua estadia em seus domínios. No entanto, ver que sua mãe tinha se empenhado em encontra-la fez com que Perséfone ficasse dividida e abalada. Ela chegou a voltar para o Olimpo com Hermes, mas como tinha se alimentado de frutos do Mundo Inferior, ela precisava voltar para o submundo. Assim, ficou decidido que Perséfone passaria metade do ano no Olimpo e a outra metade no Mundo Inferior. Esta divisão, segundo o mito, é a base para o ciclo de colheitas para os gregos antigos.

O mito de Perséfone, Deméter e Hades serviu como orientação para os gregos e romanos antigos durante as estações do ano, as colheitas, os períodos de seca e chuvas e para o desenvolvimento da agricultura em si. Perséfone tem outros nomes, epítetos e é a deusa de várias coisas:

• Koré: chamada assim, pois era virgem;
• Ctonica: chamada assim, pois era do submundo;
• Hera Inferna: chamada assim, pois era – assim como Hera era para o Olimpo – a rainha e esposa de um deus infernal;
• Deusa das flores, dos frutos, das ervas e dos perfumes;
• Durante a primavera e o verão mora no Olimpo e durante o inverno e outono mora no Mundo Inferior.

Por mais que Perséfone seja uma deusa do Mundo Inferior, ela sempre foi a favor dos homens e intercedia por eles quando eles estavam em apuros. Por isso ela divide opiniões de especialistas, sendo que alguns a consideram boa, enquanto outros acreditam que ela era má.