Primeira e Segunda época medieval


Para fins de estudos e pesquisa, a história da humanidade é subdividida em grandes fases: Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna, cada uma delas delimitada por grandes feitos. A Idade Média, também conhecida como “Idade das Trevas”, foi um período que começou no século V, a partir das incursões bárbaras (germânicas) ao Império Romano do Ocidente e se estendeu até o século XV.

Esses dez séculos de história podem ser separados em Primeira e Segunda época medieval, como você verá a seguir. A Primeira também é conhecida como Alta Idade Média, que foi o auge dos sistemas que organizavam as sociedades. A Segunda é a Baixa Idade Média, quando começa a entrar em decadência.

Veja agora qual foi o contexto e as principais características que marcaram a Primeira e Segunda época medieval.

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Primeira Época Medieval – Alta Idade Média

Esse período é considerado do ano 476 até o ano 1000 e foi o momento em que as estruturas feudais se consolidaram. O início da Primeira Época Medieval se deu com a queda do Império Romano do Ocidente, ao ser tomado pelos bárbaros.
Vamos entender como isso aconteceu: no início do século V, o império estava em crise, principalmente por conta da economia, que havia perdido o seu dinamismo. Isso favoreceu a invasão estrangeira.

Existe um pouco de confusão em relação ao termo “bárbaros”. Hoje, é comum que a palavra “barbárie” seja relacionada ao caos e à violência, no entanto, para os romanos, bárbaros eram todos aqueles que não partilhassem da sua cultura e que não tivessem o latim como idioma. Ou seja, não tinha relação alguma com violência, embora alguns daqueles povos tenham se utilizado dela para transpor as fronteiras do império.

Os povos bárbaros eram germânicos: hunos, visigodos, ostrogodos, vândalos, alanos, francos, burgúndios e outros, que depois de invadirem o Império Romano formaram novos reinos independentes lá dentro. Os francos se estabeleceram onde hoje é a França; os ostrogodos ficaram na Península Itálica; os visigodos na Península Ibérica e assim por diante.

O reino mais poderoso da Alta Idade Média foi o dos francos, principalmente sob o comando de Carlos Magno, da Dinastia Carolíngia.

As principais características da Primeira Época Medieval foram as seguintes:

• Reinos comandados pela nobreza;
• Integração entre cultura romana e germânica;
• Constituição do feudalismo;
• Fortalecimento do cristianismo;
• Igreja Católica assumindo o papel de instituição mais importante;
• Teocentrismo;
• Cultura secular fraca;
• Economia baseada na agricultura;
• Poder descentralizado, nas mãos dos senhores feudais.

A política instituída era baseada nas relações de suserania e vassalagem. O vassalo recebia um pequeno pedaço de terra do suserano e, em troca, deveria ser fiel a ele e ajudá-lo sempre que precisasse. Os senhores feudais eram os donos dos feudos, grandes propriedades de terra, e concentravam o poder político, econômico e jurídico em suas mãos.

A sociedade na Alta Idade Média era intensamente hierarquizada. O clero tinha um grande poder, arrecadava o dízimo e não precisava pagar impostos. A nobreza era a dona das terras e arrecadava altos impostos dos camponeses e pequenos artesãos, que arcavam com diversos tributos diferentes.

Segunda Época Medieval – Baixa Idade Média

Vai até o século XV e foi um período de transições. A sociedade era muito estática até aquele momento, enquanto o feudalismo estava funcionando nada mudava. No entanto, esse sistema começa a entrar em crise. Os principais fatores que provocaram essas mudanças, que culminaram no fim da Idade Média, foram os seguintes:

• Desenvolvimento de aparatos tecnológicos para a agricultura;
• Crescimento demográfico;
Renascimento cultural, científico e comercial.

No século XI, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada, que tinha como objetivo expulsar os árabes que haviam se instalado na Terra Santa. Acontece que muitos cavaleiros que participaram das Cruzadas saquearam o Oriente e, no caminho de volta, buscavam formas de vender os produtos roubados. Com isso, foram descobrindo novas rotas comerciais. Além disso, quando os muçulmanos foram expulsos do Oriente, isso também facilitou o comércio.

Esse fato foi primordial para que a Idade Média entrasse em decadência, porque favoreceu a formação de uma nova classe: a burguesia, ou seja, pessoas que se dedicavam às atividades comerciais. Sentindo a necessidade de se proteger, essa classe social investiu na construção de habitações com grandes muros, os chamados burgos. Foi assim que começou o renascimento comercial e urbano.

E as consequências não pararam: os burgos se transformaram em cidades que ofereciam mais oportunidades de trabalho. Muitos trabalhadores deixaram os feudos, o que provocou o êxodo rural. Os senhores feudais foram obrigados a diminuir os tributos e taxas dos seus servos e alguns até começaram a oferecer uma remuneração, para evitar a saída.

A consolidação do comércio proporcionou o surgimento de cambistas e banqueiros, por exemplo, que começaram a se preocupar com os estudos. Universidades foram abertas na Europa, também fomentando o renascimento científico e cultural.

O conjunto de todas as mudanças colocou fim na Idade Média e o início da Idade Moderna.