Religião no Antigo Egito


A religião no antigo Egito tinha caráter politeísta, ou seja, consistia na idolatria de várias deidades. A religião tinha papel fundamental na sociedade egípcia, influenciando inclusive aspectos políticos, já que o próprio faraó, autoridade máxima da política, era considerado de linhagem divina.

No politeísmo egípcio, os deuses apresentavam dons e capacidades distintas, influenciando na vida tanto na morte das pessoas. A prova disso são os ritos de mumificação e a crença na reencarnação. Na antiga civilização egípcia também eram adoradas divindades que apresentavam característica antropozoomórfica, ou seja, o corpo era constituído por parte humana e parte de animal sagrado. Um exemplo que ilustra essa concepção era Anúbis, o deus da morte. Anúbis era representado com cabeça de chacal em um corpo de ser humano.

Religião no Egito

Vale destacar que nos hieróglifos, essas criaturas divinas eram representadas de perfil, já que na concepção dos egípcios meros mortais não eram dignos de encararem os deuses de frente.
Os egípcios antigos também realizavam rituais e oferendas para os seus deuses. Essa era uma maneira de agradarem tais seres, conseguindo auxílio em suas vidas.

A idolatria a Ísis e a Osíris era a mais popular no Egito dos faraós. Na época, havia crença que Osíris e sua irmã-esposa, Ísis, povoaram o Egito, concedendo ao povo conhecimentos acerca da técnica da agricultura. Reza a lenda que o deus Set apaixonou-se por Ísis e por isso matou Osíris. Esse ressuscitou e rumou para um mundo além da vida, adquirindo assim a alcunha de “o deus dos mortos”.

O panteão egípcio

Durante várias dinastias as crenças egípcias sofriam alguns sincretismos, porém, entre os principais deuses daquele é possível destacar:

– Amon – Considerado superior até mesmo entre os outros deuses, Amon é considerado o próprio sol, estrela que todos “nasce e morre” representando a vitória da vida sobre a morte. Amon é o deus local do templo de Karnak e é casado com a deusa Mut e pai de Khonsu, deus da lua.
Amon é identificado ao sol, mas ainda assim, ora era representado à imagem e semelhança de um homem, ora era representado na forma de animal, mais especificamente ganso ou carneiro.

– Osíris – Esse deus é um símbolo da estrutura familiar e patriarcal, pois era marido de Ísis e pai de Hórus. Osíris também era uma divindade com influência na vida após a morte, pois a ele era atribuído um rito fúnebre de passagem que consistia no julgamento dos mortos.

– Ísis – Esposa e também irmã de Osíris, Ísis era a deusa protetora das artes mágicas e também da fertilidade, bem como era considerada bom exemplo de mãe e esposa.
Nas antigas crenças dos egípcios, as cheias do Nilo eram atribuídas às lágrimas de Ísis, que chorava a morte do seu marido Osíris. A morte e o renascimento de Osíris era uma das mais famosas lendas e era repleta de significados para o povo.

– Hórus – Representado como um deus com cabeça de falcão, Hórus era considerado o deus do céu. Os olhos dessa divindade representavam o sol e a lua. Hórus era filho de Osíris e Ísis. Uma das lendas mais famosas que envolvem Hórus faz referência ao assassinato do deus Seth, que Hórus matou por vingança.
Alguns historiadores afirmam que a relação de Ísis (mãe) e Hórus (filho) é base para a concepção cristã da Virgem Maria e Jesus Cristo.

– Seth – Ele é considerado o deus da traição, da perfídia, da guerra, das serpentes e da violência.
Seth é descrito como um deus que conspirava para tirar o seu irmão Osíris do trono dos deuses.

– Anúbis – Representado como um homem com cabeça de cão, embora alguns pesquisadores afirmam que era a de um coiote, Anúbis era o deus que conduzia a alma dos mortos para o mundo do além.
Alguns estudiosos da cultura egípcia acreditam que relação simbólica desse deus com caninos se deve ao fato de que estes animais perambulavam pelos cemitérios. A imagem de Anúbis era a de um deus pintado de tons escuros, justamente por ser enegrecida a tonalidade dos corpos embalsamados.

– Bastet – Deusa da fertilidade e guardiã das mulheres, Bastet era representada pela imagem de uma mulher com cabeça de gata. Essa deusa era cultuada na cidade de Bubástis, localizada em uma área da região do Delta do Nilo.
Os egípcios nutriam um carinho especial por gatos, pois tais animais caçavam ratos que invadiam os depósitos de grãos. Bastet faz parte desse culto felino.

O símbolo da vida

As crenças egípcias possuíam símbolos sagrados. Um desses símbolos mais famosos é o Ankh, que é uma cruz com a parte superior em formato oval. O significado do Ankh tem relação com a vida após a morte, com o entrelaçamento de forças opostas e o surgimento da vida.
Atualmente o Ankh faz parte da cultura pop e já foi retratado em várias mídias, tais como filmes, músicas, livros e histórias em quadrinhos.

A crença na vida após a morte contribuiu para o povo egípcio desenvolver a técnica da mumificação, que assim permitia ao corpo receber de volta a sua alma.
Ainda sobre a vida após a morte, os egípcios acreditavam que, no além-túmulo, a alma do indivíduo era julgada quando o coração deste era posto em uma balança junto com a Pena da Verdade. Se o coração fosse mais pesado, o defunto era punido, sendo devorado pelo cão Ammit.
O deus que guiava a alma pelo mundo dos mortos era Anúbis.