Renascimento comercial e urbano da Europa no século XI


A Idade Média é também conhecida como “idades das trevas” por toda a crueldade que instituições como a Igreja utilizam para garantir que seus dogmas e preceitos fossem seguidos. No entanto, pouco se ouve falar sobre as conquistas – determinantes para o avanço humano – atingidas na Idade Média.

Entre as principais conquistas da Idade Média destaca-se o surgimento de monges copistas, o que fez com que textos pudessem ser reproduzidos fielmente, o uso do texto com finalidades didáticas, notadamente o ensino da religião e a invenção, já no século XIV, da máquina impressora de tipos móveis, inventada por Gutemberg e que fez com que o livro se tornasse um objeto acessível a um número muito maior de pessoas.

Renascimento comercial

Para que possamos entender as origens do renascimento comercial da Europa do séc. XI, que duraria até o fim da Idade Média, no sec. XV é necessário entendermos os antecedentes, isto é, os fatores que possibilitaram esses renascimentos, bem como foi seu desenrolar. Vamos à explicação desses dois pontos.

Os antecedentes do renascimento: a Alta Idade Média

A Alta Idade Média compreende o período que vai desde o séc. I A.C. ao séc. XX. Para captarmos a, por assim dizer, “essência” da Alta Idade Média devemos atentar para o movimento migratório chamado de invasões bárbaras.

O movimento não leva esse nome não só em razão da barbárie das invasões, mas sim devido ao fato dos romanos classificarem como bárbaros todos aqueles povos que não partilhavam de seus valores, pois enquanto que a sociedade romana era organizada em torno de um Estado, os povos bárbaros se organizam em aldeias tribais, na maioria das vezes familiares, na qual havia os nobres, donos de grandes extensões de terras, homens livres, com pedaços mais tímidos de terra e os homens não livres, escravos capturados durante as invasões e utilizados no trabalho rural.

Apesar de haver desde o começo da Alta Idade Média, até o séc. IV as invasões bárbaras eram movimentos pacíficos. No entanto, o exponencial aumento da população constituinte desses povos, somados a necessidade de mais terra para a produção em maior escala de alimentos e o enfraquecimento do exército romano, as invasões bárbaras tornaram-se violentas. O resultado foi a conquista de uma enorme quantidade de terra na Europa Ocidental, notadamente nas regiões da Itália, França, Península Ibérica e norte do continente europeu (Escandinávia).

Como os povos bárbaros tinham na agricultura sua principal atividade, aos poucos foram se formando, por toda a extensão territorial conquistada, os chamados feudos, sendo este o motivo deste período ser chamado de Feudalismo. Além disso, outros importantes acontecimentos foram, como a supremacia da Igreja Católica e do Teocentrismo, um processo de forte ruralização de toda a Europa, a organização da sociedade em ordens (clero, nobreza e servos) e, obviamente, o estabelecimento do feudalismo como sistema socioeconômico. Este o panorama que irá perdurar até o séc. X na Europa e culminará, já no séc. XI, no fim da Alta Idade Média e no Renascimento comercial e urbano da Europa.

Da ruralização à formação de centros urbanos

Apesar de a Idade Média ser muitas vezes chamadas de “idade das trevas”, muita coisa significativa aconteceu neste período, principalmente no que tange à agricultura. No campo, foi inventado, implementado e adotado em larga escala o sistema de revezamento de plantio, o denominado de “três campos” que fazia com que a produtividade de alimentos crescesse de forma considerável. Além disso, foi inventado o arado de ferro, tecnologia que facilita o manejo e preparação da terra para o plantio, otimizando ainda mais o processo de produção de alimentos.

Diante destes fatos, a mão de obra humana necessária para a agricultura diminuiu significativamente, fazendo com que muitas pessoas começam a migrar para centros urbanos. A esta época, as cidades não era como as conhecemos hoje: na verdade, tratava-se de “burgos”, aglomerados de pessoas em torno de castelos ou outras obras arquitetônicas capazes de prover proteção em caso de algum ataque. Assim, junto com esta nova forma de organização socioespacial das pessoas nasce uma nova classe social: a burguesia.

Nos burgos, as principais atividades eram o comércio, trazido pelos invasores árabes que ocuparam a península ibérica durante as invasões bárbaras, e o artesanato. Os comerciantes não tinham um lugar fixo, eles viajavam de burgo a burgo para venderem seus produtos, criando assim as rotas do comércio. Importantes pontos nestas rotas eram as cidades de Veneza e Gênova, que graças ao comércio foram transformadas em importantes centros urbanos. Uma curiosidade é que todas as cidades da época possuíam no máximo 20 habitantes, com exceção de Paris, que contava com 100 habitantes, número alarmante se considerarmos a falta de infraestrutura e as condições de higiene da época.

Outra invenção do comércio foram as feiras, com destaque as para as de Frankfurt e a de Gênova. Com toda essa profissionalização do comércio, o escambo (troca de mercadorias) tornou-se obsoleto. Assim, foi inventada a moeda como forma de troca.

Portanto, são todos estes fatores que ocasionaram o renascimento comercial e urbano da Europa do século XI e que, mais tarde, dariam origem ao capitalismo e a revolução industrial.