Resumo da Idade Moderna: A reforma religiosa protestante


Estava em andamento desde o fim do período conhecido como Idade Média, o método de centralização da monarquia, o que acabou tornando difícil e recheado de tensões, o relacionamento entre a igreja e os reis, que até o momento detinha um poder sólido temporal. Os membros do clero, além de deterem sobre a população todo o domínio espiritual, detinham sobre o reino, o poder político e também administrativo. Roma, ou seja, a figura do papa, ganhava tributos do feudo que eram originários das extensões vastas de terra que eram, em toda a Europa, controladas pela igreja, e o aparecimento dos estados centralizados cometeu com que esse método começasse a ser colocada em dúvida pelos monarcas.

Nesse cenário, a expansão do capitalismo ainda encontrava algumas limitações no que a igreja pregava, que desaprovava a cobrança de juros por empréstimos que eram feitos, conhecido também como usura, e ainda defendia o preço justo de mercadorias, a produção e ainda a comercialização sem direito a lucro. Por exemplo, a atividade bancária estava afetada, já que se efetivar empréstimos com juros eram caracterizados como pecados. Assim, eles não estavam mais encontrando na igreja o contentamento de suas necessidades espirituais, além dos membros da burguesia que estavam enfrentando uma crise na religiosidade.

Resumo da Idade Moderna

Além disso, dentro da igreja, batiam de frente dois sistemas teológicos. De um lado, estava a teologia agostiniana, que tinha sido baseada no princípio da salvação através da predestinação e pela fé. Do outro, estava o tomismo, uma corrente assumida pela cúpula romana-papal, que via no livre arbítrio e nas obras boas o caminho para se alcançar a salvação.

A desmoralização do clero, acabou por se tornar um poderoso ingrediente na crise religiosa que estava sendo apresentada. O excessivo poder dos membros do baixo e do alto clero e os abusos cometidos por eles acabavam contradizendo de maneira aberta as suas pregações moralizadoras. Mas, apesar dos membros da igreja desconfiarem do lucro e de serem contra a usura, praticavam-nos de forma desenfreada. Além disso, o uso da autoridade a fim de garantir privilégios, o comércio de bens eclesiásticos, a venda de cargos eclesiásticos e o desrespeito ao celibato clerical aconteciam na igreja, não raramente, desde o final da Idade Média. Podemos dizer, que o principal escândalo foi venda do perdão dos pecados que eram cometidos pelos fieis em troca de pagamentos religiosos, chamado de venda de indulgências.

No período do Renascimento, as críticas ao clero acabaram até se tornando comuns e intensas, representadas até em obras de pensadores, que pregavam mudanças no interior da igreja, com o objetivo de buscar uma nova adaptação aos novos tempos e de combater a desmoralização do clero. Esse movimento acabou ganhando ainda mais força nas universidades.

Sacro império romano-germânico: a reforma Luterana

Na região do sacro império romano-germânico, ou seja, na Alemanha, teve início o amplo rompimento. Isso porque a Alemanha ainda era basicamente agrária e feudal, com alguns problemas capitalistas e mercantis ao norte. Nesta região, a igreja era muito poderosa, já que era dona de mais de um terço do total de terras existentes. Por isso, os alemães nobres acabaram estimulando ainda mais o rompimento, já que cobiçava suas propriedades e queria a diminuição da influência da instituição.

Martinho Lutero foi quem iniciou a reforma. Ele era professor da Universidade de Wittenberg e fazia parte do clero, negando práticas comuns que eram pregadas pela igreja.

No ano de 1517, o monge insurgiu contra a venda de indulgências, ao escrever o As 95 teses, radicalizando de maneira pública as suas críticas a igreja e até mesmo ao papa. Três anos mais tarde, o papa em vigência condenou Martinho, através da escrita de uma bula, exigindo sua imediata retratação e o ameaçando de excomunhão.

Lutero, acabou queimando esse manifesto em público, agravando a situação e estabelecendo uma crise política, na qual os nobres alemães acabaram dividindo-se, onde a maioria, ficou contra o papa.

O imperador, Carlos V, convocou a Dieta de Worms, uma assembleia, na qual Martinho Lutero sobreveio a ser considerado herege. Ele, foi acolhido por parte dos nobres, passando a se dedicar em traduzir para o alemão, a bíblia, além de passar a desenvolver nessa nova de religião, os seus princípios. No ano de 1530, a doutrina luterana foi fundamentada através da Confissão de Augsburgo.

Quando a igreja passou a se subordinar ao estado, grande parte dos alemães nobres passou a simpatizar com Martinho Lutero, ampliando assim o apoio à essa nova doutrina. Esses pensamentos acabaram servindo de inspiração para a revolta camponesa dos anabatistas, que viram na quebra da autoridade religiosa, uma oportunidade para romper de vez com a estrutura do feudo, passando a apoderar-se terras, até mesmo as que pertenciam à nobreza.

Mas, Martinho Lutero condenou os anabatistas de maneira violenta, pregando a ideia de que a força fosse utilizada para exterminá-los. Além disso, repelia a burguesia, já que considerava este uma ferramenta do demônio para se disseminar o pecado.

No ano de 1529, o imperador Carlos V se reuniu com os nobres alemães na Dieta de Spira, com o objetivo de fazer com que essa nova doutrina não se expandisse. Mas, as guerras religiosas só tiveram fim no ano de 1555, através da Paz de Augsburgo, que passou a estabelecer que cada governante dentro do sacro império poderia escolher seus súditos e a sua própria religião.