Resumo da Idade Moderna: As navegações portuguesas


Podemos dizer que o processo de expansão marítima da Europa marca o começo da europeização do mundo. Isso porque, todo esse processo pode ser viabilizado através de forças políticas poderosas, além de ter sido feito a partir de claras demandas econômicas. O sucesso desse processo expansionista significou uma evidente vantagem para alguns personagens, responsáveis pela projeção e pela execução desse processo.

No começo do século XV, Portugal passou a ganhar um grande impulso no processo de participação do comércio da Europa. Assim, no processo das navegações portuguesas, a centralização ainda que precoce da monarquia, juntamente com a associação dos poderes políticos reunidos nas mãos do rei aos interesses do papel do setor de comércio.

As navegações portuguesas

Dom Henrique, conhecido como o navegador acabou favorecendo esse cenário, através dos estudos náuticos, atraindo para o seu território, Sangres, cosmógrafos, navegadores, mercadores, cartógrafos e aventureiros. Todos esses conhecimentos acabaram por viabilizar o progresso de expansão portuguesa e seu desejo de viagens pelo oceano Atlântico, contribuindo assim para atingir as Índias, superando todas as limitações da Europa ao comércio continental.

De maneira gradual, o objetivo de Portugal em realizar uma viagem em torno da África, conhecido também como périplo africano, ganhou corpo. Nesse cenário, avançaram as expedições portuguesas, passando a atingir cada vez mais, pontos distantes das ilhas do Atlântico e do litoral da África. As ilhas praticamente inabitadas passaram a ser exploradas, e passaram a contar com uma política de povoamento fortemente baseada na pecuária e na agricultura. Além da criação de gado, passou-se a cultivar, em especial, vinhas, trigo e cana de açúcar. As terras foram então divididas em um sistema, através do qual, o rei era o responsável pela escolha de nobres, ou seja, foram divididas em capitanias hereditárias. Nesse sistema, o importante era a exploração econômica da área e a promoção do povoamento, uma maneira de otimização do processo de colonização, que foi adotado em seguida nas terras da América portuguesa.

O navegador Bartolomeu Dias, no ano de 1488, chegou ao extremo meridional da África, ou seja, atingiu o cabo da Boa Esperança, fato que acabou por demonstrar a existência de uma nova passagem para o Oceano até então desconhecido, o Índico. Dez anos mais tarde, em uma expedição de reconhecimento, o navegador Vasco da Gama chegou as Índias. Em 1500, através do comando do navegador Pedro Álvares Cabral, com destino ao Oriente, partiu a primeira grande frota com o objetivo de estabelecimento de comércio. Mas, essa expedição acabou atingindo também o litoral do novo continente na costa do território na América, que mais tarde recebeu o nome de Brasil.

Assim, estava pesando o tempo para que Portugal concluísse enfim, seu objetivo de completar o périplo africano. Dessa maneira, Portugal prosperou, já que Lisboa tornou-se um importante entreposto de comércio e ao mesmo tempo, seus navegadores passaram a ampliar seus conhecimentos náuticos.

Dessa maneira, o capital gerado durante esse processo, acabou sendo transferido para outros centros europeus, seja pela dependência de financiamento externos, seja pelos gastos da Coroa e da nobreza, o que acabou impedindo um processo e que capitais para investimento fossem acumulados dentro do próprio reino.

As navegações espanholas

A Espanha passou a organizar expedições pelo Atlântico, um pouco antes do expansionismo marítimo de Portugal atingir o seu objetivo de chegar até as Índias. A primeira viagem da Espanha foi no ano de 1492, liderada pelo navegador Cristóvão Colombo. Este, partiu com três caravelas pequenas, com o objetivo de chegar as Índias contornando o globo terrestre, navegando sempre em direção ao Ocidente. Assim, buscava-se uma rota alternativa daquela que os portugueses controlavam, no sul, em torno da África.

Cristóvão Colombo chegou ao continente americano, acreditando que teria chegado as Índias e morreu, acreditando nessa ideia. Este engano só foi corrigido quando o navegador Américo Vespúcio, no ano de 1504, confirmou que tratava-se de um novo continente.

Nesse cenário, espanhóis e portugueses, que nessa altura encontravam-se espalhados pelo Atlântico, tinham o monopólio das expedições oceânicos. A partir do século XVI, esse monopólio foi seguido por outras nações, em especial a Inglaterra e a França. No entanto, antes que outros povos começaram a se aventurar por esses novos territórios, os dois reinos ibéricos já haviam se decidido por partilhar o mundo. Assim, no ano de 1493, o papa Alexandre VI abençoou esse acordo, que acabou causando a edição da Bula Intercoetera, que foi substituída um ano depois pelo Tratado de Tordesilhas. Esse acordo, acabava por estipular que todas as áreas que estavam localizadas a oeste do meridiano de Tordesilhas, pertenceriam à Espanha, enquanto as terras localizadas a leste seriam de Portugal.

As demais nações da Europa acabaram rejeitando o estabelecimento desse tratado, e a disputa pelos territórios que haviam acabado de serem descobertos caracterizou um marco da Idade Moderna que havia acabado de se iniciar.