Resumo da Idade Moderna: Os economistas do Iluminismo


Os pensadores do período do Iluminismo acabaram desenvolvendo duas correntes diferentes de interpretação da economia das nações e dos reinos. A primeira delas foi a fisiocracia e a outra, o liberalismo, que logo passou a ser aceito universalmente como uma verdade econômica.

A escola econômica fisiocrata despontou como uma crítica para as concepções mercantilistas que dominavam a época. Ela rejeitava o metalismo, e acreditavam que a terra, e não o acúmulo de metais preciosos, era a única fonte de riqueza, sendo a atividade manufatureira e o comércio apenas meios de transformação ou de fazer com que essa riqueza circulasse.

Os economistas do Iluminismo

Adam Smith, um britânico, é considerado como o pai da economia como ciência, sistematizando a análise econômica, elaborando e demonstrando as leis. Ele condenava o mercantilismo, afirmando que o trabalho era a única fonte de riqueza, e não o comércio.

Além disso, Smith acreditava que a maior produtividade do trabalho era meio pelo qual os estados poderiam enriquecer, o que seria possível através do racionalismo. A divisão do trabalho, a concorrência e o livro comércio também poderia possibilitar o alcance ao equilíbrio da sociedade. Suas ideias acabaram por caracterizar o liberalismo econômico, verdadeira cartilha do capitalismo liberal.

O despotismo esclarecido

Mas, no Iluminismo, quem mais se destacou foi o francês Voltaire, que criticava de maneira violenta o clero e a igreja, acreditando na presença de Deus no homem e na natureza. Em sua obra, com o título de Cartas Inglesas, criticou não apenas a igreja como os resquícios da servidão feudal. Nesse contexto, acreditava que um dos direitos naturais do homem seria a livre expressão, que era condenado pela censura que existia.

Além disso, Voltaire rejeitava a ideia de revolução e criticava a guerra, acreditando que as reformas realizadas pelos monarcas, sob a orientação dos filósofos, poderiam resultar em um governo progressista e esclarecido. Voltaire, durante toda a sua vida, procurou se aproximar de diversos monarcas absolutistas da Europa, e como conselheiro, passou a sugerir reformas. Este movimento reformista, que teve como inspiração suas ideias, recebeu o nome de despotismo esclarecido.

Diversos reis absolutistas europeus, no final do século XVIII, assessorados por seus ministros chamados de esclarecidos, realizaram reformas de cunho iluminista. Essas reformas consistiram em atenuar as tensões existentes entre a burguesia e os monarcas, por meio do aumento da eficiência administrativa dos reinos e de sua modernização, e ainda do incentivo à educação pública, com o apoio para as academias científicas e literárias e com a criação de escolas. Neste contexto, os reis tentavam que o estado absolutista tivesse uma sobrevida.

Esse movimento recebeu o nome de despotismo esclarecido e nele era encontrado uma contradição. De um lado, encontravam-se os reis que queriam e estavam dispostos para que reformas fossem realizadas, e de outro, eles não iriam tolerar a perda de poderes ou limitações impostas. Dessa maneira, a burguesia local iria receber de forma aceitável as reformas, e que tempos depois, passariam a exigir mudanças políticas que os monarcas absolutistas não aceitavam.

A efervescência intelectual do período iluminista fez com que surgissem salões que reuniam a aristocracia esclarecida e intelectuais.

Os principais déspotas esclarecidos foram os reis da Rússia, da Áustria, de Portugal, da Prússia e da Espanha. Suas reformas colocaram em destaque o aspecto econômico, buscando que os interessas da burguesia e da nobreza locais fossem acomodadas com as novas práticas mercantilistas, de modo que pudessem recuperar suas finanças e ainda enfrentar a concorrência da Inglaterra e da França, que nessa época já eram consideradas a maiores potências econômicas de toda a Europa. Fez parte desse processo, o incentivo e o estímulo às artes, à cultura e à filosofia.

Catarina II da Rússia e Frederico II da Prússia mantiveram uma amizade com diversos influentes pensadores iluministas. O monarca da Prússia trocou muitas correspondências com o pensador mais consagrado do Iluminismo, Voltaire e publicou diversas obras. Catarina II foi a grande protetora de Diderot e uma leitora apaixonado de diversos enciclopedistas.

Quanto às outras monarquias da Europa, a inglesa já havia se submetido à autoridade de um parlamento burguês desde o ano de 1688, com a Revolução Gloriosa. Entretanto, os reis franceses permaneceram irredutíveis, não cedendo às reformas e fazendo com que se deteriorassem cada vez mais as relações entre os vários segmentos da sociedade. No final do século XVIII, mais precisamente a partir do ano de 1789, houve um rompimento da ordem existente por causa da explosão de uma revolução burguesa.

O sucesso da Revolução Francesa e também de sua expansão, bem como a vitória do movimento de Independência dos estados Unidos, fizeram com que as ideias iluministas deixassem de ser meras propostas e passagem a fundamentar o sistema político, que era chamado de liberalismo político, que iria se consolidar em grande parte do Ocidente, a partir do início do século XIX.