Resumo da Revolução Industrial: Trabalho e alienação


Um dos grandes dramas do processo da Revolução Industrial foi a alienação do trabalhador em relação à sua atividade. Ao contrário do artesão da Antiguidade ou da Idade Média, o operário moderno perdeu o controle do conjunto da produção. Passou a ser responsável por apenas uma parte do ciclo produtivo de uma mercadoria, ignorando os procedimentos técnicos envolvidos.

Além disso, recebendo salário em troca da atividade mecânica realizada, o operário alienava o fruto de seu trabalho ao capitalista, transformando-o em mercadoria sujeito ao mercado.

Trabalho e alienação

A Inglaterra nos séculos XVI-XVIII

O processo de desenvolvimento capitalista, intensificado nos séculos XVI e XVII através da Revolução Comercial estava ligado diretamente com a circulação de mercadorias. A mecanização industrial teve início na segunda metade do século XVIII, o que culminou com o desvio para o setor da produção de capitais da atividade comercial. Esse fato proporcionou muitas mudanças, tanto na prática social quando na economia, e viabilizou a implantação definitiva do modo de produção capitalista e ainda o desaparecimento dos restos das práticas feudais e das relações com o feudo que ainda existiam.

Na Inglaterra, o processo industrial deve-se ao fato de esse ter sido o país que mais conseguiu a acumulação de capital durante o capitalismo comercial. Graças ao poder que a Inglaterra tinha no setor comercial e também no naval, ele conseguiu a formação de um dos maiores impérios coloniais da época. Processo esse, que teve inicio com a vitória inglesa contra a armada espanhola, seguido dos atos de navegação de 1651, que atingiu principalmente os Países Baixos, o maior rival nos mares e no comércio. O tratado de Methuen, que foi assinado com Portugal, foi o responsável por abrir aos manufaturados ingleses o mercado português e de suas colônias.

Com o fim da Guerra dos Setes Anos, que aconteceu de 1756 a 1763, teve o final favorável para a Inglaterra, já que subjulgou a França, considerado o último potencial concorrente em toda a Europa. Além disso, no final do século XIX aconteceram as guerras napoleônicas, que afirmaram todo esse cenário. Dessa maneira, a supremacia mundial da política internacional inglesa se consolidou, transformando-a na maior potência econômica.

As grandes cidades britânicas, nos anos 1800, tiveram intenso impulso populacional com a industrialização. No campo, além das mudanças socioeconômicas, as transformações técnicas afetaram a tradicional paisagem rural. As chaminés por todos o país eram muito mais que simples marcas de paisagem: eram símbolos de uma ampla revolução social e produtiva.

Esse período também foi marcado por diversas transformações na economia e também na sociedade inglesa. Uma dessas mudanças se deu pelas transformações que ocorreram no meio rural e com a implantação de um poderoso sistema bancário. Depois da Revolução Gloriosa, foi instalado o Banco da Inglaterra, que em conjunto com a Companhia das índias, acabou por estimular a produção de algodão, que foi a matéria-prima básica para o processo que levou o país à Revolução Industrial. No setor de metalurgia, se deu também a aplicação de uma indústria têxtil, além das instituições financeiras terem servido de respaldo aos crescentes investimentos.

Os instrumentos inovadores e todo o estímulo dado à produção no campo, além do desaparecimento dos pequenos proprietários, devido aos cercamentos, acabaram integrando ai sistema capitalista que estava em pleno desenvolvimento o trabalho rural. Os cercamentos provocaram o êxodo rural, permitindo aos grandes nobres e empresários que tomassem posse de meio de processos judiciais ou pela compra de pequenas propriedades agrícolas.

Em meio a esse cenário, as levas de camponeses que se transferiram para as cidades formaram um grande contingente de mão de obra disponível, chamado de exército industrial de reserva que era essencial para a ocorrência da Revolução Industrial. Por causa da falta de empregos, essa grande disposição de mão de obra que tinha baixo preço vinha de encontro com os anseios dos industriais, e já que o custo da força de trabalho era bem pequeno,grandes somas de capitais podiam ser aplicados em novas instalações.

Já no cenário político, a Revolução Gloriosa acabou com o absolutismo quando inaugurou o Estado liberal inglês e com o estabelecimento da supremacia do Parlamento, pré-requisito para a plenitude capitalista da burguesia, que se instalou com as maquino faturas. Inclusive, até mesmo a aristocracia da Inglaterra, justamente por não dispor de pensões como acontecia na França, acabou por ver com simpatia as atividades industriais e as atividades comerciais, e muitas vezes integrando-se com ela.

Por último, vale salientar que a Inglaterra ainda contava com carvão e com ferro em abundância. Estes eram matérias-primas extremamente importantes para o funcionamento das máquinas e também para a construção delas, além é claro de ser importante para a produção de energia.

Já a industrialização, que teve início na segunda metade do século XVIII, com a mecanização do setor têxtil, cuja produção tinha amplos mercados nas colônias, inglesas ou não, da América, da Ásia e também da África.