Resumo do Império Bizantino: As permanências e as mudanças


Comparando as civilizações da Antiguidade Clássica e da Idade Média, é possível identificar diversas mudanças na organização social, política e cultural. Na passagem da Idade Antiga para a Idade Média, período inicial que foi denominado Alta Idade Média, deve-se ficar atento às mudanças quanto às permanecias em relação ao período anterior, observando o que restou das velhas estruturas e como ocorriam as modificações ou adaptações aos novos tempos.

O Império Bizantino

O Oriente não acompanhou o colapso do Império Romano. Pelo contrário, sobreviveu às invasões dos bárbaros, o império que foi estabelecido em Constantinopla e que perdurou por todo o período medieval. A partir de Constantinopla, o Império Romano do Oriente sempre desenvolveu amplo comércio, detendo uma agricultura rica, obtendo lucro com as suas relações com o Ocidente, que não tinha sido tão atingido pela crise escravatura.

Império Bizantino

O imperador era a autoridade máxima do Império Bizantino, que também era o chefe da igreja e do exército. Nesse contexto destaca-se Justiniano, o grande responsável pela reconquista temporária de grande parte do Império Romano do Ocidente, entre elas Roma. Como sua maior herança, temos a compilação das leis romanas, conhecida como Corpo de Direito Civil, que representa uma atualização e revisão dos direitos dos romanos, que serviu de base também para os códigos civis de diversas nações da atualidade.

O Corpus Juris Civilis, também conhecido como Codex Justinianus era composto por constituições do império, e nasceu da união de normas jurídicas, de um resumo para estudantes de direito e de novas leis para solucionar controvérsias jurídicas, denominadas Autênticas ou Novelas.

Além disso, o imperador iniciou a construção de um importante monumentos arquitetônico bizantino, a catedral de Santa Sofia. O novo estilo representado por esse monumento no estilo bizantino, voltava-se para a cultuar a fé cristã, com seus mosaicos e abóbadas.

No século VI, o governo do imperador Justiniano atingia seu auge. Tempos depois, quando os turcos-otamanos enfim conquistaram a cidade de Constantinopla, um longo período de decadência teve início, com alguns raros intervalos de recuperação, o que acabou culminando, no ano de 1453, na queda total e definitiva do Império Bizantino. A partir daí, até o século VII, crescentes pressões começaram a acontecer nas fronteiras do oriente com o Império Bizantino, bem como sobre seus domínios no Ocidente, o que acentuou as dificuldades na economia e na administração, e ainda aumentou os gastos com a guerra.

Já durante a Baixa Idade Média, o Império Bizantino começou a ser o alvo da retomada expansionista no Ocidente, seguindo o exemplo do que aconteceu nas Cruzadas, em especial a quarta. Nesse momento, a cidade estava vivendo um avanço ocidental, o que ampliou o predomínio econômico das cidades italianas e ampliou a decadência do Império Bizantino. No século XIV, os turcos-otomanos conquistaram a Ásia menor e os Bálcãs e o império se reduziu apenas à cidade de Constantinopla, que mais tarde, passou a ser conhecida como Istambul, nome pelo qual a cidade é chamada até os dias atuais.

Na parte oriental do Império Bizantino, predominou a prática do cristianismo, embora ele tenha se desenvolvido, quando comparado ao Ocidente, de forma peculiar. Em Istambul, muito do que foi herdado à respeito da forma governamental de Roma, foi herdada, e gradualmente, o imperador passou a ser caracterizado como o chefe principal da igreja. Em meio à esse contexto, o Ocidente encontrava-se em crise do Baixo Império, e em 455, com o apoio total do imperador, o bispo de Roma foi elevado à chefia de toda a igreja, tornando-se o primeiro papa da cristandade, reconhecido como Leão I.

E apesar das tradições da administração e também jurídicas herdadas de Roma, os bizantinos sofreram clara e grande influência helênica. Além disso, adotaram como idioma oficial do século III, o grego, mantiveram constante contato com os povos da Ásia e ainda vivenciaram a invasão persa e o posterior assédio árabe.

A combinação desses elementos, acabaram por doar algumas características, como o desprezo por imagens que eram caracterizados como ícones, como santos, a Virgem Maria e Cristo, o que levou à Iconoclastia, um movimento de destruição por parte dos bizantinos. Questionando os dogmas e as crenças dos cristãos, que eram pregados pelo clero que seguia o papa de Roma, deram origem a algumas heresias, correntes doutrinárias discordantes da interpretação cristã tradicional.

Toda essa tensão, que ainda era alimentada através das diferenças existentes entre o Ocidente e o Oriente, e pelas recorrentes disputas do imperador e do papa pelo poder, culminou em 1054, na total divisão da igreja, criando uma cristandade oriental, e uma ocidental. A oriental era chefiada pelo imperador e a ocidental estava sendo liderada pelo papa. Esse episódio ficou conhecido como Cisma do Oriente, consolidando as diferenças entre as tradições e a forma de organização do culto de cada uma das igrejas.