Resumo do pré-modernismo: Contexto histórico e cultural


Tristão de Ataíde, pseudônimo literário do filósofo e crítico Alceu de Amoroso Lima, usou pela primeira vez o termo Pré-Modernismo na década de 50, e com tal denominação, pretendeu nomear apenas a produção entre 1902 – ano em que publicou-se os romances Canaã, de Graça Aranha e Os sertões, de Euclides da Cunha – e a Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, porta de entrada para a modernidade brasileira.

É preciso considerar que o Pré-modernismo é uma espécie de mediador de águas. Se de um lado ainda é conservador, como por exemplo, na mentalidade positivista, dispõe de uma outra faceta, a revolucionária, aquela que capta as dificuldades do homem moderno, da realidade brasileira e reflete novos tempos como a República e os problemas gerados pela Abolição da Escravatura.

Contexto histórico e cultural

O pré-modernismo se desenvolveu em uma época difícil, dividindo espaços com uma literatura oficial, comprometida com o poder e a classe dominante, e com o artificialismo ostensiva denúncia social dos naturalistas ou realistas.

Na política, religião, economia, eis os principais acontecimentos que permearam tal tendência:

1. Guerra de Canudos, na Bahia, entre os anos de 97 e 97;

2. O fenômeno do cangaço, aparecido na segunda metade do século XIX, tipicamente nordestino, recrudesce a partir de 1900;

3. A histeria fanático e religiosa do Nordeste, o misticismo, o ‘Padim Padre Ciço’, no Ceará;

4. A Revolta contra a vacina obrigatória, no Rio de Janeiro, no ano de 1904;

5. A Guerra do Contestado (1912 – 1916), em Santa Catarina, envolvendo o exército e os posseiros da região conhecida como Rio do Peixe, entre o estado do Paraná e Santa Catarina;

6. O Ciclo da Borracha, no Amazonas, cujo apogeu foi em 1913, com a exportação correspondendo a 97% de toda a produção mundial daquele produto;

7. Revolta da Chibata, em 1910, no Rio de Janeiro. O almirante negro a bordo do navio Minas Gerais, sob o pretexto de que devessem ser abolidos os castigos corporais comuns na Marinha brasileira. Cerca de 150 marujos foram presos, mortos por fuzilamento ou levados sob desterro para a Amazônia;

8. Greves gerais operárias em São Paulo, cujas reivindicações eram melhorias nas condições do trabalho proletário, no ano de 1917;

9. República do café com leite, que caracterizou oligarquias rurais e mineiras sucedem-se no poder que havia sido deixado recentemente pela República da Espada;

Os temas

Os temas pré-modernistas podem ser classificados de maneira genérica como sociais, compromissados com a sociedade brasileira do tempo:

A. Euclides da Cunha: a insanidade da Guerra de Canudos, a miséria do nordestino, sua submissão religiosa;

B. Lima Barreto: o preconceito racial;

C. Monteiro Lobato: o regionalismo do Vale do Paraíba, seus tipos humanos e costumes políticos e sociais;

D. Graça Aranha: a imigração, sobretudo alemã.

Na poesia aparece Augusto dos anjos, com a poesia escatológica, ou seja, de temas que resvalam na podridão da carne, cujos temas são permeados pelo cientificismo, angústia e morte, decomposição da carne.

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, nasceu no ano de 1866, em Santa Rita do Rio Negro, no Rio de Janeiro. Órfão desde cedo, foi criado pelos tios na Bahia e no Rio. Ao terminar o colegial, matriculou-se na Escola Politécnica do Rio, mas não conseguiu se sustentar para continuar os estudos. Por isso, se transferiu para a Escola Militar no ano de 1884. Desde essa época, foi um ardoroso defensor da República, e em 1888, após atirar de maneira ostensiva e impensada sua baioneta no chão em sinal de protesto às repressões do governo que tentava evitar manifestações dos cadetes para saudar Lopes Trovão, republicano ilustre que chegava da Europa. Então, Euclides foi expulso da Escola Militar e seu gesto acaba nos jornais, na câmara e no senado.

Júlio de Mesquita, diretor de um jornal, convidou o jovem revolucionário a escrever em seu jornal, principal defensor das ideias republicanas da época. Em 1889, Euclides assinou uma série de artigos críticos e raivosos contra a monarquia, pregando sua derrubada iminente. Voltou à Escola Politécnica e, com a República recém-proclamada, foi reincorporado ao exército, numa reparação pela justiça que a monarquia havia cometido contra ele. É assim que, na Escola Superior de Guerra, chegou ao cargo de segundo=tenente e casou-se com Ana Ribeiro, em 1893. Quando foi promovido a primeiro-tenente, foi chamado por Floriano Peixoto, então presidente da República, e passou a exercer funções de diretor-presidente da Estrada de Ferro Central do Brasil. Permaneceu no cargo por apenas três meses.

Desencantado com a situação do Brasil, deixou o exército, reformando-se em 1896 como capitão. Nesse mesmo ano, o beato Antônio Conselheiro se transformava em um mito indicador da miséria, do misticismo e crenças primitivas. No ano seguinte, foi enviado pelo jornal para cobrir os acontecimentos que cercavam Canudos. Os relatos, enviados pelo telégrafo ao jornal, deram origem ao material fundamental com que compõe ‘Os sertões’, consagrando0se como um dos mais brilhantes escritores brasileiros.