Sacerdotes do Egito Antigo


As características da civilização do Antigo Egito causam fascínio até os dias atuais. Hoje, vamos nos aprofundar em uma camada social muito importante e envolvida em diversos rituais que fizeram com que os antigo egípcios se tornassem tão estudados até os dias atuais: os sacerdotes. Quem podia receber esse título? Qual o significado dele? Como era visto pelo restante da sociedade? Essas são apenas alguns dos questionamentos a serem respondidos a respeito dos Sacerdotes do Egito Antigo.

Sacerdotes do Egito Antigo

Quem eram os sacerdotes do Egito Antigo?

Antes de falarmos especificamente sobre esse grupo, vale à pena relembrar como era a divisão da sociedade na civilização egípcia da antiguidade: Faraó, Sacerdotes, Militares, Escribas, Artesãos, Comerciantes, Camponeses e Escravos, em ordem decrescente de importância, ou seja, o Faraó era a figura mais valorizada e o escravo, o mais desprovido de qualquer tipo de direito ou prestígio.

A religiosidade foi um pilar fundamental no Egito Antigo, estando por trás da maior parte das práticas políticas e culturais. A mumificação, por exemplo, era realizada para conservar o corpo devido à crença de vida após a morte. E é justamente por isso que os sacerdotes eram tão importantes, porque eram os responsáveis por conduzir as práticas religiosas e assumir funções administrativas no império.

Estando na hierarquia apenas abaixo do Faraó, os sacerdotes eram considerados os sábios. Entre as suas principais atribuições, destacavam-se:

  • Administrar os bens dos templos que havia no Egito (e que eram muito ricos);
  • Guardavam segredos das ciências;
  • Guardavam mistérios religiosos;
  • Realizavam reuniões, festas e outros rituais religiosos;
  • Vestiam imagens que representavam as divindades;
  • Eram os grandes conhecedores e propagadores dos deuses egípcios, cada qual com suas funções.

Além de tudo isso, os sacerdotes também eram os responsáveis por realizar cerimônias especiais para os faraós e nobres falecidos, nos templos mortuários.

Evolução do poderio dos sacerdotes do Egito Antigo

Do ponto de vista cronológico, a civilização egípcia que viveu na antiguidade passou pelas seguintes fases: Império Antigo (de 2575 a 2134 a.C.), Império Médio (até 1640 a.C.), Império Novo (até 1070 a.C.) e Período Tardio (até 330 a.C.). Vale lembrar que esse tipo de divisão é acadêmica e pode ter variações de alguns anos, por isso, o melhor é pensar em épocas.

Desde o Império Antigo, a divisão em camadas sociais sempre foi muito rígida. Inclusive, a função do indivíduo na sociedade era passada de pai para filho, portanto, um escriba jamais poderia ser um sacerdote, por exemplo. A possibilidade de ascensão social é algo bem mais recente, que começou a acontecer entre o Império Novo e o Período Tardio.

Pois bem, os sacerdotes sempre foram muito importantes, considerados como os mais especiais súditos do Faraó. No entanto, até o Império Novo, não havia uma hierarquia organizada entre os sacerdotes, mas sim sacerdócios locais, divididos por regiões.

Outro fator importante é que no decorrer do Médio Império, a supremacia dos sacerdotes ficou menos em evidência, retornando com força total a partir do Novo Império. Mas quais fatores levaram a essa consolidação do sacerdócio no Egito Antigo no Novo Império? Os mais importantes são o crescimento da importância dos templos religiosos (as práticas religiosas se intensificam como traços culturais e elementos de unidade da civilização) e o desenvolvimento da superstição e da magia.

Inclusive, foi nesse Novo Império que os sacerdotes de fato alicerçaram a sua posição na sociedade egípcia, como grupo que estava diretamente abaixo do Faraó.

Portanto, junto com essa valorização, as funções sacerdotais foram hierarquizadas, de acordo com as atribuições de cada um:

  • Sumo sacerdote: era quem administrava o grande templo e chegava a exercer atividades muito semelhantes às do faraó. Detinha conhecimentos nas áreas de geometria, leitura, escrita, artes, ciências, astronomia, aritmética e outras, portanto, era um homem extremamente culto;
  • Segundo profeta: cuidava da administração financeira dos templos;
  • Sacerdotes leitores: recitavam ao público a palavra dos deuses;
  • Sacerdotes sem: organizavam e executavam rituais de funeral;
  • Sacerdotes das horas: organizavam os calendários dos festivais, graças aos seus conhecimentos em astronomia.

Essa divisão bem rígida de tarefas e também o auge do poder dos sacerdotes no Egito Antigo perduraram até o Período Tardio. É interessante observar que dificilmente se encontram nos templos pinturas representando os sacerdotes, porque mesmo que eles formassem uma camada social elevada, os egípcios acreditavam que apenas o Faraó era digno de ser desenhado junto aos deuses.

Os sacerdotes eram obrigados a depilar o corpo todo. Os que pertenciam a níveis superiores, como o sumo sacerdote e o segundo profeta, utilizavam vestimentas específicas, que os caracterizavam. Já os de camadas inferiores, que estavam mais próximos ao povo, não se distinguiam das pessoas comuns.

A relevância desses indivíduos era tão grande, que alguns deles chegaram a ser mumificados e colocados dentro das pirâmides, procedimento que era realizado mais comumente com os corpos dos faraós falecidos, especialmente por ter um custo bastante elevado na época.