Sumérios e acádios


Os sumérios e os acádios foram dois povos que viveram na região da Mesopotâmia no Período Antigo. Tribos que abandonaram o nomadismo passaram a habitar esse território por volta de 10.000 a.C. Foram se desenvolvendo progressivamente, criando novas técnicas de plantio, colheita, armazenamento de alimentos, canalização da água, etc. O acúmulo de conhecimento colaborou para a criação de cidades-estados militarmente poderosas e ricas em recursos naturais.

Sumérios e acádios

Um dos povos que floresceram nesse período foram os sumérios, que habitaram um território entre a Baixa e a Média Mesopotâmia. Suas cidades-estados foram responsáveis pela criação da chamada Revolução Urbana. Elas tinham o poder descentralizado, com muitos polos urbanos. Cada um era governado por um sacerdote, que era auxiliado por um grupo de anciãos.

A organização política suméria foi adotada pela tribo arcádia posteriormente, quando habitou a mesma região. Eles fundiram seu modo de vida e criaram um grande Império Mesopotâmico. Conheça um pouco mais sobre esses dois povos.

Sumérios

Os sumérios foram tão inventivos que o sumerólogo Samuel Noah Kramer afirma que nenhum outro povo contribuiu mais para cultura humana do que eles. Segundo a literatura especializada, foi entre os rios Eufrates e Tigre, no sul da Mesopotâmia, que eles constituíram sua civilização. Atualmente, o território pertence ao sul do Iraque e Kuwait. Eles viveram entre os anos de 4.000 e 1.950 a.C., durante a Idade do Cobre.

A origem da Suméria gera debates acadêmicos, pois a sua história ainda é pouco conhecida. É sabido que no final do período neolítico (3.000 a.C.) povos sumerianos saíram do planalto do Irã para se assentar em uma região chamada Caldeia. A ascensão foi rápida. No decorrer do terceiro milênio eles já haviam construído 12 cidades-estados:

  • Adab
  • Akshak
  • Bad-tibira
  • Eridu
  • Larak
  • Lagash
  • Larsa
  • Kish
  • Nipur
  • Umma
  • Ur
  • Sipar

Todas as cidades-estados eram muradas e tinham sua própria cultura. Até mesmo adoravam deuses diferentes. Longe de ser uma qualidade, essa divisão e os intensos conflitos entre elas deixavam os sumérios vulneráveis a ataques inimigos. O rei de Kish, Etana, foi o primeiro líder político e militar a unir diferentes cidades, por volta do ano 2.800 a.C. Durante séculos a liderança da região foi disputada por Eridu, Ur, Lagash e Kish.

A Suméria ruiu por volta de 1.950 a.C., derrotada pelos povos invasores amoritas e elamitas, que vieram da Pérsia. Há uma hipótese, defendida por alguns historiadores, que afirma que uma grande seca, causada por um tornado, acelerou o declínio da civilização. Segundo a teoria, isso acabou criando uma das ondas de fome mais terríveis da Antiguidade.

Os sumérios foram excelentes arquitetos e engenheiros, o que provam suas construções complexas e engenhosas. Construíram fortificações impressionantes em suas cidades-estados. Criaram os zigurates, que eram edificações gigantescas, parecidas com pirâmides, utilizadas como templos religiosos e também para armazenar grãos. Idealizaram um sistema de controle hídrico que vinha dos rios Eufrates e Tigre. Como o armazenamento de água era essencial para as cidades sumérias, os construtores desenvolveram um grande complexo com barragens, canais de irrigação, diques e sistemas de drenagem do solo.

Muito do que sabemos sobre esse período se deve aos sumérios. Eles criaram, por volta de 4.000 a.C., um sistema de escrita cuneiforme, no qual sinais representavam objetos e ideias. Eles tinham o hábito de escrever, em placas de barro, registros econômicos, políticos, administrativos e sociais.

Acádios

Em meados de 2.550 a.C. povos semitas começaram a dominar territórios ao norte da Suméria. Eles eram nômades e vinham do deserto da Síria. Tomaram as cidades-estados e unificaram os territórios em torno de uma cultura. A invasão acádia estabeleceu uma síntese cultural que já iniciara com os primeiros contatos entre os povos. Mesmo assim, eles ainda tinham divergências, principalmente religiosas.

Segundo historiadores, a primeira ideia de império surgiu com o povo acádio, por volta de 2.375 a.C., quando o soberano da cidade de Uruk, Lugal-zage-si, unificou a maioria das cidades. Sargão I, que chegou ao poder no século XXIII a.C., continuou o processo de extensão do território. Ele acabou criando um império de enormes proporções, que cobria todo o Oriente Médio e chegava a Anatólia e ao Mar Mediterrâneo.

O Império Acádio ruiu dois séculos depois de sua fundação, por volta de 2.100 a.C. Havia muitos conflitos internos e, além disso, a região foi invadida por diversos povos estrangeiros. Quem o dominou totalmente foram os gutis, uma tribo que veio de Zagros, uma região localizada entre os atuais países do Irã e Iraque.

Os acádios assimilaram a cultura suméria e realizaram importantes mudanças, ocasionando um florescimento artístico, político e militar. Na política, criaram um estado centralizado, e investiram nas artes militares, focando em táticas de deserto, com armas leves e flexíveis. Na religião passaram a adorar novos deuses, inclusive divinizaram seus próprios reis.

A língua acadiana teve um peso enorme na Antiguidade. Tratava-se de um grupo de dialetos falados pelos assírios e babilônicos. Os primeiros textos escritos no idioma datam do terceiro milênio anterior a Cristo, e estão escritos em símbolos cuneiformes. A importância do acadiano era tanta que durante muito tempo foi utilizado como Língua Internacional por todo Oriente Médio.