Tomismo: Doutrinas do tomismo


Histórico

Denomina-se tomismo ao conjunto de doutrinas filosóficas e teológicas de São Tomás de Aquino (1225 – 1274), monge dominicano do século XIII que teve como principais influências os filósofos Platão, Aristóteles e Santo Agostinho.

São Tomás de Aquino criou um sistema teológico e filosófico próprio que se destacou tanto ao ponto de se tornar um dos mais importantes de toda filosofia medieval. Todo aquele que seguir as linhas do pensamento de são Tomás de Aquino será considerado um “tomista”.

Tomismo

A partir do Papa Leão XIII, por volta do ano de 1879, o tomismo foi adotado como uma corrente teológica, ou seja, um pensamento oficial da Igreja Católica.

Doutrinas do tomismo

O tomismo é uma filosofia escolástica e que tem como principais características a tentativa de conciliar o “aristotelismo” com o “cristianismo”, desta forma busca integrar os pensamentos de Aristóteles – e também Platão – àquilo que está escrito na Bíblia. São Tomás de Aquino gerou a chamada “filosofia do ser” inspirada na fé e na teologia científica.

Além disso, podemos dizer que o tomismo é metafísico (que busca o conhecimento da essência das coisas) e serve a teologia.

Em sua essência o tomismo pode ser caracterizado como uma crítica que valoriza a orientação do pensamento platônico-agostiniano em razão de um racionalismo aristotélico. Além disso, outro importante ponto a cerca desta doutrina é que ela se firma como início da filosofia dentro do pensamento cristão.

Mas o que é o pensamento platônico-agostiniano?

De acordo com a referida concepção o conhecimento humano depende, em grande parte, de um tipo de iluminação ou inspiração divina, portanto, o espírito humano tem um tipo de intuição do inteligível. Contudo, São Tomás se opõe a esta “gnosiologia inatista” com uma “gnosiologia empírica aristotélica”, assim, defende que o campo do conhecimento humano é limitado ao mundo sensível.

Analisando a interpretação de São Tomás de Aquino pode-se dizer que este acreditava que o pensamento lógico e a fé cristã não se chocam ou confundem, sendo considerados distintos, mas ao mesmo tempo harmônicos.

Para o monge dominicano a teologia deve ser considerada uma ciência superior fundada a partir de revelações divinas e, portanto, a filosofia funcionaria como uma espécie de auxiliar. A função da filosofia seria demonstrar a natureza e também a existência divina harmonizada com a razão, para São Tomás só existiria conflito entre teologia e filosofia quando esta última tentasse explicar o mistério do dogma religioso sem nenhum tipo de auxílio da fé.

Para o “pai do tomismo” a alma representava a forma essencial do corpo sendo responsável pela dádiva da vida. A alma humana seria, portanto, imortal, única e subsistente, sendo assim, esta era a explicação que se tinha para dizer que o homem tendia – naturalmente – de um ser supremo, no caso Deus.

Pode-se dizer que a ética tomista se concentra exatamente neste movimento, considerado não apenas natural, mas também racional do ser para Deus que culmina na mais pura contemplação do criador.

Morte e trabalho de São Tomás de Aquino

O monge dominicano faleceu em 07 de março de 1274 na Abadia de Fossanova (atualmente território da Itália).

Após sua morte 12 de suas teses chegaram a ser condenadas em Paris (em 1277), mas não demorou muito para que o tomismo fosse realmente adotado, primeiramente pelos dominicanos no ano de 1278, em seguida em 1323 o Papa João XXII canonizou São Tomás de Aquino e em 1567 é nomeado “doutor da Igreja”.

Pode-se dizer que São Tomás de Aquino teve uma vida relativamente curta, mas não há como negar que realizou um belíssimo trabalho, afinal foi uma figura simbólica que representou como ninguém a iminente tensão entre a tradição cristã medieval e a cultura que se iniciava no meio de uma nova sociedade.

Pode-se inclusive dizer que foi o grande responsável pela resposta da Igreja a uma necessidade cada vez maior de abertura ao “mundo real” onde haveriam sociedades e irmandades destinadas a auxiliar os pobres, tanto espírito quanto materialmente.

A obra mais importante deste grande santo foi “Suma Teológica”, que apesar de não estar concluída, conseguiu rever grande parte da teologia dos cristãos sob uma nova ótica. Nesta obra Tomás de Aquino seguiu o princípio de Aristóteles: ordenar e classificar o mundo para então entendê-lo.

De tudo o que aqui foi descrito a principal informação sobre o tomismo que devemos nos recordar é que a relação razão – fé deve predominar como centro dos interesses dos filósofos, e claro, da filosofia. Para o monge apesar de a razão estar subordinada a fé, ela deve agir por conta própria, seguindo suas próprias leis. Sendo assim, o conhecimento não dependeria da fé, muito menos de uma verdade divina existente no íntimo de cada ser humano, para São Tomás de Aquino “a inteligência é uma potência espiritual”.

É válido dizer que os questionamentos levantados por este santo influenciaram, e muito, em conceitos científicos vigentes da época.