Volta ao mundo de Fernão de Magalhães


Nascido no ano de 1489, ao norte de Portugal, mais precisamente na cidade de Sabrosa, Fernão de Magalhães é conhecido por ser um dos grandes idealizadores da primeira viagem que conhecemos como circum-navegação do globo terrestre, que aconteceu no século XVI.

A viagem de volta ao mundo

No ano de 1517, Fernão de Magalhães foi até Sevilha e lá encontrou um adepto ao projeto de circum-navegação.

O bispo Burgos ajudou os idealizadores a conseguir a aprovação de Carlos V para o projeto. Então, teve início os preparativos para a grande viagem, que diga-se de passagem, foi marcada por diversos incidentes. Diogo Ribeiro, um cartógrafo português ajudou no desenvolvimento dos mapas que foram utilizados na expedição. A esquadra era composta por cinco navios, tendo um total de 234 tripulantes, na qual cerca de 40 deles eram portugueses.

Fernão de Magalhães

No dia 20 de setembro do ano de 1519, Fernão de Magalhães partiu de Sanlúcar de Barrameda, com 256 homens a bordo, rumo a circum-navegação ao globo terrestre.

Toda a viagem foi descrita no diário de um escritor italiano, chamado de Antonio Pigafetta. Vale ressaltar, que o próprio escritor pagou a viagem com seu dinheiro, e foi um dos 18 homens que sobreviveu a essa aventura. Muito do que se sabe sobre essa tentativa de volta ao mundo, se deve aos relatos desse viajante.

No dia 13 de dezembro, a esquadra chegou ao Rio de Janeiro, mas antes fez uma parada nas Ilhas Canárias e chegou até a América do Sul. Depois, ela seguiu caminho ao Sul, onde chegou a Puerto San Julian, que está localizada na extremidade do que hoje conhecemos como Argentina. Neste local, o capitão da expedição resolveu hibernar, o que gerou uma grande revolta dos tripulantes. No entanto, ele conseguiu controlar a situação utilizando de grande astúcia. Neste período, a nau conhecida como Santiago acabou sendo perdida durante uma viagem de reconhecimento. Mas, os tripulantes dessa navegação conseguiram ser resgatados, inclusive Fernão de Magalhães que acabou encontrando o estreito que atualmente leva o seu nome. Neste período também, a nau San Antonio também foi perdida, por causa de um motim, na qual Álvaro de Mesquita, o capitão e primo de Fernão de Magalhães, foi aprisionado pelos próprios tripulantes. Assim, teve início uma viagem de volta para o ponto de origem e eles conseguiram completar a viagem, mas durante o trajeto, foram espalhando diversas ofensas na Espanha contra a figura de Fernão de Magalhães.

A esquadra conseguiu atravessar o estreito somente no mês de novembro, e batizaram o oceano como Pacífico, uma maneira de contrastar todas as dificuldades que encontraram no estreito. Apenas quatro meses depois, a tripulação começou a ser dizimada, vítima da sede, da fome e das doenças, em especial o escorbuto. Vale ressaltar ainda que foi no Oceano Pacífico, que a expedição encontrou as nebulosas de Magalhães.

No mês de março do ano de 1521, a expedição chegou a Ilha de Ladrões, que atualmente conhecemos como arquipélago de Guam. Certo tempo depois, no dia 7 de abril, chegaram a Ilha de Cebu, que é conhecida nos dias de hoje como Ilhas Filipinas. Quase que instantaneamente, foi estabelecido com os nativos as trocas comerciais. Isso foi possível porque as dificuldades maiores dessa expedição haviam sido enfrentadas e vencidas. Apenas alguns dias depois, Fernão de Magalhães veio a falecer, vítima de uma emboscada na Ilha de Mactan com os nativos.

Sob as ordens de João Lopes Carvalho, a expedição seguiu caminho. Dois meses depois, Juan Sebastián Elcano assumiu o comando da nau.

A volta para casa

Como não haviam homens suficientes para operar a nau chamada de Concepción, os navegadores resolveram incendiá-la e partiram para Molucas, onde abasteceram o suprimento de especiarias. A nau Victoria acabou retornando sozinha para seu lugar de origem. Para isso, ela contornou pelo Sul o Oceano Índico, o que significou uma tentativa de fugir do encontro com navios portugueses. No ano de 1522, a nau dobrou o Cabo da Boa Esperança e fez uma parada em Cabo Verde. Lá, os portugueses aprisionaram alguns homens. A nau seguiu viagem e conseguiu chegar ao porto de San Lúcar de Barrameda, com apenas 18 homens na tripulação. Já Trinidad, permaneceu durante certo tempo em Molucas para realizar alguns reparos. A ideia era chegar à América Central através de uma rota existente no Oceano Pacífico. Lá, eles poderiam encontrar os espanhóis e roubar a sua carga. Mas, foram obrigados a voltar para Moluscas, e consequentemente, seus tripulantes acabaram sendo presos pelos portugueses.

Apesar de ter sido um dos idealizadores, apenas uma nau completou a circum-navegação ao globo terrestre. Isso aconteceu em setembro do ano de 1522, sob o comando do navegador Juan Sebastián Elcano. No entanto, isso não significou o ganho de benefícios no setor financeiro, já que a tripulação da nau não recebeu nenhum pagamento pelo feito.