Almeida Garret: Quem foi Almeida Garret?


O Romantismo em Portugal tem caráter diverso do brasileiro, enquanto aqui comemorava-se, em meio à grande ufania, orgulho nacionalista, a independência do país, em Portugal o fenômeno era inverno, já que o país havia perdido a maior de suas colônias, além de haver revoltas populares e um governo totalmente em crise. Uma burguesia inculta, de origem agrária e tradicionalíssima, insurge-se contra a nobreza e o clero, dando origem a revoltas e insubordinações de toda a espécie.

Nascido das necessidades burguesas de entretenimento, o Romantismo não pode ser definido apenas como uma manifestação na literatura. É, antes, um espírito de época que se manifesta em todas as artes, ou seja, na arquitetura, na música, na pintura, e principalmente, na literatura, ganhando uma dimensão de auxílio ao sonho e à fantasia.

Almeida Garret

Não é possível identificar esta escola apenas com o auxílio de umas poucas características. Se, por um lado, é triste e melancólica, por outro é alegre, louvando feitos históricos, grandes heróis e os amores realizados. Possui aspectos extremamente alienantes da realidade, que permitem a evasão do mundo daquela época. No entanto, observa-se, como nas obras de Castro Alves, a tendência libertária de combater as injustiças sociais. A família e a pátria, a religião e o amor são os temas mais frequentes deste tempo.

É interessante também notar que especialmente os romances e o teatro deixaram marcas nítidas de registros dos costumes sociais daquele tempo: desde as reuniões sociais até as vestimentas e os costumes políticos.

Oposto ao clássico, puramente racional, o romântico é voltado para a emoção farta e transbordante. Dá-se licença de tocar no coração, prefere-se o relativo, a fé, a liberdade. O romântico é sempre um exaltado, um apaixonado, um temperamental.

É preciso observar que o tal espírito de época é um jeito de ser, de viver a época. O sonho burguês de ser nobre, a maneira de comer, de dançar, de beber ou de conquistar, a vida em sociedade ou a política, as expressões da música, da arquitetura, da literatura e da escultura: tudo isso se revela um jeito especial de estar no mundo ou de tentar conquista-lo. Sobretudo conquista-lo.

Almeida Garret foi o responsável por introduzir o Romantismo em Portugal, através da publicação, em 1825 do poema Camões, iniciando-se dessa maneira na literatura e passando a seguir parâmetros estilísticos tipicamente neoclássicas. Acusado de ser obsceno engajou-se na Revolução Liberal Portuguesa e retirou-se do país diversas vezes, por ser um limitante combatido e perseguido.

Na França e na Inglaterra, ligares de exílio, tomaram contato com o Romantismo e as suas marcas, ou seja, o patriotismo, o subjetivismo, o medievalismo e ainda o caráter libertário.

Almeida Garrett voltou para Portugal quando os liberais saíram vitoriosos da Revolução. Assim, ele tomou parte do governo e ficou encarregado de reorganizar a vida cultural portuguesa: o teatro, a literatura e a pintura. Ao lado de Alexandre Herculano, Garrett foi um intelectual atrelado ao poder e escreveu prosa e poesia, além da magnifica peça Frei Luís de Sousa, no ano de 1843. De todos os seus romances, o mais conhecido é Viagens na minha Terra.

Folhas Caídas e Flores sem fruto foram duas obras dedicadas à viscondessa da Luz, Rosa de Muntúfar, paixão do escritor e seu amor impossível.

O período em que o autor viveu

Em Portugal, houveram três gerações românticas. A primeira geração, foi a nacionalista, medievalista, que aconteceu entre os anos de 1825 e 1840. Nesta primeira época, despontaram três nomes, a saber: Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho.

Alexandre Herculano e Almeida Garret aparecerão na prosa de características nacionalistas, que procura dar para Portugal um ar de importância que o país, já à época, tinha perdido, para tanto, buscam os modelos medievais de heróis, o assunto histórico, o passado glorioso. O medievalismo português instaura-se, principalmente, por esse motivo, entre mais outros.

Castilho acabou cultivando certo ranço neoclássico, gosto pelo acabamento formal e extrapolação do sentimentalismo e, como era cego, um fino gosto intuitivo.

A segunda geração do Romantismo é a ultrarromântica, que vai do ano de 1840 a 1850. É na prosa que esta geração ganhará destaque absoluto. A figura de Camilo Castelo Branco e seus romances e novelas passionais parecem corresponder plenamente aos anseios da alma portuguesa daquele tempo: grandes tragédias, mortes finais, amores desencontrados e infelizes. Na poesia, os temas da morte, a poesia cemiterial de Soares Passos.

A terceira geração marca a transição do Romantismo para o Realismo, acontecendo entre os anos de 1850 a 1865.

Esta última geração romântica é antecipadora de tendências realistas. Nela aparecem as novelas campesinas de Júlio Diniz, que retratavam sobretudo a burguesia agropecuária. Na poesia, ressalta-se o trabalho de João de Deus, um poeta dedicado aos temas do amor e da natureza, mas que não deixou também de atacas duramente o regime do país.