Autores Árcades


Cláudio Manuel da Costa

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) nasceu em Vila do Ribeirão do Carmo, onde hoje fica Mariana, em Minas Gerais. Depois de estudar no Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro, foi para Coimbra, Portugal, onde se formou em Direito. De volta ao Brasil, passou a exercer a advocacia em Vila Rica.

Entre os brasileiros, Cláudio foi o mais preso aos modelos arcádicos. É em sua obra que o lirismo pastoral, característico da poesia do período, apresenta-se com mais nitidez.

Árcades

Além do livro Obras – considerado o marco inicial do Arcadismo no Brasil -, publicou o poema Vila Rica, de exaltação à cidade mineira, e Fábula do Ribeirão do Carmo.

Basílio da Gama

Basílio da Gama (1741-1795) nasceu nos arredores de São José d’EL-Rei, onde hoje fica Tiradentes, em Minas Gerais. No Rio de Janeiro, estudou no Colégio dos Jesuítas e, depois, cursou a faculdade de Direito em Coimbra, Portugal.
Acusado de simpatia para com as causas jesuíticas, em 1768 foi preso e condenado ao desterro em Angola, mas se livrou da prisão por escrever um poema em ho­menagem à filha do Conde de Oeiras, futuro Marquês de Pombal, homem forte de Portugal naquela época.

Instalados nas missões jesuíticas do atual Rio Grande do Sul, os índios e os jesuítas recusavam-se a aceitar as decisões do Tratado de Madrid, firmado entre Portugal e Espanha em 1750, determinando a cessão da Colónia dos Sete Povos das Missões a Portugal.

Contendo cinco cantos, o poema inicia-se pela reunião das tropas portuguesas e espanholas e pela narrativa das causas do conflito, feita por Gomes Freire de Andrade. O segundo canto é dedicado à narrativa da batalha travada entre os indígenas e os conquistadores brancos, cabendo a vitória aos portugueses e espanhóis.

No terceiro canto, o cacique Cacambo incendeia o acampamento dos brancos e foge. Depois de voltar à sua aldeia, encontra o jesuíta Balda, que o prende e o mata. Ainda nesse canto, uma velha feiticeira faz com que Lindoia, mulher de Cacambo, contemple no sonho a cidade de Lisboa destruída pelo terremoto de 1755 e, depois, reconstruída pelo Marquês de Pombal, a expulsão dos jesuítas e o fim das suas missões do Sul.

O quarto canto apresenta os preparativos para a cerimónia de casamento de Lindoia com o indígena Baldeta, protegido do jesuíta Balda. Não desejando casar-se, Lindoia deixa-se picar por uma cobra venenosa e morre. Nesse mesmo tempo, as tropas portuguesas e espanholas já se achavam nas cercanias da aldeia. Os indígenas, então, fogem e abandonam a cidadela.

Por fim, o quinto e último canto descreve o templo religioso, os crimes cometidos pelos jesuítas da Com­panhia de Jesus e a prisão dos religiosos.

Embora o poema pretenda realçar os feitos bélicos dos colonizadores, ganham destaque o choque de cul­turas (europeia e ameríndia) e a exaltação do indígena e da paisagem brasileira.

O Céu na Terra

As missões tinham tudo para dar certo. As plantações eram coletivas; os lucros, divididos por igual. Sob o comando dos jesuítas, em pleno século 17, cerca de 130 mil índios guaranis criavam gado, planta­vam arroz, trigo e exportavam erva-mate. Nas florestas do Novo Mundo, produziam-se harpas, violinos e esculturas. Boa parte iria parar nas academias de música e nas catedrais europeias. Os “selvagens” revelavam-se profissionais habilidosos: havia pintores, carpinteiros, alfaiates e até relojoeiros. Tinha tudo para dar certo. Mas não deu.

Com a assinatura do Tratado de Madrid, em 1750, foi celebrada uma permuta territorial: os portu­gueses entregaram a Colônia de Sacramento, às margens do Rio da Prata, aos espa­nhóis, e estes cederam aos primeiros os Sete Povos das Missões, no atual Rio Grande do Sul. Pelo acordo, índios e jesuítas deveriam abandonar suas povoações e ir viver do outro lado do Rio Uruguai, na atual Argentina, levando apenas seus bens móveis. A resistência dos guaranis provocou a ira das coroas. Os exércitos coloniais arrasaram todas as reduções. Tempos depois, os jesuítas foram expulsos da América, dei­xando os guaranis ao deus-dará. Foi o golpe de misericórdia nas prósperas e revolucionárias comunidades mis­sionárias. […]

Santa Rita Durão

Nascido em Minas Gerais, Santa Rita Durão (1722–1784) estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro e doutorou-se em Filosofia e Teologia na Universidade de Coimbra, Portugal.

Apegado ao modelo camoniano, Durão escreveu o poema épico Caramuru, publicado em Lisboa em 1781, doze anos depois de O Uraguai, de Basilio da Gama.

Tratando da colonização da Bahia no século XVI, o Ca­ramuru, nos seus dez cantos, apresenta longas narrações de fatos históricos e lendários e detalhadas descrições dos costumes indígenas e da paisagem brasileira.

Chamado de Caramuru – o “Filho do Trovão” – pelos tupinambás, o herói do poema é o português Diogo Álvares Correia, personagem que naufragou na costa da Bahia anos depois do descobrimento.