Autores de Livros Memorialistas ou Autobiografia


Livros de autobiografia, também chamados de memorialistas, são obras escritas por autores que falam de si mesmos. Neste tipo de gênero literário, a própria pessoa narra a história de sua vida ou suas memórias, em forma de prosa, contos ou poesia.

Nem sempre o narrador possui talento para a escrita, para isso pode recorrer a um jornalista ou escritor para atuar como “ghostwriter”, também chamado de “escritor fantasma”, que passará para o papel todas as memórias do biografado, transformando histórias, pensamentos e sentimentos em narrativas literárias. Por isso, em alguns casos, os autores de livros memorialistas não são realmente os escritores, mesmo com a narrativa em primeira pessoa ou em formato de diário.

Livros Memorialistas ou Autobiografia

Autobiografias x Biografias

Nas autobiografias, os autores narram suas memórias em primeira pessoa. Esse gênero literário inclui manifestações como confissões, memórias e cartas, que revelam sentimentos íntimos e a experiência do autor. Nas obras geralmente são relembradas suas memórias, por isso o nome de “livros memorialistas”. Muitas frases são comuns nesse tipo de escrita como “eu me recordo”, “nunca esquecerei”, comuns às lembranças sobre o próprio narrador, que muitas vezes se questiona sobre suas escolhas, reflete sobre o seu passado, dentre outros aspectos.

Nas biografias, as memórias são contadas por relatos dos biografados ou histórias de familiares e amigos, pesquisas, documentos históricos e notícias divulgadas na imprensa. Nesse caso, a temática não são as memórias e, sim, a própria vida de uma pessoa, daí o domínio da narrativa em terceira pessoa. Em alguns casos, a história do biografado pode ser reconstruída durante anos.

Muitas dessas obras não são autorizadas pelas pessoas citadas nos textos, principalmente no caso de pessoas famosas. Recentemente, o Brasil enfrentou uma polêmica a respeito das biografias não-autorizadas, que passa pela dualidade entre a liberdade de expressão e o direito de zelar pela intimidade de um indivíduo, além da falta de remuneração direcionada aos biografados.

Um dos casos mais famosos aconteceu em 2007, quando Roberto Carlos conseguiu proibir na justiça a circulação da biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, escrita por Paulo César Araújo. Uma editora chamada Planeta chegou a lançar o livro, mas teve de recolher toda a tiragem das livrarias do país.

Somente neste ano de 2015, as biografias não-autorizadas foram liberadas no Brasil. A votação dos ministros do Supremo Tribunal Federal garantiu a vitória da causa por unanimidade.

No caso dos autores de autobiografias ou livros memorialistas, o escritor é narrador, autor e responsável pelo conteúdo, e, consequentemente, receptor dos lucros das vendas das obras. Ele também responde sobre possíveis citações de pessoa que não autorizaram a sua menção nos livros.

Autobiografias e seus autores

Diversos autores memorialistas escreveram suas próprias biografias e deram notoriedade a esse tipo de literatura, até mesmo na vida acadêmica. Nomes como o dos franceses Jean Paul Sartre e sua companheira Simone de Beauvoir são os mais conhecidos como escritores de autobiografias, dentre elas “The Words” – ou “As palavras”-, “Memórias de uma moça bem-comportada” e “La Force de l’âge”.

Outro exemplo conhecido é o da jovem judia Anne Frank, que teve os diários reunidos no livro “O Diário de Anne Frank”, publicado após a sua morte durante o Holocausto. Uma autobiografia recente e muito famosa é o da menina Malala Yousafzai, uma ativista paquistanesa e a pessoa mais nova a ser laureada com um prêmio Nobel. O livro nomeado de “Eu sou Malala”, já é um recorde de vendas.

* Histórico de autobiografias

Na cultura japonesa, no período da Antiguidade Clássica, as autobiografias já eram comuns, mesmo com as poucas indicações de quem eram os autores. Nesse período, na Grécia, livros memorialistas dos imperadores Marco Aurélio e Júlio Cesar também se destacavam.

Na Idade Média, surgiram umas das primeiras grandes autobiografias, chamada de “Confissões”, escrita por Santo Agostinho e com forte influência para a filosofia e religião. No período renascentista, Gibbon escreveu a obra “Memoirs of my life and writings”, considerada uma das melhores autobiografias já lançadas. A obra só foi publicada em 1795, por sua filha.

Nos Estados Unidos, o livro “Autobiography” de Benjamim Franklin foi um grande destaque. Já na França, a obra-prima do gênero autobiográfico foi “Les Conféssion”, de Jean-Jacques Rosseau que antecipou a mentalidade romântica do século XIX.

* Autobiografias no Brasil

No Brasil, o plano das autobiografias se destaca até hoje pela profundidade narrativa dos seus autores, que se divergem e ganham força a cada momento histórico brasileiro ou simplesmente por trazerem memórias tão próximas a quem cresceu e viveu no país.

Um dos primeiros autores memorialistas foi Joaquim Nabuco, com o livro “Minha Formação”. Ao longo dos anos, outros nomes se destacaram como Graciliano Ramos (Infância), Oswald de Andrade (Sob as Ordens de Mamãe), Helena Morley (Minha Vida de Menina), Afonso Arinos de Melo Franco (A Alma do Tempo, Formação e Mocidade; A Escalada e Planalto), Pedro Nava (Baú de Ossos), este com influência de Marcel Proust.

Outros nomes da literatura autobiográfica brasileira são Antônio Prata, com o livro “Nu, de Botas”, e Marcelo Rubens Paiva, com “Feliz Ano Velho”, que relata o acidente que o deixou tetraplégico depois de um mergulho em um lago.