Autores do Romance Sertanejo ou Regionalista


De tempos em tempos, a literatura passa por profundas modificações, não só em relação aos temas abordados, mas também em relação à maneira de abordar tais temas. E foi justamente isso o que ocorre com diversos autores do romantismo brasileiro.

Para que possamos entender as características do Romantismo no Brasil, é necessário recorrermos aos fatos que marcaram o período – primeira metade do século XIX -, já que eles influenciarão diretamente no movimento literário. Na Europa, Gutemberg inventa sua famosa presa móvel, uma obra de tipografia ímpar que permitiu que livros e jornais fossem produzidos em série. Esta invenção foi uma verdadeira revolução, pois através dela o livro, que até então era considerado um artefato de extremo luxo, tornou-se um objeto passível de ser adquirido por pessoas de classes mais baixas.

Romance Sertanejo ou Regionalista

No Brasil, o fator mais marcante foi a vinda da corte real para o Brasil. Esse acontecimento foi responsável por deslocar o centro político de Salvador para o Rio de Janeiro e inaugurou a produção de uma literatura genuinamente brasileira, pois até então o sistema de ensino e o acesso a bibliotecas era limitado às elites, o que obviamente interferia na quantidade e qualidade da literatura na colônia. Outro relevante aspecto deste período foi a questão da escravidão: o Brasil ainda possuía um sistema econômico baseado fortemente no trabalho escravo, e isso se reflete, de forma mais ou menos crítica, nas produções literárias do período.

Portanto, o livro como objeto acessível, melhores condições de acesso à educação, o questão escravista e a chegada da família real no Brasil despertaram um forte sentimento nacionalista na população. E é justamente este sentimento nacionalista o responsável pelas produções do romance regionalista ou sertanejo.

Temas brasileiros como o centro das produções literárias 1

A literatura produzida por autores do Brasil era fortemente influenciada pela estética e formas de narrativa provenientes da Europa, especialmente França e Inglaterra.

Buscando se afastar dessa estética europeia e ao mesmo tempo criar uma estética literária genuinamente brasileira, os autores brasileiros voltaram-se aos temas com uma brasilidade ímpar: o sertanejo e outros aspectos relevantes de diferentes regiões do Brasil.

Dentre as regiões brasileiras exploradas pelos autores do romance regionalista, destacam-se o Nordeste, a região sul, o planalto paulista e o interior do estado do Rio de Janeiro. O principal objetivo era destacar os valores, comportamentos, traços de personalidades e outros aspectos, tanto subjetivos quanto psicológicos, dos habitantes desses lugares.

Todos os lugares retratados nos romances sertanejos eram idealizados, sempre descritos em um tom heroico e grandioso. O principal objetivo, como é possível inferir sem grandes dificuldades, era criar a imagem de um país esplendoroso e grandioso, impossível de ser comparado com qualquer outro do mundo, em especial aos do continente europeu.

Apesar dessas características, os romances regionalistas eram dedicados quase que exclusivamente à classe média brasileira que vivia em centros urbanos, já que o conhecimento e os livros para o sertanejo não tinham valor, chegando mesmo a serem vistos como algo perigoso para suas famílias.

Autores do romance sertanejo 2

São quatros os autores considerados como principais expoentes do romance sertanejo ou regionalista, a saber:
-Franklyn Távora: autor de extrema relevância no cenário do romantismo regionalista. Suas obras se passam no Pernambuco de sua época. O autor acreditava na separação do Brasil entre norte e sul, pois segundo ele só assim seria possível chegar a uma literatura genuinamente brasileira. Entre suas obras, os destaques ficam por conta de “Um casamento no Arrabalde”, “O cabeleira”, “O mulato” e “O sacrifício”;
-Visconde de Taunay: membro da elite carioca foi um importante político de seu tempo, chegando inclusive a defender a abolição da escravidão. Suas obras revelam seu vasto conhecimento sobre o território brasileiro e sobre questões de cunho social e político, e justamente por este motivo são obras de cunho mais realista e menos romântico. Suas principais obras são “Inocência” e “A retirada da Laguna”;
-Bernardo Guimarães: mineiro de nascença, conta com uma obra no currículo que chegou a tornar-se obra de dramaturgia. Apesar de ser tido como o precursor do movimento, é muito criticado pela falta de originalidade em suas obras, que empregam sempre a mesma fórmula. Todavia, vale a leitura de sua obra pela extrema simplicidade e elegância do texto e narrativa. Na bibliografia do autor estão presentes as obras “O ermitão de Muquém”, “O garimpeiro”, “O seminarista”, “A escrava Isaura” e “O pão de ouro”;
-José de Alencar: talvez o mais conhecido dentre os autores do romance regionalista. Apesar de cearense por nascença, suas obras se passam na região sul e conta com heróis regionais ou históricos. Foi um grande crítico da presença dos portugueses no país. Suas obras são muito próximas à realidade e costumam enfocar personagens femininos. É autor dos romances “O sertanejo”, “O gaúcho”, “Til” e “O tronco do ipê”.

Portanto, todos esses autores foram peças-chave e ativas do romance sertanejo, movimento literário que deu início a uma literatura genuinamente brasileira, abrindo espaço para a produção de outros grandes autores nacionais.