Autores do Romantismo Brasileiro


Manuel Antônio de Almeida

O carioca Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) formou-se em Medicina, mas jamais exerceu essa profis­são, dedicando-se ao Jornalismo. Como escritor, escreveu um só romance: Memórias de um sargento de milícias, publicado, em forma de folhetins anônimos, entre 1852 e 1853.

Diferentemente das obras românticas produzidas na época, em Memórias de um sargento de milícias não há o herói característico nem o vilão dos folhetins românticos, mas, sim, um malandro simpático que leva uma vida corriqueira, igual à de muitos outros habitantes da cidade do Rio de Janeiro: Leonardo Filho.

Romantismo Brasileiro

Manuel Antônio de Almeida desenvolve em seu livro uma descrição de tipos, ambientes e costumes da socie­dade carioca do começo do século XIX.

Leonardo Filho é o primeiro anti-herói da literatura brasileira. Não é um herói romântico característico presente em poemas de Álvares de Azevedo nem bonito e forte como o Peri, de José de Alencar. É um anti-herói malandro, endiabrado que, abandonado pelos pais aos 7 anos, passa a ser criado por um padrinho (barbeiro) excessivamente tolerante com suas loucuras e por sua madrinha (parteira).

Malvisto por todos os vizinhos, ele é tido como incorrigível na escola. Na adolescência, apaixonou-se por Luisinha, pessoa tímida e desajeitada, que acaba se casando com um malandro do Rio de Janeiro.

O período compreendido entre a perda do padrinho, até os 21 anos, é marcado por mil peripécias: os embates com o severo major Vidigal, chefe da milícia local, seu amor pela mulata Vidinha e o reencontro tempos depois com Luisinha e o casamento, configurando-se num final feliz clássico do Romantismo.

Joaquim Manuel de Macedo

Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), nascido em São João do Itaboraí, Rio de Janeiro, estudou Me­dicina, tendo se diplomado aos 24 anos. Em 1844, publicou um dos mais importantes livros do Romantismo brasileiro: A Moreninha. Grande sucesso de público e de crítica, Macedo resolveu abandonar a Medicina e seguir as letras, tendo se dedicado ao jornalismo, à dramaturgia, ao romance e até à poesia. Escreveu dezessete obras. Com A Moreninha, um romance extremamente sen­timental, sem grandes conflitos e um enredo açucarado, Macedo ganhou projeção nacional.

Acima de tudo, a sua importância na história lite­rária advém do fato de conquistar os leitores para uma ficção voltada para temas e cenários locais, abrindo caminho a escritores de maior significado. A Moreninha até hoje é a sua obra mais conhecida. Apesar da superficialidade da trama, há no texto um tom alegre e descompromissado que ainda diverte.

Visconde de Taunay

Alfredo Tescragnolle Taunay, mais conhecido como Visconde de Taunay, nasceu no Rio de Janeiro em 1843. Era filho do Barão de Taunay, famoso por ser mentor do imperador D. Pedro II e diretor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Pedro II e formou-se como engenheiro-geógrafo. Quando eclodiu a Guerra do Paraguai, serviu em Cuiabá.

Em 1870, publicou seu primeiro livro: A mocidade de Trajano, sob o pseudônimo de Sílvio Dinarte, e, dois anos mais tarde, finalizou A retirada da Laguna. Seu livro mais famoso e importante foi Inocência, publicado em 1872.

Taunay foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras ao lado de Machado de Assis. Faleceu em 1899. O romance Inocência é considerado a obra-prima do regionalismo do Romantismo. Seu enredo gira em torno do amor impossível entre a jovem Inocência, moça que vive no sertão do Mato Grosso, filha de Pereira, pequeno proprietário, e Cirino, prático de farmácia que se autopromovera a médico. Inocência estava jurada por seu pai a Manecão Doca, um vaqueiro da região.

Bernardo Guimarães

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (1825-1884) nasceu em Ouro Preto. Em 1847, matriculou-se na faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, e, com Álvares de Azevedo, fundou a Sociedade Epicureia. Era boêmio e bem-humorado. Enquanto escritor, colaborou como crítico literário na publicação Atualidades. Entre suas obras mais famosas estão: O semina­rista (1872), A escrava Isaura (1875) e A ilha maldita (1879).

Filha de um branco, o ex-feitor da fazenda, Mi­guel, e de uma escrava negra que a jovem mestiça não conhecera, Isaura não conhece em menina a crueldade da escravidão. Sua senhora a criou como filha da casa, oferecendo-lhe o mesmo tipo de refi­namento, modos e educação que uma moça branca e abastada teria. Mas quando a senhora morre, a fazenda e todos os escravos tornam-se posse do filho, Leôncio, a vida de que envolviam mulheres e morte, vivências trágicas, que marcaram suas breves vidas para todo o sempre, o que lhes causava um envelhecimento precoce.

Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo (1831-1852), um dos mais importantes autores da poesia romântica e também da prosa, escreveu um dos grandes clássicos da literatura brasileira, o livro de contos Noite na taverna, de 1878. Nessa obra, vários jovens numa taverna decadente be­biam, divertiam-se e relatavam suas experiências de vida

Franklin Távora

Franklin da Silveira Távora (1842-1888) nasceu no Rio de Janeiro. Advogado, Franklin Távora defendeu uma literatura voltada ao Nordeste, acusando o Sul do Brasil de receber influências exageradas da cultura estrangeira, em especial a europeia.

Entre suas obras mais importantes, está O cabeleira (1876). O cabeleira é apresentado pelo autor como uma história real, não fictícia. Ele pode ter existido e seu nome seria José Gomes, bandido cujas crueldades aterrori­zaram Pernambuco durante o século XVIII.

Martins Pena

Luís Carlos Martins Pena nasceu no Rio de Janeiro em 1815. Faleceu em Lisboa em 1848. Dedicou-se à literatura, às línguas francesa, inglesa e italiana, idiomas em que adquiriu notável fluência. Entre suas obras, duas se destacam: O juiz de paz da roça (1838) e O noviço (1845). É um dos mais influentes nomes do teatro o romântico.