Autores do Simbolismo – Biografia de Eugênio de Castro e Oaristos, Antônio Nobre e Camilo Pessanha


O início do Simbolismo português está certamente ligado à publicação de duas revistas acadêmicas em 1889. Os insubmissos e Boêmia Nova, mas é em 1890 que Eugênio de Castro publica Oaristos, cujo prefácio, espécie de plataforma do Simbolismo em Portugal, revolucionário e diferente, causa estranheza e escândalo. O Simbolismo é uma escola especial, mediadora dos conceitos convencionais da literatura e da modernidade que se instala, experimentadora, no final do século XIX, por meio da reinvenção de palavras. Mallarmé, na França por exemplo, é um desses inovadores.

Eugênio de Castro e Oaristos

O livro de Eugênio de Castro é composto de 15 poemas em que predominam a musicalidade; além disso, há o uso excessivo das aliterações, emprego sistemático de rimas raras; uso de palavras exóticas.

Autores do Simbolismo

O autor nasceu na cidade de Coimbra, em 1869 e nela morreu em 1944. Fez o curso de Letras em Lisboa e, ainda estudante publica alguns livros, mas sem se tornar conhecido. Após a formatura vai a Paris e entre em íntimo contato com o Simbolismo francês; na volta a Portugal é que lança a revista Os insubmissos (1889) e, no ano seguinte seu livro Oaristos.

Com certeza, Eugênio de Castro é um dos injustiçados quanto à fama: foi autor de poemas que nos mostram uma musicalidade sem precedentes em Portugal ou no Brasil. Além da musicalidade, o uso de sinestesias é outro apelo muito forte no poeta.

As obras principais desse autor são: Oaristos, publicado em 1890, Horas publicado em 1891, Belkiss, publicado em 1894, Tirésias, publicado em 1895, Sagramor, publicado em 1895 e Salomé e outros poemas, publicado em 1896.

Antônio Nobre (1867 – 1900)

Nascido no Porto onde fez seus estudos iniciais, parte para Coimbra, como faria qualquer rapaz de sua classe social, na época a fim de fazer o curso preparatório, ingressando na universidade para cursar Direito. Decepcionado com a vida acadêmica portuguesa, é em Paris que vai buscar alento para fazer outros cursos. Lá, entra em contato direto com o Simbolismo francês, o que, sem dúvida alguma, será de fundamental importância para a feitura de sua poesia.

Em 1892 publica, ainda na França, o livro Só, única obra editada em vida. Já formado e sentindo os primeiros sintomas de uma tuberculose que posteriormente o mataria, volta a Portugal e, depois, perambula pela Ilha da Madeira, Suíça e Nova Iorque. Volta a Portugal, onde falece.

Antônio Nobre sofreu grande influência de Paul Verlaine: musicalidade, melancolia e tédio marcam sua poesia delicada, de traços nitidamente femininos, sentimentais e emotivos. Aparecem em seus poemas a sinestesia, o spleen.

Um tema caro ao poeta é a infância e as imagens que retira dela: detalhes, sugestões, manchas de recordações, misturados aos ambientes provincianos de Portugal. É pessimista, inconformado. Usa um toma marcadamente coloquial.

Suas principais obras são: Só, publicado em 1892, Despedidas, publicado após a sua morte, no ano de 1902, e Primeiros Versos, publicado também depois de sua morte, em 1921.

Camilo Pessanha (1867 – 1926)

É, sem nenhum tipo de dúvida, o mais importante poeta simbolista de Portugal. Nascido em Coimbra, filho natural de um estudante e de uma moça do povo, Camilo Pessanha partiu para Macau no ano de 1894 para lá exercer as funções de processor secundário. Vale ressaltar que apesar de Macau estar localizado na China, falasse português.

Vai aos poucos se orientalizado e raramente, a não ser para tratamento de saúde, volta para Portugal. Em 1915, nessas estadas por motivo de saúde, deixa seus versos com o amigo João de Castro Osório que, organizando-os, leva adiante a ideia de publicar Clepsidra, cujo significado é relógio de água.

Viciado em ópio, substância que se extrai dos frutos imaturos de diversas espécies de papoulas, e que é utilizado como narcótico, e atormentado com a distância da pátria, é acometido de uma tuberculose que acelera sua morte. Morre em Macau. Além de Clepsidra, publicou também uma coletânea de artigos sobre o país onde viveu quase toda a sua vida: China, publicado em 1944.

Camilo Pessanha é considerado o mais autêntico, o mais importante e o mais singular entre todos os simbolistas de Portugal. Entre as características de suas obras, ele busca sempre captar o vago, o que é sutil, o quase intraduzível em palavras; as sensações da alma; a musicalidade delicada e fina; expor os estados indefiníveis da alma que sofre e a fuga ao tom declamatório ou retórico.

Se, por um lado, o Parnasianismo pode ser entendido como gosto, ainda que duvidoso, pelo esteticismo, da arte pela arte e do descritivismo, a negação do sentimentalismo romântico, seria importante entender o simbolismo como uma busca para fugir a esse racionalismo na poesia e agasalhar dentro de si as noções desprezadas pelos parnasianos: o individualismo, a emoção, a redescoberta das sensações.