Autores Românticos


ÁLVARES DE AZEVEDO (São Paulo, 1831 – Rio, 1852)

Mistura versos agudos (rimas com palavras oxítonas) e graves (rimas com palavras paroxítonas) em metros variados. Preferência por um vocabulário ora mórbido, satânico e depressivo, ora impregnado de sarcasmo, ironia e malandragem, principalmente na captação de elementos que compõem o J universo urbano de um estudante de Direito da época. É o melhor representante do ultra-romantismo no Brasil, tendência que na Europa era chamada de “ennui” ou “mal-du-siécle” (França) e “spleen” (Inglaterra).

Macário: peça de teatro em que o protagonista, jovem deslumbrado com os encantos secretos da vida na província, dialoga com Satã, estranho cicerone que se incumbe de lhe apresentar São Paulo.

românticos

Noite na Taverna: narrativas fantásticas que são contadas por um grupo de amigos – Solfieri, Bertram, Johann, Gennaro, Claudius Hermann e Arnold. – à roda de uma mesa de taverna, numa noite escura de tormenta. O condimento não poderia ser mais satânico: casos de violentação, incesto, necrofilia, traição, antropofagia, corrupção, assassinatos por vingança ou por amor.

que se propusera, o poema Os Escravos, na verdade uma série de poesias em torno do tema da escravidão. Em 1870, numa das fazendas em que repousava, havia completado A Cascata de Paulo Afonso, publicado em 76 como A Cachoeira de Paulo Afonso, parte do empreendimento, como se vê pelo esclarecimento do poeta: Continuação do “Poema dos Escravos” sob o título de Manuscritos de Stênio. Em nossos dias, o benemérito Afrânio Peixoto juntou-se aos outros versos do ciclo para compor o que resta do poema, assim como reuniu também as poesias líricas esparsas, sob o título que o poeta lhes destinava: Hinos do Equador.

Principiada em vida, a popularidade de Castro Alves não decresceu, sucedendo-se as edições dos seus versos.

ANTÔNIO DE CASTRO ALVES (Curralinho, hoje Castro Alves, BA, 1847 – Salvador, 1871)

ANTÔNIO DE CASTRO ALVES nasceu em 1847, na zona rural de Curralinho, Bahia, filho do médico Dr. Antônio José Alves, mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, e sua mulher Clélia Brasília da Silva Castro, falecida quando o poeta ia pelos doze anos. Viveu na fazenda natal das Cabaceiras até 1852 e, ao mudar pouco depois com a família para a capital, estudou no famoso Colégio Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, onde foi colega de Rui Barbosa e demonstrou vocação apaixonada e precoce para a poeste, atém de gosto e facilidade para o desenho.
No fim do ano o drama é representado com êxito enorme, mas o seu espírito se abate pela ruptura com Eugenia Câmara, que o abandona por outro homem. A descarga acidental de uma espingarda lhe fere o pé esquerdo, que, sob ameaça de gangrena, é afinal amputado no Rio, em meados de 69. Voltando à Bahia no fim deste ano, passa grande parte do seguinte em fazendas de parentes, à busca de melhoras para a saúde comprometida pela tuberculose.

condoreirismo: o condor é signo de liberdade. A poesia condoreira é a poesia libertária. Em Castro Alves, o anseio de liberdade faz de seu lirismo um canto humanitário, comprometido com o abolicionismo e com a causa republicana.
sensualismo: num sentido amplo, dizemos que a poesia de Castro Alves é sensual porque os sentidos são valorizados na captação do real. Por isso sua poesia enfatiza tanto a natureza, compondo um lirismo plástico encantador. Num sentido restrito, dizemos que a sua lírica amorosa é sensual por que o amor físico satisfeito é tematizado com insistência e erotismo.

CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS

verbalismo: a poesia de Castro Alves, mormente a social, incorpora a retórica, o tom discursivo e deblaterante. A torrente de palavras compõe um estilo grandiloquente, que visa cativar o leitor ou ouvinte e convencê-lo da justiça da causa defendida.

Figuras Preferidas
hipérbole: figura de exagero, bastante útil como recurso de oratória quando se quer impressionar ou chamar a atenção do público.

apóstrofe

antítese: figura que consiste na aproximação dos opostos. Castro Alves sempre esteve atento para as disparidades e contrastes. Por isso sua poesia é tão rica em antíteses que, por sua vocação social, geralmente contrapõe luz e trevas, liberdade e escravidão, etc. metáforas arrojadas: a metáfora é uma comparação implícita, abreviada; consiste na transmigração de sentido de uma palavra para outra que guarde com a primeira uma relação de semelhança. As metáforas de Castro Alves são, não raro, incomuns e abriram novas possibilidades de imagens belíssimas para a poesia brasileira.