Características gerais do Romantismo


No dia a dia, costumamos falar de uma música, um livro, um filme ou um jantar românticos, mas não nos referindo ao Romantismo, importante movimento artístico do século XIX, que se manifestou na literatura, nas artes plásticas e na música. Esse romantismo a que cotidianamente nos referimos está geralmente associado à expressão dos sentimentos. O movimento romântico nas artes, no entanto, foi muito mais amplo.

Expressão artística de um pensamento que coloca no centro de sua visão de mundo o sujeito, suas paixões e seus valores, o Romantismo implantou uma nova visão do artista como criador individual e operou uma ampla e profunda renovação formal das artes.

Romantismo

Enquanto os neoclássicos seguiram com certo rigor os modelos clássicos, os românticos privilegiaram a liberdade de expressão. O espírito criativo tornou-se mais importante que a adesão a regras formais e procedimentos tradicionais, o que implicou o abandono dos artifícios arcádicos e das regras clássicas, substituídas pela livre iniciativa individual. Além disso, opondo-se à ordem, ao equilíbrio e à objetividade do Neoclassi­cismo, o movimento romântico privilegiou as paixões, as desmedidas e o subjetivismo.

No Romantismo, a natureza tornou-se mais expres­siva, podendo servir de refúgio ou de confidente dos personagens ou mesmo espelhar seu estado de espírito, em vez de ser apenas decorativa e servir de pano de fundo, como em geral figurava nos textos arcádicos.

A apreciação da natureza, a exaltação da emoção e dos sentidos em detrimento da razão e do intelecto, a valorização do folclore e da cor local, a consciência histórica, o acento na religiosidade e o abandono à solidão, ao devaneio, ao sonho e à evasão (no tempo e no espaço) são alguns outros traços característicos da literatura romântica.

No Romantismo, destacaram-se, na pintura, os franceses Eugène Delacroix e Théodore Géricault, os in­gleses Joseph M. W. Turner e John Constable, o espanhol Francisco Goya e o alemão Gaspar David Friedrich, assim como, na escultura, o francês Auguste Rodin.

Como exemplos da pintura romântica, apresentamos as telas O viajante sobre as nuvens, de Gaspar David Friedrich (1774-1840), e A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix (1798-1863).
A pintura de Friedrich revela a natureza expressiva, a atitude contemplativa do sujeito, a solidão. Já a tela de Delacroix, um dos mais importantes artistas românticos da França, detém-se sobre a história política do seu tempo, registrando a insurreição de 1830 contra o poder monárquico. A liberdade, simbolizada peta figura feminina que ergue a bandeira sobre as barricadas, representa a independência nacional.

Romantismo no Brasil

As primeiras décadas do século XIX testemunharam uma reviravolta significativa na vida da Colônia, tanto do ponto de vista político como cultural. Em 1808, a Família Real portuguesa – abandonando Lisboa por causa da invasão do exército napoleônico – instalou-se no Rio de Janeiro, declarando a cidade a nova sede do governo e promovendo melhorias que a transformaram em importante centro urbano.

Coincidindo com esse processo de emancipação política do país, que culminou com a Independência em 1822, o Romantismo tem para a nossa literatura excep­cional significação, por ser responsável pela fundação de uma literatura propriamente brasileira.

Em sua fase inicial, o Romantismo brasileiro iden­tifica-se com o projeto de “fundação do país”, impri­mindo em nossas letras a marca da nacionalidade e da peculiaridade local, “descobrindo” e exaltando a nação independente. Por isso, embora derive do Romantismo europeu, o movimento romântico no Brasil apresenta traços próprios, como, por exemplo, a valorização da figura literária do índio.

Observe as imagens a seguir. A primeira é uma famosa pintura de Pedro Américo, que de tão divulgada acabaram por erigi-la na própria imagem da independência, desprezando outras versões nascidas ainda no século XIX. A segunda, publicada no Diário Popular e ganhadora do Prêmio Esso de Fotografia em 1987, retrata moradores de uma favela, em São Paulo, tentando resistir à ação de policiais que cumpriam ordens para pro­mover a desocupação da área.

Pedro Américo (1843-1905) foi pintor, desenhista, professor, caricaturista e escritor. Sua pintura abrangeu temas bíblicos e históricos. Realizou também imponentes retratos, como o de D. Pedro II. Entre seus quadros históricos mais famosos estão Batalha no Avaí e independência ou morte.