Era Vitoriana


Não é preciso ser um grande especialista em História, nem mesmo ser dono de uma grande imaginação para, quando ouvir o termo “Era Vitoriana”, depender dessa titulação um nome próprio feminino: Vitória. Esse fato não é por acaso: a Rainha Vitória foi a grande responsável histórica por dar o nome para uma era temporal como um todo, tamanho o impacto da sua gestão política nas esferas sociais, culturais e antropológicas, incidindo como ninguém na sociedade britânica do século XIX, mais precisamente entre 1837 e 1901.

De um modo geral, a Era Vitoriana é caracterizada por um longo período de prosperidade e paz para o povo britânico como um todo, ainda mais quando pensamos e levamos em consideração as recorrências dos lucros exorbitantes adquiridos com a expansão do Império Britânico por meio das ações colonizadoras e imperialistas sobre os territórios da África e da Ásia.

Era Vitoriana

Muitos historiadores e pesquisadores da História Social da Inglaterra especificamente consideram que o início do chamado período ou Era Vitoriana pode se estender ao que diz a historiografia geral. O chamado Ato da Reforma de 1832 poderia ser considerado como a marca do verdadeiro início de uma possível nova era cultural, por assim dizer.

Um fato bastante curioso é que, durante a Era Vitoriana a população geral de todo o território britânico multiplicou-se por dois, isto é, dobrou de tamanho praticamente. Inicialmente, essa população da qual falamos batia os índides de 16,8 milhões de pessoas no ano de 1851, sendo que, ao final do ano de 1901, ela já alcançava o valor de 30,5 milhões de pessoas. A Irlanda, vizinha a Inglaterra e que, até aquele momento, ainda não havia conquistado sua independência da coroa britânica, possuía uma população de 8,2 milhões de pessoas que caiu praticamente pela metade, chegando a menos de 4,5 milhões de pessoas em 1901.

Assim que teve início a chamada Era Vitoriana, deu-se uma configuração específica na composição política da Câmara dos Comuns, que influenciou todo o desenrolar da atuação legislativa e, consequentemente, do poder executivo em todo o período que se seguiu. Trata-se, na verdade, da divisão da Câmara entre dois partidos: os whig, também conhecidos como os liberais, e os tories, que representavam os políticos ligados a uma atuação mais conservadora ou até mesmo reacionária frente aos avanços e progressos daquela época. Desta época, se destacam importantes nomes de políticos como o lorde Melbourne, o lorde Derby, o lorde Palmerston, sir Robert Pell, lorde Salisbury, além de outros nomes que só viriam se destacar mais ao fim da era mas que, ainda sim, seriam essencialmente associados a esse modo de fazer política bipartidarista tão característico das monarquias esclarescidas em que o rei é apenas representante do Estado, como é o caso da monarquia britânica.

A indústria da Grã-Bretanha de um modo geral manteve-se predominantemente têxtil e, empregava, ao mesmo que a indústria de vestuário, quase 40% da mão-de-obra industrial em 1880. Mas um fato muito importante dessa virada de tempo histórico que caracterizou tão fortemente a Era Vitoriana foi a transição lenta, gradual mas não necessariamente segura que modernizou ou, sob um outro ponto de vista mais refinado, incutiu tecnologia nos espaços vazios do desenvolvimento do maquinário capitalista. Não por acaso, a indústria siderúrgica também cresceu bastante e de forma extremamente rápida.

Outras importantes medidas econômicas que tomaram conta do cenário financeiro da Inglaterra da Era Vitoriana foram aquelas decorrentes da revogação dos Atos de Navegação, que foram instituídos por Oliver Cromwell durante o século XVII. Esse fato, na realidade, tem seu fundamento intimamente ligado ao crescimento naval de outras naçõs. A bem da verdade, esse fato estava, de uma maneira ou de outro, afetando o comércio da coroa britânica com o resto do mundo, bem como a economia inglesa de um modo geral.

Outro importante fator da época foi o não-envolvimento da Inglaterra em questões de guerra na própria Europa. Isso acabou por, de uma forma ou de outra, contruibuir com um desenvolvimento caracterizado por uma incidência maior de efetividade e produtividade do desenvolvimento econômico da época. É coerente lembrar que esse mesmo desenvolvimento já era bastante acelerado àquela época: não é por acaso que o que se instala diante de nossos olhos quando analisamos friamente a Era Vitoriana, é que a palavra “Vitoria” não dá nome por acaso a isso que podemos chama de “apogeu da prosperidade econômica da primeira fase ou onda do capitalismo britânico”.

A sociedade vitoriana

A sociedade vitoriana era bastante moralista e muito pródiga em seus conceitos e preconceitos, incitando uma série de valores bastantes severos sobre a formação cultural, moral e sobre tudo ideológica da época.

Os homens dominavam o espaço público de uma maneira muito explícita, restante às mulheres o lugar de submissão restrito a esfera privada, íntima – o ambiente dos lares, das residências, e, dentro da própria geografia das casas, o quarto, a cozinha e o banheiro.