Escritores do Romantismo: Contexto Histórico


É preciso ter perdido todo o espírito de rigor para tentar definir os vários romantismos existentes a partir da segunda metade do século XVIII, época de grandes impasses políticos e mudanças não menos radicais. O Romantismo não é apenas uma palavra simples usada para designar uma escola literária, é mais do que isso, é um modo de vida, um espírito de época que reflete o comportamento da sociedade, a política, a economia, os conceitos de pátria e família, artes e religião.

Em seu início e implantação, ou talvez por isso mesmo, definem-se muito rigorosamente as classes sociais: um operariado crescente, a alta e a média burguesia, o campesinato, e uma nobreza decadente, quase que apeada do poder e que, em breve, iria deixá-lo de maneira definitiva.

Escritores do Romantismo

Os românticos são, antes que uma geração, os componentes de uma época mais ou menos dilatada que nasce dentro do ritmo burguês: no início é otimista, francamente solidário e fraternal, onde louva-se o homem simples e bom, idealizam-se como temas os sentimentos, a natureza, a pátria, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. A partir do ano de 1789, com o advento da Revolução Francesa, tinge-se de teor revolucionário e melancólico.

Muitas vezes, o Romantismo acaba denunciando as misérias sociais e traz à tona as insatisfações, as tristezas, as desilusões, os tormentos da alma, a rebeldia e a agressividade, elementos e sentimentos bem típicos de um mundo em conflito, absorvendo o novo e as transformações que, mais tarde, gerarão o aparecimento das repúblicas.

Aparecem, na prosa, os folhetins, publicações semanais, quinzenais ou mensais, de histórias narradas em capítulos sequenciados, ao gosto da burguesia que agora consome a literatura e passa a pagar por ela. Assim, termina uma longa época de mecenato. Há o interesse dos autores de agradar o gosto burguês, com finais felizes ou trágicos, histórias de amores impossíveis entre pessoas de classes sociais diferentes. A burguesia, em particular, tornou-se uma espécie de dona da produção artística do período. Além do que, o Romantismo, como espírito de época, mobiliza um novo tipo de comportamento.

Desde a década de 1830, a prática de se publicarem os romances, aos capítulos, nos jornais, já era muito comum no Brasil. Tais publicações recebiam o nome de folhetins. O crítico literário e teórico da literatura, Massaud Moisés, atribui esse nome ao vocábulo de origem espanhola folletín, diminutivo de folheto em português. No Brasil, antes que Macedo publicasse A moreninha, no ano de 1844, eram comuns as traduções dos romances franceses e ingleses. Depois da década de 1840, os romances publicados através do jornal, de forma episódica, ganharam cores, personagens e ambiência brasileiras. Fizeram especial sucesso, eram lidos nas salas de visitas da burguesia, sinal de finesse intelectual e valorizados de maneira demasiada, embora alguns tivessem caráter tipicamente digestivo ou de apenas entretenimento.

Entre os anos de 1852 e 1853, em meio a folhetins açucarados, aparece o romance extemporâneo de Manuel Antônio de Almeida, autor de Memória de um sargento de milícias. Pela primeira vez, o herói romântico cedia lugar a um anti-herói brincalhão, e sem juízo e, por fim, bem sucedido ao lado de sua amada.

Características do Romantismo

O Romantismo apareceu devagar, como que tateando a necessidade de uma época. Isso porque desde os fins do século XVIII pode ser observado na Alemanha e na Inglaterra. Já na França, o Romantismo era predisposto a mudar totalmente as escrituras literárias anteriores, sobretudo pelas mãos de Vítor Hugo, que é considerado o maior dos românticos franceses. Há ainda um desejo intenso de liberdade criadora nessa época, de rebeldia contra as regras que eram impostas pelo Classicismo. A imobilidade quase perfeita do cenário clássico ou neoclássico é substituída pela paisagem exuberante, significativa e vibrante. O nativismo e o nacionalismo encontram apoio nos leitores para se desenvolver.

No entanto, pela presença constante dos heróis, algumas formas clássicas ainda permanecem: a epopeia é um bom exemplo disso, no mais, o poema político de defesa às liberdades e garantias individuais também se faz presente, da mesma forma que é bem-vindo o uso de sonetos ou de poemas de versos libres e estrofes irregulares.

O teatro por sua vez, faz uma crítica à sociedade e aos seus hábitos reprováveis, quando faz rir nas comédias de costumes. Além disso, criou também a representação do drama, uma tentativa de fundir o sublime das paixões com o grotesco de que o mundo, em algumas vez, é formado. Byron, Musset, Lamartine e Vigny são nomes extremamente importantes para essa concepção de um mundo rebelde, impetuoso e também novo, ou ainda, triste, escuro e cemiterial.

Sempre quando nos é exigido escrever ou falar a respeito do Romantismo, a primeira coisa que nos vem à cabeça é que foi uma escola literária triste e melancólica. Nada mais falso apenas parte dela, pode ser definida assim. Há ainda, uma palavra quase perjorativa que acompanha as inúmeras definições de Romantismo, o entretenimento.