Escritores do Romantismo: Os autores românticos portugueses


Almeida Garrett e Alexandre Herculano

O Romantismo em Portugal tem caráter diverso do brasileiro, enquanto aqui comemorava-se, em meio à grande ufania, orgulho nacionalista, a independência do país, em Portugal o fenômeno era inverno, já que o país havia perdido a maior de suas colônias, além de haver revoltas populares e um governo totalmente em crise. Uma burguesia inculta, de origem agrária e tradicionalíssima, insurge-se contra a nobreza e o clero, dando origem a revoltas e insubordinações de toda a espécie.

Os autores românticos portugueses

Almeida Garret foi o responsável por introduzir o Romantismo em Portugal, através da publicação, em 1825 do poema Camões, iniciando-se dessa maneira na literatura e passando a seguir parâmetros estilísticos tipicamente neoclássicas. Acusado de ser obsceno engajou-se na Revolução Liberal Portuguesa e retirou-se do país diversas vezes, por ser um limitante combatido e perseguido.

Na França e na Inglaterra, ligares de exílio, tomaram contato com o Romantismo e as suas marcas, ou seja, o patriotismo, o subjetivismo, o medievalismo e ainda o caráter libertário.

Almeida Garrett voltou para Portugal quando os liberais saíram vitoriosos da Revolução. Assim, ele tomou parte do governo e ficou encarregado de reorganizar a vida cultural portuguesa: o teatro, a literatura e a pintura. Ao lado de Alexandre Herculano, Garrett foi um intelectual atrelado ao poder e escreveu prosa e poesia, além da magnifica peça Frei Luís de Sousa, no ano de 1843. De todos os seus romances, o mais conhecido é Viagens na minha Terra.

Folhas Caídas e Flores sem fruto foram duas obras dedicadas à viscondessa da Luz, Rosa de Muntúfar, paixão do escritor e seu amor impossível.

Alexandre Herculano por sua vez, é o mais respeitado escritor romântico português. Nascido em Lisboa, fez colegial técnico e curso de Paleografia e Papirologia na Torre do Tombo. Foi um autodidata, ardoroso estudante de História de seu país, o que se reflete de maneira integral em seus romances.

Escreveu contos, poemas, crônicas, romances. Tal como Almeida Garrett, asilou-se na França, no ano de 1831. Lutou no exército liberal, sediado nos Açores. Portugal, sua gente, sua história, sua glória, são fatos que interessam imediatamente ao escritor que teve grande influência de Fernão Lopes. Quando passou a exercer as funções de Diretor da Biblioteca da Ajuda, escreve seus mais importantes romances. O primeiro deles foi escrito no ano de 1841, O Monge de Cister, e o segundo em 1843, Eurico, o presbítero. Esses dois romances formam o célebre ‘monasticon’ por tratarem de assuntos referentes aos monastérios.

Camilo Castelo Branco, Soares Passo, Júlio Dinis e João de Deus

Outro escritor do Romantismo em Portugal foi Camilo Castelo Branco, que é inegavelmente o mais conhecido escritor português romântico. Participante da segunda geração, seu ultrarromantismo fez dele o prosador mais lido de seu tempo, quer pelos temas de amor e sofrimento que abordou, quer pela quantidade de obras que escreveu, entre novelas e romances.

Vida boêmia, coração inquieto, apaixonado e atormentado, suas obras refletem exatamente o que foi esse famoso escritor. Introduziu em Portugal as chamadas novelas passionais, narrativas menos longas que os romances, publicadas na forma de folhetins nos jornais, traziam histórias de seres atormentados por impossíveis amores e que, geralmente, morrem por eles.

Próximas das tragédias, as situações de impasse vividas por suas personagens revelam o gosto popular que Camilo tão bem conhecia. Excepcional conhecedor da língua portuguesa, mobilizava-se para obter maior proveito nas paixões que descrevia. Escreveu contos, novelas, teatro e romances. A obra de Camilo pode ser dividida em três fases:

Na primeira fase aparecem os romances com característica do satânico e do macabro, personagens voltadas para ódios mesquinhos, vinganças. Aparecem também algumas novelas de caráter histórico. A segunda fase, é considerada a mais produtiva, estando voltada para o ultrarromantismo. Permanecem as aproximações com a tragédia, os elementos passionais estão em destaque. É a fase das chamadas novelas passionais. Na terceira e última fase, aparece uma linguagem coloquial, uma descrição pormenorizada. Há nessa fase, o que podemos classificar como antecipações realistas das obras camiliana.

Outro escritor romântico português foi Soares de Passes, que apesar de produzir em Portugal um determinado tipo de poesia não alcançou muito sucesso, a byroniana ou a ultrarromântica. Sua poesia foi extremamente criticada por uma corrente realista que já se fazia presente em Portugal.

O médico Joaquim Guilherme Gomes Coelho abrigava-se sob o pseudônimo Júlio Dinis quando publicava suas novelas campesinas que fizeram muito sucesso em Portugal. No ano de 1861, formou-se em Medicina, no Porto, e passou a dar aulas na universidade. Mas, a tuberculose o obrigou a renunciar a seus dons de docente. Esteve se recompondo fisicamente em vários lugares e, por fim, na Ilha da Madeira. O fato de ter que passar parte de seus dias em retiro no campo acabou determinando os temas de sua obra.

Seus romances possuem sempre finais especiais e feliz, há neles, no entanto, um certo direcionamento para o realismo, tanto na maneira como descreve suas personagens e ações, quanto na linguagem e na crítica social.

O poeta João de Deus fez Direito em Coimbra e exerceu largamente o jornalismo e a prática de escrever livros didáticos, manuais de leitura. Sua obra tem lastro popular, seus temas se voltam para a natureza, a mulher, as crianças, as flores, Deus e a beleza das paisagens e da vida.