Escritos do Romantismo: Um espírito de época


Nascido das necessidades burguesas de entretenimento, o Romantismo não pode ser definido apenas como uma manifestação na literatura. É, antes, um espírito de época que se manifesta em todas as artes, ou seja, na arquitetura, na música, na pintura, e principalmente, na literatura, ganhando uma dimensão de auxílio ao sonho e à fantasia.

Não é possível identificar esta escola apenas com o auxílio de umas poucas características. Se, por um lado, é triste e melancólica, por outro é alegre, louvando feitos históricos, grandes heróis e os amores realizados. Possui aspectos extremamente alienantes da realidade, que permitem a evasão do mundo daquela época. No entanto, observa-se, como nas obras de Castro Alves, a tendência libertária de combater as injustiças sociais. A família e a pátria, a religião e o amor são os temas mais frequentes deste tempo.

Um espírito de época

É interessante também notar que especialmente os romances e o teatro deixaram marcas nítidas de registros dos costumes sociais daquele tempo: desde as reuniões sociais até as vestimentas e os costumes políticos.

O Romantismo é mais do que apenas um espírito de época, e mais do que apenas uma escola literária. Mas ainda resta uma certa diferença: o que é a alma romântica e qual sua diferença da escola literária em si?

É preciso deixar claro que os temperamentos românticos, ou seja, aqueles voltados para os sentimentos, para a sensibilidade e a imaginação, sempre existiram em todas as épocas. Há por exemplo, uma enorme dose de romantismo nos poemas dos trovadores, nos árcades ou na lírica camoniana, mas no entanto, a escola literária, nasceu das necessidades de um século de grandes modificações, contido entre a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do XIX.

Oposto ao clássico, puramente racional, o romântico é voltado para a emoção farta e transbordante. Dá-se licença de tocar no coração, prefere-se o relativo, a fé, a liberdade. O romântico é sempre um exaltado, um apaixonado, um temperamental.

É preciso observar que o tal espírito de época é um jeito de ser, de viver a época. O sonho burguês de ser nobre, a maneira de comer, de dançar, de beber ou de conquistar, a vida em sociedade ou a política, as expressões da música, da arquitetura, da literatura e da escultura: tudo isso se revela um jeito especial de estar no mundo ou de tentar conquista-lo. Sobretudo conquista-lo.

O Romantismo em Portugal (1825 – 1865)

O Romantismo em Portugal tem caráter diverso do brasileiro, enquanto aqui comemorava-se, em meio à grande ufania, orgulho nacionalista, a independência do país, em Portugal o fenômeno era inverno, já que o país havia perdido a maior de suas colônias, além de haver revoltas populares e um governo totalmente em crise. Uma burguesia inculta, de origem agrária e tradicionalíssima, insurge-se contra a nobreza e o clero, dando origem a revoltas e insubordinações de toda a espécie.

É nesse clima que nasce o movimento em Portugal. No ano de 1825, Almeida Garrett lançou em Paris, Camões, um longo poema que pretendia heroicizar o maior poeta do século XVI, mas que acabou por transformar-se em uma biografia sentimental do autor de Os Lusíadas, dando origem assim ao Romantismo naquele país. Tal escola literária só teve fim no ano de 1865, por ocasião do embate gerado pela Questão Coimbrã.

Em Portugal, houveram três gerações românticas. A primeira geração, foi a nacionalista, medievalista, que aconteceu entre os anos de 1825 e 1840. Nesta primeira época, despontaram três nomes, a saber: Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho.

Alexandre Herculano e Almeida Garret aparecerão na prosa de características nacionalistas, que procura dar para Portugal um ar de importância que o país, já à época, tinha perdido, para tanto, buscam os modelos medievais de heróis, o assunto histórico, o passado glorioso. O medievalismo português instaura-se, principalmente, por esse motivo, entre mais outros.

Castilho acabou cultivando certo ranço neoclássico, gosto pelo acabamento formal e extrapolação do sentimentalismo e, como era cego, um fino gosto intuitivo.

A segunda geração do Romantismo é a ultrarromântica, que vai do ano de 1840 a 1850. É na prosa que esta geração ganhará destaque absoluto. A figura de Camilo Castelo Branco e seus romances e novelas passionais parecem corresponder plenamente aos anseios da alma portuguesa daquele tempo: grandes tragédias, mortes finais, amores desencontrados e infelizes. Na poesia, os temas da morte, a poesia cemiterial de Soares Passos.

A terceira geração marca a transição do Romantismo para o Realismo, acontecendo entre os anos de 1850 a 1865.

Esta última geração romântica é antecipadora de tendências realistas. Nela aparecem as novelas campesinas de Júlio Diniz, que retratavam sobretudo a burguesia agropecuária. Na poesia, ressalta-se o trabalho de João de Deus, um poeta dedicado aos temas do amor e da natureza, mas que não deixou também de atacas duramente o regime do país.