O Rei da vela: Resumo da obra


O Rei da Vela é uma peça teatral escrita por Oswald de Andrade, um dos principais representantes do movimento modernista brasileiro. Foi redigido em 1933 com o objetivo de retratar a década de 30 e as preocupações e compromissos sociais da época.

A peça foi considerada o primeiro texto modernista feito para teatro após a inserção da pintura abstrata nos cenários, afastando-os do realismo e do simbolismo. Anteriormente, apenas a encenação era considerada modernista, mas o texto de Oswald de Andrade aborda a sociedade decadente com a linguagem e o humor do modernismo.

O Rei da vela

A obra foi escrita após a crise de 1929, da Revolução de 30 e da Revolução Constitucionalista de 32 manifestando o desgosto de Oswald passando por vários escritórios de agiotagem para manter-se financeiramente. Esse contato com agiotas foi o motivo da designação de um deles como Rei da Vela, nome que deu origem a peça. Mas o texto, além de trazer a experiência do escritor, fornece os recursos da estrutura sócio-econômica do país.

Informações da crise financeira e a necessidade de Oswald de Andrade procurar os agiotas são dados importantes para a construção estética e dramatúrgica do seu texto. Os elementos em destaque na cenografia, imaginados pelo autor, são demonstrados em suas anotações e, mais tarde, transferidos para o texto.

Apenas depois de 30 anos, o Rei da Vela foi levado para os palcos paulistas introduzindo o movimento tropicalista. Sua primeira apresentação foi em 1968, causando grande impacto sobre o público que se manifestou de diferentes formas, desde declarações que classificavam o espetáculo como ridículo e pornográfico a opiniões que viam nele uma crítica a atualidade.

A iniciativa começou com o Grupo Oficina sob direção de José Celso Martinez Correa. Sua passagem pelos palcos foi um símbolo na história do teatro brasileiro.

Resumo da obra

A palavra vela, no título da peça, significa agiotagem, ou seja, empréstimo de dinheiros a juros altos.

O personagem principal, Abelardo I, é dono de uma empresa de agiotagem, Abelardo & Abelardo, que é o cenário do primeiro ato da peça. Seu sócio, Abelardo II, recebe clientes que saem da prisão. Os caloteiros são tratados co desprezo e crueldade. A noiva de Adalberto I, Heloísa de Lesbos, integrante de ma família tradicional, aparece para uma visita em seu escritório. Heloísa é salva da miséria pelo dinheiro de Adalberto.

O segundo ato se passa em uma ilha tropical, presente de Adalberto I para a noiva. Cria ali um clima de cunho sexual, onde Heloísa se envolve com Mr. Jones, norte-americano com quem Adalberto I mantém negócios. Adalberto por sua vez, se envolve com a sogra, Dona Cesarina, e combina outro encontro sexual com Dona Poloca, tia da noiva de 60 anos, cuja virgindade é anunciada a todo o momento.

Existe ainda João dos Divãs, mais conhecido como Joana, irmã lésbica de Heloísa e seu primo Perdigoto. Juntos os dois extorquem um empréstimo de Abelardo I para montar uma milícia fascista para atacar os camponeses que querem invadir a sua propriedade.

O terceiro ato volta ao escritório Abelardo & Abelardo. Abelardo I lamenta sua falência e com um revólver na mão vira-se para os espectadores e anuncia que eles presenciaram um fim digno: o suicídio. Sem conseguir concluir o ato, o protagonista pede ajuda a Ponto, auxiliar de cena, mas o mesmo se recusa a ajudá-lo. As cortinas se fecham e ouvem-se salvas de canhões e um grito de mulher. Quando a cortina reabre, Abelardo I está caído sobre uma cadeira e Heloísa deita em uma maca.

Abelardo II entra em cena com roupa de ladrão e assume o estado de herdeiro dos negócios de agiota e noivo de Heloísa.

Na ilusão que precede a morde de Abelardo I, ele ouve sinos. O suicida pede uma vela e seu desejo de morrer é atendido.

Heloísa chora morte do noivo e em um gesto, Aberlardo II se aproxima da viúve. Ouve-se então uma marcha nupcial, os convidados entram e o casamento entre Heloísa e Aberlardo II é celebrado. Todos ignoram por completo a presença do cadáver de Abelardo I.

Sobre o autor

Oswald de Andrade era escritor e dramaturgo brasileiro. Uma das celebridades mais polêmicas do modernismo criou, junto com Tarsila do Amaral, o Movimento Antropófago. Junto com o escritor Mário de Andrade e a pintora Anita Malfatti organizou a Semana de Arte Moderna de 1922. O melhor da sua obra é a reforma da ficção brasileira.

Oswald de Andrade morreu em 22 de outubro de 1954, em São Paulo.

Algumas obras: A Morta – teatro (1937); Manifesto Antropófago (1928); Ponta de Lança – ensaio (1945); O Homem e o Cavalo – teatro (1934); Pau-Brasil – poesias (1925); A Marcha das Utopias (1966); Os Condenados- romance (1922); Memórias sentimentais de João Miramar – romance (1924); Serafim Pontes Grande – romance (1933); O Rei Floquinhos – teatro (1953); Um Homem Sem Profissão – memórias (1954).