Parnasianismo e os Poetas Parnasianos


os romances realista-naturalistas, vamos para a poesia parnasiana e três de seus nomes: Olavo Bilac, Rai­mundo Correia e Alberto de Oliveira. Primeiramente, há uma análise sobre a poesia parnasiana e, logo a seguir, você irá ler o poema Profissão de fé, de Olavo Bilac.

POESIA PARNASIANA

O Parnasianismo distanciou-se da prosa realista e natu­ralista, opondo-se a ela. A estética parnasiana é a da “arte pela arte”, que manteve os poetas parnasianos distante das grandes transformações sociais que assolaram o final do século XIX e início do XX.

Poetas Parnasianos

O Parnasianismo manifestou-se a partir de 1870 e foi perdendo força na década de 1920, mais precisamente após a Semana de Arte Moderna de 1922, que ocorreu em São Paulo. No final dessa década, românticos e realistas/parnasianos travaram, no Diário do Rio de Janeiro, o que ficou conhecido como a “Batalha de Parnaso”. O saldo foi positivo à estética realista/parnasiana.

A origem da palavra “Parnasianismo” associa-se ao Parnaso grego, que, segundo a lenda, era um monte da Fócida, na Grécia Central, consagrado a Apoio e às musas. Os autores parnasia­nos acreditavam que, ao se apoiarem nos modelos clássicos, combateriam os exageros de emoção dos românticos.

A poética parnasiana tinha como características a objetividade temática (culto da forma), em que prevalece a negação e o distanciamento ao sentimentalismo romântico, numa tentativa de atingir a impassibilidade e a impossibilidade
emocionais. A poesia era carregada de descrições objetivas e impessoais. Há um retorno à Antiguidade Clássica e
seu radonalismo e formas perfeitas. É a volta do belo na arte, a busca do equilíbrio e da perfeição formal.

Prevalece na poética parnasiana o culto à forma: a forma fixa dos sonetos, a métrica dos versos alexandrinos
(12 sílabas poéticas) e decassílabos perfeitos, a rima rica, rara e perfeita, contrapondo-se aos versos livres e
brancos.

No poema a seguir, Profissão de fé, de Olavo Bilac, há uma preocupação acentuada com a composição e com a técnica, com a perfeição formal, o cuidado com a rima, com o ritmo, com a seleção vocabular e versos impas­síveis.

O escritor pré-modernista Lima Barreto ironizou os poetas parnasianos em seu livro Triste fim de Policarpo Quaresma. O personagem Policarpo Quaresma é um modesto funcionário público que, em seu idealismo patriótico, analisa e vê o Brasil como uma espécie de paraíso de fartura, facilidades e amor. É um nacionalista, que visava “despertar a pátria do sono inconsciente em que jazia, ignorante de seu potencial, e conduzi-la ao merecido lugar de maior nação do mundo”.

Olavo Bilac

Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 1865 e faleceu em 1918. Estudou Medicina e Direito, mas não concluiu nenhum dos dois cursos. Exerceu a profissão de jornalista e de inspetor escolar, tendo desenvolvido trabalhos escritos na área da Educação. É autor da letra do Hino à Bandeira.

Sua primeira obra publicada foi Poesias, em 1888.

Bilac foi o mais completo e importante autor do Parnasianismo. Suas obras parnasianas podem ser assim caracterizadas:
Com Panóplias, Bilac volta-se para a Antiguidade Clássica, em especial Roma dos césares. Destacam-se, nessa fase, os poemas A sesta de Nem, O incêndio de Roma e Lendo a Ilíada.

Com Via Láctea, há um Bilac extremamente lírico. Com Sarças de fogo, há o lirismo e surge também o sensualismo.

Com Alma inquieta e Viagens, Bilac volta-se para os temas filosóficos. Em Viagens, há um dos mais importantes
poemas do poeta: O caçador de esmeraldas, que narra a chegada dos bandeirantes a terras mineiras. Com Tarde, surge um poeta mais descritivo e nacionalista, o que é demonstrado nos poemas Crepúsculo na mata e Vila Rica.

Raimundo Correia

Raimundo Correia nasceu em 1860 e faleceu em 1911. Ele formou, ao lado de Olavo Bilac e de Alberto de Oliveira, a “tríade parnasiana”. Estudou Direito em São Paulo e foi magistrado em vários estados brasileiros

Alberto de Oliveira

Alberto de Oliveira nasceu em 1857 e faleceu em 1937. Foi o líder do movimento parnasiano e o que mais se adequou a ele. Sua poesia é considerada intelectualizada, com um gosto acentuado pelo preciosismo formal e linguístico. Defendia a “arte pela arte” e buscava inspiração nos modelos clássicos que perseguia: os poetas barrocos e árcades portugueses. Entre suas obras, destacam-se Meridionais, de 1884, e Versos e rimas, de 1895.