Poesia Romântica


Primeira Geração

Juntamente com outros intelectuais, o escritor brasileiro Domingos José Gonçalves de Magalhães [1811-1882) fundou, em Paris, em 1836, a revista Ni­terói, defendendo o abandono dos artifícios arcádicos, da paisagem europeia, da mitologia greco-latina e do apego às regras clássicas e promovendo ideais românti­cos, como o nacionalismo, a religiosidade, a exaltação da paisagem local e a liberdade de expressão.

No primeiro número da revista, Gonçalves de Magalhães publicou o artigo “Ensaio sobre a história da literatura no Brasil — estudo preliminar”, tecendo rápidos comentários sobre a nossa literatura:
“Com a poesia vieram todos os deuses do paganis­mo, espalharam-se pelo Brasil, e dos céus, das florestas e dos rios se apoderaram. A Poesia do Brasil não é uma indígena civilizada, é uma grega vestida à francesa e à portuguesa, e climatizada no Brasil; é uma virgem do Hélicon, que sentada à sombra das palmeiras da América toma por um rouxinol o sabiá que gorjeia entre os galhos da laranjeira. Encantada por este sedutor, por esta bela estrangeira, os poetas brasileiros se deixaram Levar pelos seus cânticos e olvidaram as simples imagens que uma natureza virgem com tanta profusão lhes oferecia.

Poesia

Naquele mesmo ano, Gonçalves de Magalhães pu­blicou, também em Paris, seu livro de poesia intitulado Suspiros poéticos e saudades, considerado o marco fundador do Romantismo brasileiro. Na fase inicial do nosso Romantismo, além de Gonçalves de Magalhães, destacou-se também Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), poeta mais representativo da primeira geração romântica. Procurando contribuir para a definição de uma iden­tidade nacional, essa primeira geração cultivou em suas obras, principalmente, o nacionalismo e o indianismo. Em busca dos símbolos da nacionalidade, idealizou tanto a natureza brasileira como a figura do nosso indígena, tornado herói.

Gonçalves Dias

O maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) estudou Direito em Coimbra, Portugal, onde escreveu seu poema “Canção do exílio”, um dos mais conhecidos da literatura brasileira. Consagrou-se como poeta com a publicação de seu Livro Primeiros cantos. Depois, escreveu Segundos cantos, Sextilhas de Frei Antão e Últimos cantos. Confirmando seu conhecimento das línguas indígenas, publicou ainda o Vocabulário da língua-geral usada no Alto Amazonas e o Dicionário da Língua tupi.

Apresentando métricas e ritmos variados, versos me­lódicos e rica construção formal, seus poemas exploram diversos temas, como o amor impossível, o indígena, a natureza, a pátria e a religião.
Procurando captar a sensibilidade e os sentimentos do nosso povo, Gonçalves Dias criou uma poesia voltada principalmente para o indígena e para a natureza brasilei­ra. Juntamente com o escritor romântico José de Alencar, ajudou a formar uma literatura de feição nacional.

Seguindo a tradição dos escritores árcades Basílio da Gama e Santa Rita Durão, Gonçalves Dias soube renovar e dar nova dimensão ao tema indianista, compondo belos poemas, como “I-Juca-Pirama”, “Marabá”, “Leito de folhas verdes”, “Canto do Piaga” e “Canto do tamoio”.

Embora seja lembrado sobretudo por seus poemas indianistas, cultivou também a lírica amorosa, deixan­do-nos como Legado belas realizações poéticas, como “Ainda uma vez — adeus!”, “Se se morre de amor!” e “Olhos verdes”.

Em 1864, morreu no naufrágio do navio em que retor­nava de uma viagem à Europa, perdendo os manuscritos de um poema épico inacabado, Os timbiras, considerado pelo poeta modernista Manuel Bandeira “a mais inspirada tentativa no gênero dentro da nossa poesia”

Segunda geração

Na segunda geração romântica, também conhecida como ultrarromântica, ganham ênfase a angústia e o sofrimento, o devaneio e o sonho, o entusiasmo e o tédio, a melancolia, a busca da morte como refúgio, o amor que oscila entre a sensualidade e a idealização, entre outros temas de intensa carga subjetiva. Marcada por extremado subjetivismo, egocentrismo e sentimentalismo, essa geração teve como principais re­presentantes os escritores Álvares de Azevedo, Casimira de Abreu, além de Laurindo Rabelo, Bernardo Guimarães, Fagundes Varela e Junqueira Freire.

Álvares de Azevedo

Poeta mais representativo da segunda geração românti­ca, Álvares de Azevedo (1831-1852) morreu cedo, antes de ver reunida em livro a sua obra, composta pelos títulos Ura dos vinte anos, A noite na taverna, Macárío, entre outros.

Casimiro de Abreu

Como Álvares de Azevedo e outros escritores românticos, Casimiro de Abreu (1839-1860) – um dos poetas brasileiros mais populares em sua época – também morreu muito jovem. Sua obra tratou principalmente de temas cotidianos, em versos de intensa musicalidade e extremado senti­mentalismo.

Terceira geração

Nascida num momento em que ganhavam força ideias Liberais, abolicionistas e republicanas, a terceira geração romântica voltou-se principalmente para os problemas políticos e sociais, denunciando as injustiças e a escravidão num tom grandiloquente. Essa geração também é conhecida como condoreira, pela associação com o condor, ave que representa o “alto voo que a palavra pode alcançar em defesa da liberdade”.

Castro Alves

Autor do livro de poesia Espumas flutuantes e do célebre poema O navio negreiro, o baiano Antônio Frederico Castro Alves (1847-1871) é considerado um dos maiores e mais populares poetas brasileiros, sendo o mais repre­sentativo da terceira geração romântica. Em seus poemas condoreiros, de cunho social e libertário, a grandiloquência de seus versos fortalece o efeito de denúncia. Em sua poesia, tratou do amor e da mulher de forma sensual, mais concreta, renovando o tema amoroso.