Resumo do Livro O Cortiço


Algumas obras da Literatura Brasileira adquiriram tamanha notoriedade que são verdadeiros símbolos dessa nossa arte. O Cortiço é um desses casos, uma obra tipicamente naturalista, que explora a coletividade e usa teses deterministas, ou seja, que justificam e explicam o comportamento dos personagens a partir das influências do meio em que vivem, da raça e do momento histórico.

Veremos agora um resumo do livro O Cortiço, mas primeiro, algumas informações relevantes a respeito do seu autor.

Resumo do livro O Cortiço – sobre o autor

Aluísio Azevedo foi quem escreveu essa obra e é, provavelmente, o maior nome do naturalismo aqui no Brasil, aquela corrente que se desenvolveu dentro da escola literária que chamamos de Realismo. Ele nasceu em São Luís, no Maranhão, no dia 14 de abril de 1857 e morreu na capital argentina em 21 de janeiro de 1913.

O Cortiço

Mostrando sempre o quanto era inconformado com a sociedade brasileira em suas obras, os principais livros de Aluísio Azevedo, além de O Cortiço, são: O Mulato, Casa de Pensão, A Mortalha de Alzira, O Livro de uma Sogra e vários outros.

Antes de vermos o resumo do livro O Cortiço, o enredo propriamente dito, vamos relembrar as principais características do Naturalismo, que aliás, são facilmente identificáveis nessa obra sobre a qual vamos falar:

• O ser humano é condicionado de acordo com a sua hereditariedade e ao ambiente em que vive, não tendo possibilidade de sair disso;

Linguagem coloquial e foco na descrição de ambientes e pessoas;

• Realidade mostrada a partir de perspectivas científicas que vigoravam na época;

• Influências notáveis da Teoria Evolucionista de Charles Darwin;

• Temas mais recorrentes nas obras literárias: exploração social, miséria, instintos e desejos humanos, loucura e violência.

O Cortiço é quase um manual de como escrever um romance naturalista, visto que a maior parte das características dessa corrente estão escancaradas nele. É o livro brasileiros que melhor representa essa estética.

Resumo do livro O Cortiço – enredo

A história já começa mostrando o personagem João Romão, um imigrante português que é dono do cortiço onde o enredo acontece e que faz absolutamente tudo para atingir suas metas, que na maioria das vezes, resumem-se a ganhar dinheiro. Além do cortiço, ele também é proprietário de uma taverna (espécie de bar) e de uma pedreira e não tem receio algum de explorar os seus empregados e até de roubar para enriquecer mais rápido.

A personagem Bertoleza é amante de João Romão, vive com ele e também trabalha duro para que ele ganhe dinheiro, de domingo a domingo, praticamente sem descanso.

E do outro lado da moeda está Miranda, que também é um imigrante português, mas diferente de João Romão já é bem estabelecido como comerciante. Os dois portugueses acabam rompendo relações por conta de um conflito envolvendo um pedaço de terra: Miranda quer comprar de João para poder expandir o seu terreno, mas o outro não quer vender.

A maior motivação que faz João Romão desejar tanto enriquecer é a vontade de se tornar mais rico do que Miranda, pois tem inveja dele. Em um dado momento do enredo, Miranda acaba recebendo o título de Barão, então, João Romão chega à conclusão de que de nada vai lhe adiantar ter muito dinheiro se não conquistar também um status social elevado, participar da vida e dos costumes da burguesia com tudo o que tem direito!

João Romão mantém Bertoleza ao seu lado com uma carta de alforria falsa (que ela acredita ser verdadeira, obviamente), mas assim que começa a se refinar, deixa a sua amante de lado.

Jerônimo, também português, é outro personagem de extrema importância para o livro O Cortiço, inclusive, é o que melhor representa a ideia de que uma pessoa é produto do meio em que vive. Ele leva uma vida completamente correta, servindo de exemplo para todos os outros, mas isso muda radicalmente quando ele conhece Rita Baiana e acaba caindo nos encantos da moça.

O objetivo de João Romão de ascender socialmente vai modificando todo o cortiço, que muda até de nome e passa a se chamar Vila João Romão, um espaço visivelmente mais organizado. Com isso, a própria relação entre os dois portugueses, Miranda e João Romão, demonstra melhoras, chegando ao ponto de João pedir a mão da filha de Miranda em casamento.

Na tentativa de se livrar de Bertoleza para poder se casar tranquilamente com a moça de condições melhores, João Romão denuncia a amante para os seus donos, como escrava que havia fugido. Ela, por sua vez, acaba cometendo suicídio para não voltar a viver na escravidão.

Há outros personagens, como Piedade, que é esposa de Jerônimo e Capoeiro Firmo, que também se envolve com Rita Baiana.

O próprio cortiço assume quase a posição de um personagem, na medida em que participa da história e condiciona boa parte das situações que se desenrolam nele.