Resumo do pré-modernismo: Monteiro Lobato – Biografia


Na década de 50, o crítico literário Alceu de Amoroso Lima deu o nome ao período, que até então, não tinha sequer qualquer denominação. Mas, no entanto, esta época, guarda dentro dela a produção incomparável de Euclides Da Cunha, de Monteiro Lobato, de Lima Barreto e de Augusto dos Anjos. Estes, foram pré-modernistas, simplesmente e também os grandes pioneiros.

Euclides possui o tom positivista de uma análise social. Já Monteiro Lobato, lembra a região do Vale do Paraíba e seus tipos peculiares, como por exemplo os piolhos da terra, os caboclos jecas-tatus, como ele mesmo gostava de dizer. Lima Barreto foi tardiamente valorizado pelos modernistas, mas deixou uma obra considerada extremamente mágica. É ‘Triste fim de Policarpo Quaresma’, adaptada ao seu tipo do início da República no Brasil. Policarpo, tal qual D. Quixote brasileiro, é o tipo inesquecível desse escritor.

Monteiro Lobato

Esta foi, uma época extremamente heterogenia, por isso, considerada tão encantadora. Mas, é preciso deixar claro, que o pré-modernismo não é propriamente uma escola literária, mas um determinado período, uma determinada época, ou fase de transição de ‘ismos’ do final do século passado e início deste século, bem como a Escola Modernista, que teve início no ano de 1922.

Para se ter uma ideia da veemência com que o escritor taubateano sentia e vivia suas emoções pessoais, basta narrar aqui dois conhecidos episódios de sua vida. O primeiro foi o fato de negar-se peremptoriamente a fazer a primeira comunhão no Vale do Paraíba, que até então era católico, apostólico e romano. O segundo, por ocasião de sua formatura na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde seu discurso foi de tal modo crítico e violento, que alguns convidados, padres, bispos e professores, acabaram se retirando da solenidade porque se sentiram extremamente insultados.

A teimosia deste rapaz já se fazia notar de longe. Nascido com o nome de Renato Monteiro Lobato, ele não hesitou em mudar seu nome para José Bento, posto ter herdado do pai uma bengala, em cujo remate superior das bengalas estavam gravadas as iniciais do nome paterno: J B M L, José Bento Marcondes Lobato.

Juca, modo que era chamado pelos mais íntimos, fez seus primeiros estudos com a mãe, D. Olímpia Augusta, que o alfabetizou. Em Taubaté, concluiu o curso secundário e só então foi fazer os preparatórios para a faculdade de Direito em São Paulo, por imposição de seu avô. Por si mesmo, teria escolhido fazer belas artes.

Menino, adorava folhear os livros do avô materno, o Visconde de Tremembé. Lê literatura infantil e observa o mundo reduzido de seu tempo, criança entre toscos brinquedos, sua imaginação aguda iria povoar, mais tarde, a literatura infantil brasileira das mais belas páginas e dos mais importantes personagens infantis. Órfão de pai aos 15 anos, a mãe morreu quando Monteiro Lobato quando mal havia completado 16 anos.

Três anos depois de formado passou a exercer as funções de Promotor de Justiça em Areias, Vale do Paraíba, região agora imersa na mais dura crise de sua história. Casou-se no ano de 1905, com D. Maria Preza, conhecida como Purezinha, e dessa união nasceram três filhos: Edgar, Guilherme, Marta e Rute.

No ano de 1911, morreu o avô de Lobato, o Visconde de Tremembé, e dele herda a Fazenda Buquira, e então tenta se tornar fazendeiro. Em 1917, vendeu a fazenda e partir para São Paulo, onde passou a exercer a profissão de editor de livros.

O Jeca Tatu, esse piolho da terra – Obra

Ainda no sítio, no ano de 1914, Monteiro Lobato escreveu para o Jornal O Estado de São Paulo, para a coluna ‘Queixas e reclamações’, dois longos artigos que fizeram, à época, grande sucesso: Velha Praga, no qual denunciava a velha e a insana prática de queimadas e ainda a existência dos caboclos, que eram considerados inadaptáveis à civilização, e o segundo, o Célebre Urupês, em que desencava o Jeca Tatu, caboclo que vegeta de cócoras, piolho da terra, capiau sem nenhum vocação para nada a não ser a preguiça. Urupês, parasitas que vegetam os ocos das árvores e que acabam por mata-las.

Deste segundo virulento artigo nasce o seu personagem mais conhecido, o Jeca Tatu. Jeca cresceria em importância e seria tomado emprestado a Lobato por Rui Barbosa que o fez um símbolo do descuido dos governos para com a população na sua campanha à presidência da República. Mais tarde, a Biotônico Fontoura tornou- o Jeca Tatu ainda mais conhecido, e através desse caboclo, magro e sem vontade, vendeu milhões de vidros de seu fortificante.

No ano de 191, saiu a primeira edição de Urupês, que reunia alguns contos que narravam as experiências trágicas como fazendeiro do Vale do Paraíba. Como se suas lembranças fossem efetivamente lastimáveis, pensou em nomeá-las como História Trágicas, mas, por fim, por sugestão de um amigo, acabou sucumbindo à ideia de reuni-las sob o título Urupês, composto de dozes contos, entre eles os conhecidos e importantes ‘A vingança da peroba’, ‘O Mata pau’ ‘O bocatorta’, e o magnífico ‘O comprador de fazendas’.