Resumo do Romantismo


O Romantismo não é apenas uma palavra para designar uma escola literária e sim um modo de vida, um espírito de época que reflete o comportamento da sociedade, a economia, a política, artes, conceitos de família e de pátria e a religião.

Em seu início e implantação definiu-se as classes sociais: um operariado crescente, a alta e a média classe burguesa, o campesinato, e uma nobreza decadente, quase que apeada do poder e que, em breve, iria deixá-lo d maneira definitiva.

Os românticos são os componentes de uma época mais ou menos dilatada, que nasce dentro de um ritmo burguês, ou seja, que no início é otimista, francamente fraternal e solidário, onde louva-se o homem bom e simples e idealizam-se os como temas os sentimentos, a pátria, a igualdade, a natureza, a liberdade e a fraternidade. A partir de 1789, com o advento da Revolução Francesa, tinge-se de teor revolucionário e melancólico.

Romantismo

Surgimento do Romantismo

Para estudar o Romantismo, deve-se estabelecer em primeiro lugar a diferença entre a escola ou o movimento de âmbito universal e o estado de alma romântico, que aconteceu entre o século XCIII e o século XIX. Muitas vezes, ele denuncia as misérias sociais e traz à tona as tristezas, insatisfações, tormentos da alma, desilusões, a agressividade e a rebeldia, sentimentos típicos de um mundo em conflito, absorvendo o novo e as transformações que gerarão o aparecimento das repúblicas.

Desde o ano de 1830, a prática de se publicarem os romances, os capítulos, nos jornais, já era muito comum no Brasil. Tais publicações recebiam o nome de folhetins. No Brasil, antes que Macedo publicasse em 1844 A moreninha, era comum traduzir-se os romances ingleses e franceses. Depois dessa década, os romances publicados através do jornal ganharam cores, personagens e ambiência brasileiras. Fizeram muito sucesso, já que se tornou sinal de ‘finesse’ intelectual da burguesia.

O Romantismo apareceu devagar, como que tateando a necessidade de uma época, já que desde o fim do século XVIII pode ser observado na Alemanha e na Inglaterra. Na França, encontramos um Romantismo predisposto a mudar totalmente as escrituras literárias anteriores, sobretudo pelas mãos de Vítor Hugo, autor de Os Miseráveis e considerado o mais importante escritor francês do Romantismo. Há um desejo intenso de liberdade criadora nessa época, de rebeldia contra as regras impostas pelo Classicismo. A imobilidade quase perfeita do cenário clássico ou neoclássico foi substituída pela paisagem significativa, exuberante e vibrante.

Características do Romantismo

Quando pensamos no Romantismo, a primeira coisa que nos vem à cabeça é que ela foi uma escola melancólica e triste. Isso não é verdade, já que apenas uma parte dela pode ser definida assim. Os burgueses da época, consumidores eméritos desta arte na escrita, eram mais voltados para a diversão que a cultura, mas nem sempre a escola está inteiramente direcionada para esse fim. Podemos considerar as seguintes características como principais dessa escola:

Subjetivismo ou Individualismo: o posicionamento romântico é sempre íntimo e pessoal, ou seja, o artista capta o mundo exterior e o libera através de seu inconsciente.

Escapismo: o romântico foge do mundo real através da imaginação e acaba criando um universo idealizado, de sonhos e de fantasias.

Ruptura com as regras clássicas: o romântico opta pela liberdade formal, desprezando dessa maneira as convenções clássicas do fazer poético.

Idealização da Mulher: o romântico vê a mulher por dois aspectos distintos. A primeira delas é de uma maneira idealizada, ou seja, uma mulher intocável e angelical. Já a segunda, o romântico vê a mulher como um demônio da sedução, erotizada e sensualizada.

Culto à natureza: A natureza é sempre fonte de inspiração e se assemelha a um refúgio e ao exotismo.

Sentimento revolucionário: há nos românticos um anseio de reformar o mundo, de libertá-lo das tragédias e da mesmice. O bem comum é um status a ser atingido.

Ilogismo: o romântico é instável, ora se mostra melancólico e triste e outra entusiasmado e alegre.

Sonho: um universo onde tudo é possível e é representado por imagens, metáforas e símbolos.

O exótico e o pitoresco: Lugares remotos, encantados, terras distantes e selvagens, gente diferente, distinta das demais, criaturas retiradas dos cantos mais remotos do mundo são componentes imprescindíveis para muitos autores.

Retorno ao passado: A carência de heróis feitos de carne e osso gera a tentativa de ver o passado como um lugar idealizado, composto de criaturas capazes de gestos generoso. É uma espécie de escapismo para tempos remotos, principalmente a Idade Médica, envolta em seus mistérios e heróis bons e corretos socialmente.

Fé: Substitui a razão clássica. Compõem o universo dessa época a intuição, as coincidências, o misticismo e o acaso.

Senso de mistério e misticismo: Atraído pelo mistério de estar no mundo, o lado oculto dos seres, coisas e fatos.

Patriotismo e nacionalismo: o Romantismo trouxe o gosto pela nacionalidade, o que acaba refletindo-se em uma literatura patriótica.

Spleen: trata-se de uma tristeza sem medida, vinda não se sabe de onde, uma melancolia inexplicável, intensa.

A expressão ‘romantismo’ já era usada dede o fim da Idade Média para indicar certo tipo de poesia ou de prosa que expressasse o heroísmo, as narrativas galantes de cavaleiros, as emocionantes aventuras de amor e paixão; mas é do francês ‘roman’ que nos vem a designação para essa escola literária.

Indicadoras de atmosferas sentimentais, emoções violentas, paixões arrebatadoras, tais palavras francesas, incorporadas sob o nome de romance, garantem a indicação certeira para a aventura, a imaginação, a sensibilidade, conquistas, alegrias, perdas, solidões, patriotismo e misticismo.