Resumo sobre o livro Morte e Vida Severina: O antagonista e o protagonista


O livro Morte e Vida Severina foi escrito por João Cabral, conhecido como o maior poeta da terceira fase do período modernista. Além disso, o autor, juntamente com Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, é considerado um dos poetas mais importantes e influentes da história brasileira.

A história é narrada nos anos de 1950, que é caracterizado pelo desenvolvimento que aconteceu durante o governo do então presidente Juscelino Kubitscheck. Este foi um período de muito entusiasmo na área intelectual e também no setor de cultura.

livro Morte e Vida Severina

Em morte e Vida Severina, o autor não abre mão de uma síntese extremamente expressiva, alcançando uma maior comunicação com o leitor. A abordagem do drama da seca é feita de tal forma a dialogar com o romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, do qual funciona quase como continuação.

Sinopse

Logo no início da peça, Morte e Vida Severina, o retirante conhecido como Severino se apresenta à plateia e começa a narrar toda a sua história. Nela, ele conta que deixou o sertão nordestino e seguiu em direção de uma vida melhor, para o litoral, um lugar que não parecia nada com a sua terra natal, cheia de escassez. Em sua trajetória, Severino acaba se encontrando com diversos tipos nordestinos. Logo no início, ele se encontra com irmãos das almas, ou seja, lavadores que estavam encarregados de levar para um cemitério meio distante, o corpo de um colega que havia sido assassinato a mando de alguns latifundiários.

Aos poucos, assiste à seca do rio Capiberibe, que Severino segue em sua viagem ao litoral. Passa por um lugarejo e ouve uma cantoria vinda de uma casa. Trata-se do canto de excelências, isto é, fúnebre, em honra a outro Severino morto.

O retirante pensa em desistir de sua viagem, quando se depara com a morte definitiva do rio, mas acaba pensando melhor, e opta por seguir viagem. Severino começa a planejar a instalação de moradia naquele mesmo local. Mas, ao conversar com uma das moradoras da região, acaba percebendo que ali, não teria espaço para atividades que estava acostumado a desempenhar, como a pecuária e a agricultura. Ele apenas conseguiria desempenhar atividades que tivessem alguma ligação com a morte, como coveiro e também rezadeiro.

Por estes motivos, Severino acaba desistindo de se instalar naquele local e decide por continuar sua jornada. Assim, chega até a Zona da Mata, uma região localizada no interior do sertão que estava alcançado prosperidade. Logo de cara, Severino encanta-se com toda a natureza exuberante e verdejante do lugar, mas acaba percebendo que a morte também estava muito presente por ali, quando testemunha o funeral de um lavrador que estava sendo realizado no cemitério local.

Mais uma vez, acaba abandonando a ideia de se instalar naquela área e decide continuar em frente sua viagem, até encontrar o local ideal. Tempos depois, Severino acaba chegando ao Recife, onde decide descansar ao pé de um muro. Este local era um cemitério, e o retirante acaba escutando o diálogo entre dois coveiros.

Na conversa, os coveiros conversam sobre o trabalho que os retirantes lhes dão quando resolvem sair de suas casas sertanejas para morrerem por ali, na área deles, fazendo-o em lugares secos e não no rio. Isso porque, morrer no rio, certamente daria a eles menos serviço e muito mais sossego.

Depois desse novo encontro com a morte, o retirante Severino acaba se entregando a ela, e decide tirar a própria vida. Para alcançar o seu objetivo, ele acaba por se atirar em um dos rios que cortam a cidade.

Quando estava se aproximando do rio, Severino acaba iniciando uma conversa com José, um mestre carpina, ou seja, um carpinteiro que morava na margem do rio. Severino então pergunta ao ribeirinho, se aquele ponto do rio era ideal para que ele cometesse suicídio. O carpinteiro responde que sim, mas tenta convencer que o retirante não se atire.

Continuando a conversa, Severino então pede que José aponte apenas uma razão para que ele não tire sua própria vida. Mas, a resposta do homem acaba sendo interrompida por causa do anúncio do nascimento de seu filho. José começa a celebrar o acontecimento, com alguns conhecidos e vizinhos. Além disso, algumas pessoas lhe dão alguns presentes, felicitações e é então, que passa a ouvir diversas previsões pessimistas de duas ciganas ali presentes, a respeito do futuro da criança. É nesse momento, que José se lembra do questionamento de Severino e se dispõe a responde-la.

Em sua resposta, José afirma que não possui as respostas para as questões da vida, se a vida vale ou não vale a pena ser vivida, mas que o nascimento de seu filho acaba funcionando como uma espécie de resposta, representando dessa maneira, a reafirmação da vida diante da morte.