Romance Naturalista


Nas obras naturalistas, prevalece a análise social com base em grupos humanos marginalizados pela so­ciedade. Dá-se grande valorização ao grupo, como em O cortiço, O mulato e Casa de pensão, de Aluísio Azevedo, e O Ateneu, de Raul Pompeia.

O mulato (1881), de Aluísio Azevedo, foi o primeiro romance naturalista. Houve nomes importantes nessa corrente, como Inglês de Sousa (O missionário, 1882), Júlio Ribeiro (A carne, 1888), Adolfo Caminha (A nor-malista, 1892, O bom-crioulo, 1895), etc.

Naturalista

Em O cortiço, por exemplo, o personagem principal pode, sim, ser considerado o próprio cortiço, como afirma o crítico António Cândido: “O romance é o nas­cimento, vida, paixão e morte de um cortiço”.

São características do Naturalismo:

– A concepção de que o homem é autômato, isto é, ele é guiado por leis físico-químicas, pela hereditariedade e pelo meio físico social.
– As decisões de ordem moral resultam de condi­ções psicológicas.
– O homem deve ser analisado cientificamente.
– A preferência e a tendência por temas da pa­tologia social, como a miséria, o adultério, a criminalidade, a sexualidade, etc.
– O amoralismo.

O Naturalismo é, portanto, uma visão mais abran­gente e determinista do comportamento humano. Foi com Émile Zola, em 1850, na França, que o termo Natu­ralismo adquiriu importância e entrou definitivamente para as literaturas francesa e mundial.

Influenciados por Zola, alguns escritores brasileiros resolveram cultivar o chamado “romance de tese”, isto é, o romance naturalista que visava provar uma teoria científica a respeito do comportamento humano. Era uma espécie de Laboratório de experiências. Por isso, sobressaem-se os conhecimentos em Biologia, Psicologia e Sociologia, para explicar e analisar casos patológicos ‘ individuais.

Algumas diferenças entre o Realismo e o Naturalismo residem no fato de os escritores realistas desejarem trabalhar com um número reduzido de personagens e analisá-los psicologicamente. Já a ideia realista era a de que as pessoas se identificassem com os personagens e assim pudessem fazer uma autoanálise e transformar-se. Os naturalistas eram comprometidos com a ótica cientificista da época e os seus escritores tinham uma perspectiva biológica do mundo, reduzindo o ser humano, muitas vezes, à condição animal, e colocando o instinto sobre a razão.

Aluísio Azevedo

Trabalhou no Rio de Janeiro como jornalista e cartunista. No ano de 1879, publicou, com suces­so, seu primeiro romance Uma lágrima de mulher, influenciado principalmente pela estética romântica e, em 1881, publicou O mulato, considerado o marco da corrente naturalista no Brasil, sob a inspiração de Émile Zola.

É o principal nome da prosa naturalista, em especial por causa de seu mais importante romance: O cortiço, de 1890.

O enredo de O cortiço gira em torno da habitação coletiva de propriedade de João Romão, um português avaro que trabalhou durante doze anos para um taverneiro. Herdou do taverneiro a taverna e um conto e quinhentos em dinheiro, o que provocou em João Romão o delírio por enriquecer. Conheceu, então, Bertoleza, escrava fugida, que conseguiu uma quitanda e tinha o desejo de obter sua carta de alforria.

Além de Aluísio Azevedo, no Naturalismo há outros nomes importantes, como os de Adolfo Caminha e Domingos Olímpio. Conheça um pouco sobre eles.

Adolfo Caminha

Talvez o mais audaz dos naturalistas brasileiros. Ajudou a fundar o Centro Republicano, além de participar da vida intelectual da cidade. Foi envolvido num escândalo de adultério e expulso da Armada. Retirou-se da vida social, mas continuou a participar da vida literária. Em 1891, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se dedicou ao Jornalismo e à Literatura, escrevendo algumas das obras-primas do Naturalismo, como A normalista (1892) e Bom-Críoulo (1895). A normalista é a história chocante de um incesto em que a personagem principal é seduzida pelo padrinho.

Domingos Olímpio

No Rio de Janeiro, publicou sua principal obra, Luzia-Homem (1903), e passou a escrever sob o pseudônimo de “Pojucan” na recém-fundada Os Anais. Em algumas passagens, há uma certa semelhança entre Luzia-Homem e Vidas secas, de Graciliano Ramos.